De Virgina Woolf a Patti Smith e Sebald

Não ouvi muita coisa (além do básico) da cantora, compositora e roqueira Patti Smith ainda, apesar do interesse pela sua biografia, Só Garotos. Mas a citação ao seu trabalho no blog da editora L & PM chamou a minha atenção.

A admiração de Patti Smith pela autora de Mrs. Dalloway não é de hoje: o álbum “Wave”, de 1979, foi batizado assim em homenagem à Virginia. Além disso, a exposição “Patti Smith: Camera Solo”, realizada em 2011, exibia fotos feitas por Patti na casa onde Virginia se refugiava durante suas crises de depressão, em Sussex. Uma das fotos mostra o Rio Ouse, onde a escritora se suicidou em 26 de março de 1941:

rioouse_pattismith

Esta foto pede para ser a capa de um livro – que esteja à altura de Virgina Woolf, claro. De alguma forma, talvez por culpa do preto e branco, Patti Smith produziu uma imagem ao mesmo tempo poderosa e melancólica. Talvez mesmo se não soubéssemos do que aconteceu neste rio, ela ainda seria assim. Lembram-me as fotos igualmente melancólicas de W. G. Sebald, autor que as combinava (às vezes, de formas misteriosas) com textos que escapam às tentativas de classificação (memórias? guias de viagem? romances?).

Não me pergunte porque fiz estas conexões, apenas tive o desejo de registrá-las aqui.

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2 Respostas to “De Virgina Woolf a Patti Smith e Sebald”

  1. antonio augusto Says:

    Gosto de ambas e as contemplo, com o devido distanciamento, desde 1977, quando as descobri, não crendo muito em acaso. Cada uma, conforme seu temperamento e seu zeitgeist, provocou fissuras tanto no escrever quanto na música, fissuras produtivas, por favor! Seu jogo associativo é muito bom – uma complementa a outra, havendo unidade na multiplicidade, sem que jamais uma interfira na outra. Patti Smith é uma sobrevivente exemplar, um Rimbaud de jeans, quase uma Venus subnutrida de Boccicelli, explusa de Woodstock por uma lufada de marihuana. Virgínia Woolf, de repente, ficou muito cansada, e o sucesso não serviu para ampará-la, da incomunicabilidade entre os homens de péssima vontade e sua mediocridade sem trégua e só lhe restou exercer seu livre-arbítrio. Elas moram nos meus afetos.

    Deixo-lhe um vídeo sobre Patti e outro sobre Virgínia. Não se assuste!

  2. Cristiano da Cruz Alves Says:

    ñ conheco vo olhar depois… :)

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