Quem?
Nos anos 80, a Abril lançava nas bancas uma coleção de livros chamada Best-Sellers. Era aquela reunião já esperada de nulidades: Sidney Sheldon, Harold Robins, Robin Cook, et alli. Verdade seja dita: muita gente adquiriu hábito de ler ficção com estes títulos e com o finado Círculo do Livro. Aquelas histórias idiotas de mulheres que se estrepam e depois dão a volta por cima, com fartas doses de poder, sexo e cobiça pareciam saídas de porcarias como Dallas. Ok, eu admito que, quase um pré-púbere, folheava aqueles livros de impressão meio vagabunda atrás de descrições sem-vergonha de sexo entre os protagonistas, mas isso é mais ou menos como admitir que se assistia a filmes nacionais nas madrugadas televisivas: um percalço adolescente de mau gosto, porém perfeitamente natural, digamos. Enfim, deixemos as confissões íntimas de lado antes que eu revele que era louco pela senhorita Teschmacher, do ótimo filme Superman de 1978, e voltemos a Simmel.
Johannes Mario Simmel, austríaco, parecia-me, àquela época, um bom autor, e se destacava da pasmaceira vulgar dos Sheldons da vida. Eu já não o achava excepcional, mas um de seus livros (Por Quantos Ainda Vamos Chorar, um título medonho) me deu o mesmo prazer que um filme mediano de ação, espionagem e alguns toques de ciência seria capaz – em resumo, me ofereceu algumas horas de boa e bem urdida diversão. A sequência do massacre cometido por terroristas fantasiados de palhaços em um circo ficou na minha memória por algum tempo e o diálogo que os personagens travam sobre o Mozart de Milos Forman acabou me levando a assistir – e admirar – ao filme Amadeus. Hoje eu diria que Simmel unia o que havia de mais interessante em Michael Crichton (boa pesquisa) e Frederick Forsyth (guerra fria, espionagem). Mas há muito tempo deixei de ler tanto um quanto outro e talvez esta minha opinião, baseada em leituras tortas de 15 anos atrás, não seja lá muito exata. E, para ser franco, dificilmente os leria hoje, porque minha extensa lista de prioridades literárias já está lotada de nomes que considero muito mais importantes. Desculpe, Simmel.
Pois bem, J.M.Simmel morreu aos 84 anos, depois de vender mais de 73 milhões de cópias em todo o mundo, começar a carreira sendo comparado pelos críticos a Günter Grass e terminá-la como o autor austríaco mais popular do século passado, finalmente esquecido pela mesma crítica e pelo mesmo público sempre a espera do próximo Dan Brown da vida.
Quinta-feira, 5 Fevereiro, 2009 às 1:01 pm |
Não li o citado autor recentemente falecido. Li Günter Grass…mas, infeliz que sou, ainda não o haviam traduzido e li a versão inglesa. Foi complicado…agora já o publicam no Brasil.Sorte de quem o procurar agora.
Sidney Sheldon é o autor de Jeannie é um Gênio. uma séria divertida que está até hoje na TV. E de uma outra, atualmente em exibição na TV ” O Casal 20″. Um de seus livros tornou-se um filme policial com Audrey Hepburn. Gosto do filme. Se não me engano chama-se A Herdeira.Foi exibido no canal Cult esta semana.Não sei se algum outro livro dele se tornou filme.
Se alguém se interessar por teatro grego, poderemos conversar sobre Medeia.Um fascínio.
Ana
Sexta-Feira, 6 Fevereiro, 2009 às 8:00 pm |
Cê me dá licença, Marcelo, de responder à Ana? Dá, né? Brigadu.
Ana, querida, meu pai me deu um Sidney Sheldon pra ler em minha adolescência. Imagine que eu havia acabado de ler Dostoievski. Foi um choque. Disse a ele que era muito ruim. Meu pai disse que tínhamos que ler coisas boas e ruins. E lembrou-me que apesar do livro horrendo de Sheldon, o mesmo havia escrito Jeannie -que eu adorava. Este livro em questão era “O Outro Lado Da Meia Noite” que virou um filme pior ainda que o livro com a Susan Sarandon. Mas meu lado trash me fez ler outros livros dele.
Sobre Medeia, converso sim. Gosto demais.
Simmel? so, so…
Beijos pros dois.
Quinta-feira, 25 Junho, 2009 às 7:56 pm |
Posso dizer que Simmel foi marcante em minha adolescência. Ainda hoje guardo alguns livros dele. Outros eu li emprestados de bibliotecas públicas. Concordo que, com o tempo, a gente vai apriomorando e passando a outros níveis de leitura. Mas vejo neste autor uma importância, devido ao fato de conciliar boas pesquisas e ter uma linguagem que flui com muito lirismo. Apesar de muita gente torcer o nariz para autores como Sidney Sheldon e Simmel, penso que eles representaram – nos anos 80/começo dos 90) um passo, um momento que todo jovem deveria conhecer, um caminho pelo qual se deveria passar. Acho ridículo ficar atirano pedras, falando mal de pessoas que estavam ali, fazendo seu trabalho. Certamente não eram a melhor coisa do mundo. O melhor e mais útil dos livros será semapre a BÍBLIA. Mas Simmel me divertia muito e emocionava. Lamento sua morte. Por quantos ainda vamos chorar, viver é amar, e outros tantos ficarão sempre em minha memória como livros emocionantes e sem muito preentensão, senão contar uma boa história. E nisso ele era um mestre.
Quinta-feira, 2 Julho, 2009 às 11:53 pm |
Rido,
Também acho que Simmel tem um lugar enquanto estamos descobrindo escritores e livros. Pode acontecer de, no futuro, ele (e muitos outros) perderem a importância que tinham para nós, mas isso não muda o fato de que por algum tempo e alguma razão, aquele livro foi importante para o leitor.
Abs!
Marcelo.
Sexta-Feira, 24 Julho, 2009 às 2:59 pm |
Escreva algo que desperte o interesse de 73 milhões de pessoas e depois venha continuar sua choradeira pedante!
Segunda-feira, 27 Julho, 2009 às 12:33 pm |
Cornélious,
Me dá uma chance: vi que no domingo apenas 73 pessoas visitaram o blog. Serve?
Abs!,
Marcelo.
Sexta-Feira, 31 Julho, 2009 às 7:51 pm |
Outra obra de Sheldon no cinema foi “O outro lado da meia-noite”.De Simmel gostei de Sò o vento sabe a resposta que li tambem na decada de 80.
Terça-feira, 4 Agosto, 2009 às 12:37 pm |
bruno,
Eu até diria que os livros de Sheldon, Harold Robins e J.M.Simmel são simbólicos dos anos 80.
Abs!
Marcelo.
Sexta-Feira, 7 Agosto, 2009 às 1:47 am |
Comecei a ler Simmel em 1976, aos 17 anos, com “Nem só de Caviar Vive o Homem”, sugerido por meu pai. Foi uma paixão instantânea, li todos os seus livros, até mesmo os infantis, e os guardo até hoje, embora não consiga mais relê-los, pois hoje acho que Simmel era detalhista demais, o que torna certas partes dos livros muito enfadonhas. Para mim seu melhor livro é “Amor é Só Uma Palavra”, no qual ele consgue fazer com que nos apaixonemos pelo personagem principal, que morre logo nas primeiras páginas, e mesmo assim lemos todo o livro trocendo por ele. Fiquei triste, por ele, por mim e por todas as suas histórias.
Sábado, 8 Agosto, 2009 às 9:17 pm |
Raquel,
É estranho quando morre alguém cuja obra lemos ou assistimos em determinado período de nossas vidas. Sei que é clichê dizer isso, mas é como se alguém realmente próximo, mas que, digamos, sempre esteve viajando, fisicamente distante, morresse.
E isso é sempre triste.
Abs!
Marcelo.
Terça-feira, 18 Agosto, 2009 às 8:41 pm |
FIQUEI MUITO TRISTE AO SABER DA MORTE DESTE MARAVILHOSO ESCRITOR, LI TODOS OS SEUS LIVROS QUE HAVIAM NA BIBLIOTECA PERTO DE CASA, O MEU PREFERIDO “E JIMMY FOI AO ARCO IRIS”.
INFELIZMENTE É UM ESCRITOR POUCO CONHECIDO DO GRANDE PÚBLICO!!
Quarta-feira, 19 Agosto, 2009 às 12:36 pm |
Simone,
O Simmel já foi bem conhecido do público brasileiro quando a Abril publicava os livros dele em bancas de jornais. Hoje em dia, pouquíssima gente se lembra dele e menos ainda o leem.
Abs!
Marcelo.
Segunda-feira, 7 Setembro, 2009 às 9:56 pm |
Também li quase todos os seus livros, nos anos 80, e com eles me diverti, sorri, apaixonei e emocionei. Hoje, ao indicar um livro seu para minha filha, vim pesquisar na internet – e soube de sua morte. Também fiquei triste.
Sábado, 3 Outubro, 2009 às 11:17 pm |
Fiquei muito triste por sua morte, porque mesmo não conhecendo muito de sua obra, li um livro dele que gostei muito.. o primeiro livro que eu li por livre e espontânea vontade rsrs.. acho que me despertou o gosto pela leitura.. uma vez, nas férias, estava arrumando minha estante, e vendo um monte de livros, peguei um qualquer.. abri e li o primeiro paragrafo: “.. morri muitas vezes..” rsrs.. achei interessante e resolvi ler .. foi o “Até o mais amargo fim” tem umas 600 e poucas páginas.. pensei não vou ler tudo isso.. mas aí comecei a ler e não parei mais.. realmente foi um livro que eu gostei muito. Ah.. muitos podem dizer que há melhores autores que ele e etc, eu não posso dizer muita coisa pois não leio muito rsrs.. mas gostei muito do jeito que ele escrevia.. prendia a atenção do leitor.. além de ser emocionante, você nunca sabia o que ia acontecer.. rsr ..enfim.. muito bom! estou procurando o 2º e quem sabe ler seus outros livros.. enfim..lamento muito sua morte.
Segunda-feira, 5 Outubro, 2009 às 2:02 am |
Agda,
Uma amiga me disse uma coisa muito simples e muito interessante: os livros que você lê são importantes para você. Ou seja, não importa o que todo mundo pensa sobre seus livros e autores preferidos, o que é realmente importante é o que aquele livro lhe trouxe. Parece óbvio, mas não é.
Abs!
Marcelo
Quarta-feira, 7 Outubro, 2009 às 11:47 pm
E é verdade mesmo.. acho que não existe livro bom ou ruim, em cada um ele vai agir de forma diferente, agrandando a maioria ou não… o importante é o ele significa pra vc.
Mas recomendo esse livro rsrs pra quem não leu é uma boa.
Bjus