Duas leituras tortas

Na minha adolescência, lia com alguma freqüência as colunas de Joel Silveira e Paulo Francis nos jornais de Minas Gerais. Na verdade, nem me lembro de muita coisa, mas aqueles textos me atraíam porque eram diferentes do restante do jornal. Eu acreditava que os jornalistas eram todos possuídos pelo espírito de Herbert Ritchers quando se sentavam às suas máquinas de escrever, produzindo textos de estilo padronizado. Logo, os colunistas, cronistas e pitaqueiros chamaram a minha atenção.

Minha família comprava o Diário da Tarde quase sempre e o Estado de Minas aos domingos. O Diário era ruim de doer e por um bom tempo quase se igualou ao Notícias Populares na inacreditável capacidade de comprimir litros e litros de sangue em tão poucas páginas. Aos sábados, saía uma tal Revista Nacional (posso estar enganado) em que Silveira tinha uma página. Eram notas curtas, diretas, um mau humor bem humorado, se me perdoam a obviedade. Eu praticamente só lia aquela página e lamentei que o tablóide tenha parado de vir no meio das páginas de sábado alguns anos depois. Só fui lei mais do Joel Silveira muito mais tarde, e confesso que sua morte recente me pegou de surpresa. Se é que vale o registro deste tipo de bobagem, falou-se mais do aniversário da Diana do que da perda de Silveira.

Já o Paulo Francis escrevia textos algo caudalosos, tinha a última página do caderno de cultura para o seu Diário da Corte só para ele. Francamente, eu não entendia a maior parte das referências culturais que ele despejava com uma naturalidade de causar inveja eterna em qualquer aspirante a escritor. Ainda era o Francis-personagem, que fazia parte do repertório de imitações de todo comediante vagabundo, falando mal de democratas e republicanos no Jornal da Globo, sempre direto de Nova Iorque. Eu via os textos como o verdadeiro Francis, divertido, culto e interessante, ao mesmo tempo integrado e distindo do personagem da TV. Confesso que não voltei a lê-lo, até hoje. Guardei os Diários da Corte por algum tempo, depois os perdi sei lá onde. Mas o ASS teve uma ótima idéia; vale a pena acompanhar.

Aqui o Polzonoff fala do fantástico O Inverno da Guerra, de Joel Silveira; e aqui, narra um encontro com o próprio. Mais: A última entrevista de Silveira, no Resende Agora.

Para encerrar, um texto belo, curto e doloroso sobre Francis.

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