Orgulho do jeca

Foi preciso algum tempo para me recuperar do choque, mas ainda vale o registro: por Deus, como somos jecas! O anúncio da tal Copa 2014 foi tudo o que temos de mais clichê: meninos jogando bola na favela, um presidente fazendo gracinhas e um escritor-piadista soltando a pérola do ano. Como se não bastasse, ainda ficaram irritados quando um jornalista perguntou sobre a violência no Brasil – apenas por acaso, o país em que o assassinato puro e simples mata mais jovens do que câncer, AIDS e infarto do micárdio. Definitivamente, o maldito “orgulho nacional” cega a inteligência. Não é irrelevante o fato de meu interesse em futebol, que já não era grande coisa, ter decaído a próximo do zero nos últimos tempos; eu não consigo imaginar uma mísera vantagem para que esta terra sedie a Copa do Mundo.

Provavelmente sou apenas eu, que não passo de um chato da pior estirpe, mas às vezes você não tem a sensação de que esta história de futebol pentacampeão, país de chuteiras,  não passa de um imenso prêmio de auto-consolação, de auto-engano? Em 2014, estaremos ainda mais na rabeira do mundo supostamente globalizado, mas o que importa é que teremos a Copa do Mundo.

Espero ter dinheiro até lá. Vou assistir aos jogos, sei lá, de um hotel numa ilha do Pacífico.

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