Bem-vindo ao deserto do real

Uma das coisas que sempre me causaram espanto é a inacreditável seriedade com que cabecas pensantes do mundo da TI nerd encaram algumas teorias de ficção científica. Primeiro foi Bill Joy, da Sun Microsystems, alarmado com a possibilidade de o mundo ficar soterrado por trilhões de trilhões de nanomáquinas auto-replicantes, um conceito que ganhou o nome bacana de “gosma cinzenta” – curiosamente, quando adolescente, li um conto de Stephen King de mesmo nome em que um sujeito ia se transformando num monstrengo disforme e cinza depois de beber muita cerveja… nem preciso dizer que parei de ler King eras atrás. Agora é um filósofo de Oxford que diz haver 20% de chance de a nossa realidade ser um tipo de Second Life vitaminado e bem-sucedido do futuro.

Ele se baseia na progressão do poder de processamento dos computadores e na capacidade que seria necessária para simular cada aspecto da realidade como a conhecemos. Em outras palavras, para Nick Bostrom, somos avatares complexos dos seres humanos do futuro. A teoria é uma furada, claro. Até porque ela não explica porque o meu “senhor” me criou desta forma e não com a cara do Brad Pitt, por exemplo. Que graça há num mundo tão parecido com o “real” é o que o grande professor que deve ter assistido a Matrix enquanto consumia alguma droga pesada – Fanta Uva, provavelmente – não explica. Ou talvez o tal mundo do futuro seja tão perfeito, talvez uma versão radical da Federação dos Planetas, que eles se divertem observando um mundo virtual em que a regra básica é a Lei de Murphy.

Claro que estou apenas fazendo algumas digressões sem graça sobre a notícia. Como eu já havia mencionado, há algo de estranhamente “religioso” na comunidade geek e sua relação com os computadores e a tecnologia. A maioria dos profissionais de TI assumidamente nerds que conheço declara-se cétido ou ateu, mas, no entanto, adora acreditar nestas idéias fragéis sobre um “Grande Irmão Tecnológico”, sejam máquinas ou seres do futuro. Versões mais sofisticadas e igualmente absurdas destas teorias de conspiração incluem seres extra-terrestres ou de outras dimensões no papel de puppet masters de toda a humanidade. Na verdade, é apenas mais um capítulo da longa tentativa do homem para colocar alguma coisa, qualquer coisa, no lugar de Deus. A tecnologia apresenta-se agora para tentar ocupar o trono divino. Vai se estrepar, obviamente. Mas, ao menos, vai deixar algumas boas idéias disponíveis pelo caminho.
Fiquei fora por culpa de uma ridícula garanta inflamada. Se eu usasse Twitter, os dois leitores e meio deste blog saberiam disso antes de hoje, mas, por Deus, eu não tenho paciência para posts de uma linha.

Assistam a 13o. Andar, um filminho honesto que brinca com esta teoria, se tiverem paciência para tanto.

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