Minha primeira sessão de cinema

A primeira mesmo, eu devia ter uns 6 ou 7 anos, e foi com uma de minhas tias. O filme era Meu Amigo, o Dragão, que andava fazendo sucesso na época de seu lançamento no Bananão (a produção era de 1977, mas por aqui saiu em 1981, acredito). Não consigo me lembrar muito bem de qual foi a sala (Acaiaca, Palladium, ArtPalácio?), todas extintas na Belo Horizonte de hoje, mas me recordo de que estava relativamente cheia – crianças e seus adultos a tiracolo. Para quem não conhece, este filme é uma produção Disney, avô de Uma Cilada Para Roger Rabbit, em que um moleque faz amizade com um dragão em forma de desenho animado. Hoje sei que fazer este tipo de filme dava um trabalho anormal para os artistas: era preciso imprimir cada fotograma da película e colocar a folha de acetato por cima, onde era pintado o desenho. O quadro era, então, fotografado à maneira dos desenhos animados e o filme era, digamos, reconstruído. O fantástico Roger Rabbit, já em 1988, ainda foi feito da mesma forma, o que exigia cuidados especiais nas filmagens para diminuir os custos na inserção dos desenhos.

Mas, voltando a sessão, eu me comportei no cinema exatamente como faço hoje: acabo absorvido pelo filme, esqueço o ambiente e as pessoas a minha volta. Lembro que gostei muito e por algum motivo achei alguns trechos do filme um tanto tristes – para um moleque de sete anos, qualquer cachorrinho manco na Sessão da Tarde pode ser meio triste. Por outro lado, costumo dizer que eu era um psicopata infantil, porque nunca liguei muito para a famosa cena da morte da mãe do Bambi. E, na verdade, já naquela época, achava Bambi uma chatice (para não usar outra palavra, politicamente incorreta, e que levaria este post sem graça para a terra das piadas infames dispensáveis) sem fim.

E foi também a primeira vez em que voltei para casa à noite, saindo do centro de Belo Horizonte. A noite é um mistério para os meninos muito novos, uma fronteira demarcada pelos gritos da mãe nos obrigando a voltar para casa pouco depois da Ave-Maria tocar em alguma rádio AM. Bom, assim era no início dos anos 80. Antes que eu ceda a tentação de fazer alguma comparação descabida com o nosso tempo, é melhor encerrar o texto. Afinal, eu não tenho filhos, logo, nenhuma autoridade para dar pitaco neste assunto.

Mas, se eu os tivesse hoje, talvez eles achassem Meu Amigo, o Dragão tão chato quanto o babaquinha do Bambi.

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