Saudade do universo

Agora, na HBO, está passando os créditos finais de The Life Aquatic e eu parei de escrever agora pouco pra ver, de novo, o tubarão-jaguar. Filmes bons fazem isso: Você pára de fazer o que está fazendo e opta por aquele universo. Quando você opta pela sua própria sala, sua própria unha, seu próprio cachorro, algo está obviamente errado.

Lady SnowBlood acerta na mosca neste post. Uma das coisas que me atrai especialmente numa obra é quando ela se esmera em construir o seu “universo”: o conjunto de seres, conceitos, frases, personagens, regras. Recentemente, pude revisitar dois universos que me agradam profundamente e estavam esquecidos, por anos de descuido. O primeiro é Star Trek. Isso mesmo, Kirk, Spock, McCoy e cia. fazem parte do meu imaginário de ficção científica infanto-juvenil, alimentado pelas incontáveis reprises na televisão brasileira. Verdade seja dita: herança também de meus pais, fãs da série original. Felizmente, este universo sobreviveu a meu amadurecimento (ou, na verdade, eu não amadureci grande coisa… isto é assunto para outro post) e consegui apreciar as séries seguintes, à óbvia exceção de Voyager e da maior parte de Enterprise. Vi o último cinefilme da série, Nemesis. Não é grande coisa; o roteiro tem furos, a história parece uma colagem requentada de episódios antigos e, para completar, um personagem querido bate as botas. Mas a verdade é que eu adoro aquele universo, aqueles sujeitos equilibrando-se entre o comportamento certinho-militarista e o ímpeto adolescente da exploração.

O outro, e nisso eu e Snowblood concordamos plenamente, é o anime Cowboy Bebop, que finalmente consegui baixar pela internet depois de assistir, fascinado, aos episódios no extinto canal Locomotion. É outro caso de amor a personagens: Spike, Jet, Faye, Ein e Ed movem-se num universo de ficção científica completamente diferente de Star Trek. É um mundo sujo, meio faroeste (no que lembra outro desenho animado bacaninha, Galaxy Rangers) meio tecnológico, habitado por bandidos, policiais, caçadores de recompensas, mafiosos e uma miríade de pobres coitados. Para completar, a trilha sonora tem identidade própria, executada por uma banda de blues/jazz japonesa, Seatbelts.

Não nego; sonho em criar um universo também. Um que faça alguém parar o que está fazendo para observar, sei lá, um castor-falante-voador. Ainda chego lá.

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