Medo e Delírio no Segundo Grau

Eu escrevi este post umas duas semanas atrás e decidi não publicar, não sei bem a razão. Mas acabei reeditando o texto, depois das recentes discussões sobre a baixíssima qualidade do material didático brasileiro e sua contaminação por uma visão de mundo que deveria estar esquecida em algum manual maoísta dos anos 60.  

Sempre que eu falo “segundo grau” no lugar de “ensino médio”, alguém percebe que não sou tão novinho assim – claro que ela teria ignorado também as minhas entradas capilares temporais – e que a escola do meu tempo não é a mesma de hoje. Ao ler as questões do Enen 2007, infelizmente, percebo que a escola brasileira não mudou nada em 10, 20 ou 30 anos. Minto: mudou para pior. O que continua igual é aquele marxismozinho xumbrega, que se espalha por todas as questões do exame nacional do ensino médio.

O que me faz lembrar meu segundo grau (olha ele aí de novo) num CEFET de 15 anos atrás. Tínhamos história e geografia apenas no primeiro ano e os professores faziam questão de enfiar todo o século XX nas nossas cabeças contando com pouco mais de 2 horas de aulas semanais – No sistema de ensino do Bananão, a história começa mais ou menos no século XVIII, e ninguém sabe quem foram Alexandre o Grande, Dario, Ricardo Coração de Leão, Henrique VIII, Shakespeare, etc. Para completar a bagunça, meu curso instantâneo de história do século passado teve duas fases.

A primeira foi a de um professor francamente liberal. Não, ele não não autorizava o bundalelê (infelizmente) na sala de aula, era um capitalista-democrata-liberal. Andava de um lado para outro com um bizarríssimo cigarro marrom na boca (como fumavam os professores àquele tempo!), fazendo algumas observações e orientando a leitura dos textos. Na verdade, parecia sofrer de uma óbvia impaciência para com aquele bando de moleques, o que elevava as aulas a um estado superior de tédio absoluto. Lembro-me de um colega que reclamava do sujeito que seria “liberal demais”, naquele tom arrogante, apaixonado e ridículo de um adolescente que se considera (argh) politizado.

A segunda fase veio com uma professora que, lembrada hoje, parecia-se fisicamente com a Heloísa Helena, versão com o pivô incluído. E intelectualmente também. Não havia uma aula em que a dita cuja não elogiasse Fidel Castro, Guevara, Mao e patota. Por outro lado, as aulas rendiam: debates, argüições orais (e vexatórias, como diria outro colega), trabalhos longos que se espalhavam por semanas. No final das contas, todo mundo, sem exceções, concordava com ela e ainda nos sentíamos maduros e independentes.

Recentemente, descobri que o livro-texto de então continua por aí, serelepe e cheio das estatísticas fraudulentas que deveriam provar o poderio e superioridade da então URSS – o que fica ainda mais ridículo depois que se lê uma determinada historinha sobre porcos, cavalos, cachorros e galinhas se rebelando contra seus patrões, ops, fazendeiros. O livro no qual fui obrigado a estudar é este aqui.

O CEFET tem uma vantagem sobre as escolas de hoje: matemática e português a gente aprendia e muito bem. Porque, atualmente

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