E o Second Life…

Via Eduardo Carvalho, uma matéria na Wired afirmando que o Second Life está se transformando num deserto. Eu sou profissional de TI e já houve, na empresa em que trabalho, alguma especulação sobre uma suposta necessidade de fincar uma bandeirinha lá no mundo virtual. Confesso que ainda não entendi muito bem o porquê do sucesso do Second Life – na verdade, sem querer fazer papel de Mãe Dinah, já imaginava que a coisa começaria a declinar logo. E por uma razão muito simples: uma vida apenas já é suficientemente complicada; manter duas é algo sobre-humano.

E veja que eu me cadastrei e acabei reencarnando por lá, para saber como funciona. É um lugar inóspito, onde quase ninguém conversa com você, que no início não passa de um avatar vetorial básico e sem atrativos. Alguns minutos mais andando e voando de um lado para outro e fiquei entediado, menos pelas tais possibilidades de um mundo virtual e mais pela chatice das pessoas (desculpe, avatares) que encontrei por lá. É a solidão informatizada, como sempre, mas desta vez com gráficos melhores.

E ainda há a exigência bizarra de hardware gráfico potente para gráficos vetoriais que parecem saídos de um jogo do início do século. Meu desktop não tem uma placa de vídeo apropriada, então usei o notebook mesmo, que se saiu razoavelmente bem – não, eu não tenho o hábito de jogar, por mais bizarro que isso possa parecer para alguns.

O Second Life parece a mistura do antigo The Palace (um chat gráfico dos anos 90) e do jogo The Sims, mas com pretensões comerciais bem avançadas. A IBM usa o ambiente para treinar funcionários e realizar reuniões com gente de todo o mundo, a Dell criou uma loja virtual em forma de computador, o Bradesco espalhou seus relógios de rua pelas ilhas brasileiras. Resumindo: o Second Life vai se transformando, aos poucos, num espaço de negócios incrivelmente caro e desnecessariamente sofisticado. É apenas questão de tempo para que as empresas percebam que gastaram muito dinheiro para fazer o que já faziam antes, de forma mais direta e simples: vender, comprar, recrutar e treinar. As pessoas comuns? Bom, vão cuidar de sua primeira vida, que já é bem complicada.

Nota final: Um amigo me lembrou de um detalhe curioso. O Second Life é um “mundo perfeito”; não dá para entrar lá com uma turba de amigos, gritar “Os Pirata!” no pior estilo Renato Aragão e sair distribuindo sopapos aleatórios nos pedestres – infelizmente. No filme Matrix, o agente Smith diz que a primeira versão do universo virtual no qual estavam imersos quase todos os humanos era perfeito demais; logo foi rejeitado pelas pessoas. A solução foi criar uma nova versão, idêntica ao nosso mundinho, com fome, miséria, violência e Domingão do Faustão. Se a Linden Labs, criadora do Second Life, seguir por este caminho, é melhor comprar algumas pílulas vermelhas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: