Lendo o artigo de Claudio de Moura Castro na Veja, Onde comprar estantes de livros?, lembrei-me da minha própria peregrinação. Ao me mudar, trouxe um grande e sólido móvel que me serve de estante e escrivaninha, além de acomodar o computador, impressora, modem, DVDs e uma réplica do DeLorean de De Volta Para O Futuro que foi presente do meu irmão. Mas, quando a quantidade de livros acabou superando as dimensões deste móvel, saí a procura de uma estante para eles, acreditando piamente que seria algo trivial, fácil de se encontrar.
Após andar em todas as lojas e sites mais conhecidos e, claro, depois de descartar as opções muito feias e as ridiculamente caras, fui encontrar duas pequenas “bibliotecas” (assim eram descritas nas etiquetas) em uma loja perto de casa. O preço era justo e a qualidade, boa. Tenho as duas aqui ainda e já estão chegando aos seus limites. Logo terei de tomar a decisão que a maioria dos proprietários de livros acabam sendo obrigados a tomar: improvisar ou mandar fazer suas estantes sob medida. Mas o que Claudio de Moura Castro não deixou escapar em seu artigo é tão óbvio quanto aterrorizante: Não existe mercado para estantes de livros no Brasil porque quase ninguém lê.
Aliás, lembro-me bem de não encontrar, na maior parte das casas de amigos e conhecidos, livros. Não falo de uma estante ou uma biblioteca, mas apenas alguns livros, empilhados em algum canto, ou enfileirados ao lado da televisão. De preferência, livros nitidamente manuseados, as folhas marcadas, e não estas edições monstruosas de arte, compradas apenas para combinar com o quadro ou os jarros, e que foram vistas na capa de alguma revista de decoração.
No final do artigo, o autor sugere a criação de um índice semelhante ao Índice BigMac , para medir a educação e hábitos de leitura de um país a partir da quantidade de estantes para livros disponíveis em sites das lojas de móveis locais. Nem é preciso dizer onde estaríamos na lista resultante deste suposto índice.
terça-feira, 10 janeiro, 2012 às 10:06 am |
Infelizmente, essa é a realidade do nosso país. Ações como reduzir o “IPI” dos livros, também poderiam aumentar a presença destes itens tão importantes nos lares dos brasileiros.
segunda-feira, 16 janeiro, 2012 às 10:46 am |
Hoje meus livros tem moradia, mas durante muito tempo viveram em casas provisórias, foi um tempo muito difícil, mas graças a Deus e ao meu marido, hoje todos tem um lar. Posso dizer até que são meus vizinhos, ou que moram no mesmo condomínio, e diferente do que acontece com meus vizinhos reais, esses ( meus livros ) já compartilharam de horas ao meu lado, já viajamos juntos, alguns já até dormiram ao meu lado…
” Pra quê tanto livro “, foi o comentário de uma visita. Meu susto foi tanto que fiquei sem resposta.