Archive for dezembro \31\UTC 2007

Que seja: 2008!

segunda-feira, 31 dezembro, 2007

Sou bastante óbvio nas datas festivas (mesmo abominando a mais famosa delas nestes trópicos, o carnaval), então não posso exigir um post ligeiramente mais elaborado do que minha média. Na verdade, reconheço que não sei escrever sequer um cartão natalino; tudo o que penso me parece tolo demais, como se não valesse a pena escrevê-lo ou como se, ao escrever obviedades, estaria desmerecendo meu objeto de afeto. Mas é um equívoco meu, porque o que realmente importa num tolo cartão da Hallmark não é aquela mensagem piegas, mas o destinatário. É ele quem dará a devida importância a pequena mensagem, à carta enviada no último momento e até mesmo a felicitação que chegou atrasada. Se toda carta de amor é comprovadamente ridícula, há também algo de terno e aconchegante nos desejos efusivos e nada criativos de feliz Natal e feliz Ano Novo.

Digo que 2007 foi pessoalmente um bom ano. Melhor do que poderia espera, o que me faz agradecer e muito por ele. E me faz desejar aos amigos, visitantes identificados ou não deste blog, um 2008 melhor. Também, claro, agradecer a todos pela ótima companhia.

Eu avisei: não sei escrever sequer um cartão de Natal.

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É por isso que eu amo a Internet

domingo, 30 dezembro, 2007

Eu também fui uma criança nos anos 80. A diferença é que eu não crio comunidades no Orkut para discutir a filosofia do desenho animado He-Man nem freqüento fãs-clube da Tia Dulce (essa, só o pessoal de Minas Gerais conhece). Tenho 32 anos e um certo senso do ridículo. Nem preciso dizer que assistia a muita televisão, mais do que deveria. E no meio destas referências infantis, os bizarríssimos filmes do SBT ocupam um lugar especialmente carinhoso entre as melhores e mais ridículas tosqueiras que já vi.

Há um filme em especial, tão absurdo que, por um tempo, pensei havia sido criado pela minha imaginação. Um roteiro sem pé nem cabeça em que Atlântida volta do fundo do oceano na forma de uma maquete vagabunda habitada por figurantes de Mad Max 2, sedentos por sangue e tocando o terror numa cidadezinha litorânea. Muitos tiros, vilões mequetrefes, efeitos especiais de quinta categoria, uma pesquisadora muito bonita acompanhada por mercenários que dariam uma surra em todo o Esquadrão Classe A com um pirulito numa mão e a outra amarrada às costas.

Graças à Internet, o maior repositório de informações inúteis já criado pela humanidade, descubro que o tal filme não apenas existe, como tem uma linhagem conhecida: É Caçadores de Atlântida, do mesmo Ruggero Deodato que fez o famoso e ultraviolento Canibal Holocaust (procure por sua conta e risco). Não sou fã de terror gore; achei O Albergue uma chatice sangrenta e nunca tive a menor curiosidade pela série do Jigsaw, logo, pouco conheço do trabalho deste diretor, embora saiba que a Itália é a terra de um grupo de criadores de terror respeitados no seu gênero.

Moral da história: por mais absurdo, ridículo ou raro que seja um filme ou livro, há ao menos um sujeito que gosta da tal obra de arte. E pior do que isso: provavelmente ele tem acesso à Internet e escreverá sobre isso em seu blog, no Facebook ou no MySpace. Apenas para que outro cidadão o encontre e espalhe a velha novidade. Logo, uma legião de links estará se lembrando de obras que quase desapareceram por méritos próprios.

Ah, só para encerrar com uma contribuição ao parágrafo anterior: Quem é o mestre, Leroy?

Leituras pouco natalinas

quarta-feira, 26 dezembro, 2007

Quando não estava envolto pelas celebrações de Natal (aliás, ótimas), fiz, basicamente, três coisas.
Andei relendo O Leopardo (Il Gattopardo), de Tomasi de Lampedusa, um dos meus romances favoritos, que ganhei no antepenúltimo Natal. Costumo não dar muita bola para a trajetória do livro e dos autores; não, minto: leio sobre o autor, mas tento, na medida do possível, manter uma distância saudável para poder apreciar a obra. Digo isto porque tudo o que envolve O Leopardo é fascinante: da obsessão perfeccionista de Lampedusa a recepção fria que o romance recebeu, atacado pelo reacionarismo dos críticos marxistas, até a esplêndida versão cinematográfica de Lucchino Visconti (também ganhei o DVD). De certa forma, talvez eu veja Lampedusa como um personagem de Borges: culto, nobre e devotado a construção de uma única obra, em que a memória íntima dos homens e a trajetória de um povo se fundem com a elegância e a tristeza de se assistir a um mundo que jamais existirá novamente. O Leopardo é um triunfo; sempre que o leio aprecio ainda mais.

Em outro extremo, li os três primeiros episódios do mangá (quadrinho japonês) Death Note, que é bem mais interessante do que eu imaginava. Na verdade, praticamente não leio mais histórias em quadrinhos, o que julgo natural. Quando o faço, minha atenção fica com as histórias que só posso descrever como diferentes, porque seria ridículo chamá-las de adultas, como se eu quisesse, assim, me distanciar das supostas bobagens infantis. Até porque o mote de Death Note é, em si, de uma simplicidade absurda: um Shinigami (algo como uma divindade da morte na mitologia japonesa) deixa seu caderno cair na Terra. O objeto cai nas mãos de um rapaz inteligentíssimo cujas aspirações amorais o levam a matar criminosos, já que o humano cujo nome for escrito no tal caderno morre. Há, claro, um dilema moral levemente escondido na trama, que, apesar dos tons sobrenaturais, segue a estrutura do jogo policial de gato e rato. Com uma diferença importantíssima: os personagens principais são inteligentes, talvez até demais. Numa era em que todo protagonista parece ter a capacidade intelectual de uma porta, chega a ser um alívio ler sobre pessoas assim.

E assisti a um único filme, Longe do Paraíso (Far from Heaven), de Todd Haynes. Recriação acurada dos melodramas de Douglas Sirk, traz Julianne Moore e Dennis Quaid quase perfeitos no papel de um casal de classe média nos EUA dos anos 50. Como toda imagem de perfeição, esta será destroçada pelos conflitos que se desenrolam nos bastidores, tema favorito dos melodramas. Assim como no Leopardo, de Lampedusa e Visconti, o auge se dá em um baile. Nele, a personagem de Moore é sufocada pela fotografia, amigos, roupas e paredes, enquanto seu marido revela, com falas e trejeitos, suas tendências homossexuais. A partir daí, tudo dará errado, dolorosamente errado. O final parecerá inconcluso, para alguns, mas me satisfez. Um bom, rigoroso e triste filme.

Até a volta

domingo, 23 dezembro, 2007

Recesso natalino no Universo Tangente.

Boas festas a todos!

Um post confessional: saudades de meu pai

quinta-feira, 20 dezembro, 2007

Quase todo desenvolvedor de software tem o hábito de ouvir música enquanto trabalha. Minhas preferências musicais são uma bagunça impossível de ser categorizada, então num arroubo saudosista, peguei os MP3 da Legião Urbana e coloquei na lista de reprodução do Winamp (sim, sou das antigas) aqui no computador. A lista começou pelo álbum A Tempestade, que, definitivamente, está longe de ser o melhor produto das cabeças de Renato Russo e sua trupe. No entanto e inesperadamente, senti saudades do meu pai.
Ele faleceu há mais de quatro anos, vítima de um infarto extenso. Foi um homem complicado, oscilando entre gestos silenciosos de reconhecimento e atitudes ruidosas e inacreditavelmente cruéis. Também era inteligente e, embora sem qualquer educação formal, capaz de feitos surpreendentes de uma engenharia mecânica que desconheço totalmente. Como filho, gosto de lembrar suas tentantivas destrambelhadas de agradar, especialmente com presentes natalinos e de outras datas. Quase sempre de última hora, escolhia um presente que quase combinava com o presenteado. Assim, ganhei o fraquíssimo LP duplo Burguesia, do Cazuza, um do Iron Maiden que ouvi duas vezes apenas e este A Tempestade, da Legião. Como boa parte dos trintões brazucas, já fui fã das músicas do seu Russo e, se hoje ainda ouço algumas, é pela mais vulgar e simples das razões: porque foram trilha sonora de eventos da minha vida (Na verdade, confesso achar que algumas letras dele conseguiram sobreviver ao teste do tempo, enquanto outras tornaram-se francamente ridículas).
E foi o som das músicas pós-V de A Tempestade, tão familiar e ao mesmo tempo tão perdido no meio das confusas memórias dos últimos anos de vida de meu pai, que me fez sentir esta saudade. O que antes me contrariava (os presentes “quase lá”), naquele tempo, também me enternecia profundamente, porque percebia o quanto eram difíceis, penosas até, demonstrações abertas de carinho para ele.
É a memória dos não tão freqüentes bons momentos que tivemos juntos que estes versos de “Esperando por Mim” me fazem lembrar. De fato, eles não são bons, são apenas pessoalmente dolorosos.

Hoje a tarde foi um dia bom
Saí pra passear com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz.

E me vejo novamente na janela do antigo apartamento de minha família, conversando não sobre coisas da vida, mas sobre o universo, as estrelas e um monte de assuntos que minha mente infantil adorava discutir a sério com meu pai – que me ouvia pacientemente.

E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim

E Regina Casé estava certa

terça-feira, 18 dezembro, 2007

Depois de ler este bizarríssimo relato da invasão do Baianinho a um avião da ponte aérea, sou obrigado a reconhecer: a periferia venceu. Não que haja algo de especialmente novo nisso; é apenas um fato. Tente ouvir o que o seu sobrinho,  moleque ou adolescente, anda ouvindo no MP3: 9 chances em 10 de que seja algum funk de letra bem cabulosa.
É claro que todo grupo social cria sua própria cultura, seus valores, e todo aquele blá, blá, blá de sociólogo. O que quero dizer é que esta afirmação constante da cultura da periferia serve também a uma idéia inacreditavelmente cruel: a de que, por estar legitimada, a pobreza não precisa ser combatida ou vencida. Basta nivelar tudo por baixo, a começar pela cultura. É mais ou menos como o governo brasileiro faz ao divulgar a cultura brasileira (fiquei na dúvida: colocava aspas em “divulgar”, “cultura brasileira” ou ambos?) em eventos internacionais: tome escola de samba, futebol e Ivete Sangalo!
Sempre penso nisso quando vejo algumas favelas aqui de BH, com seus barracões impecavelmente pintados, mas ainda apinhados em morros, sem esgoto tratado, prestes a cair ao sinal de qualquer chuva e, não raro, acuados por criminosos. Não há como negar a cultura que nasce dali, mas tranformá-la em um colchão que absorve as possíveis ambições de melhoria para a vida das populações é muito, muito cômodo. Uma comodidade que parece se adaptar perfeitamente a preguiça nata de governantes e governados “nezte paiz”.
Então, todo mundo cantando junto: PaparaPaparaPaparaPapa…

Mais Estranho que a Ficção / Stranger than Fiction

sábado, 15 dezembro, 2007

Mais Estranho que a Ficção tem lá seus problemas; especialmente, um personagem francamente inútil, interpretado por Queen Latifah, e um final insatisfatório. Vou tentar não falar muito deste segundo defeito aqui, o que é bastante complicado, porque boa parte das qualidades desta produção encontra-se no dilema que conduzirá a trama a sua conclusão.

Porém, o maior mérito do filme é seu tom, certeiro, entre a comédia e o absurdo, com boa dose de melancolia que não se transforma em chateação. Will Ferrel, um bom ator egresso de comédias ruidosas e de gosto duvidoso, constrói Harold Crick com precisão, escondendo sua tristeza essencial nos hábitos inacreditavelmente metódicos; basta observar seus olhos para perceber as toneladas de frustração que carrega, silenciosamente. Há um clichê inescapável: Crick se apaixonará pela padeira anarquista (não, você não leu errado) vivida com graça e fúria por Maggie Gyllenhaall, seu oposto. Seu grande problema é descobrir que sua vida é, na verdade, narrada por uma escritora vivida por Emma Thompson, famosa por matar seus personagens principais. Com algum esforço, Crick entra em contato com um excêntrico professor de literatura vivido com humor calado e grave por Dustin Hoffman e consegue entender mais do que está acontecendo com ele.

Não que o filme nos forneça uma explicação. É preciso aceitar sua premissa absurda para saboreá-lo, com calma e atenção aos detalhes – aliás, é um alívio não receber uma explicação para os bizarríssimos eventos que sofre Crick. Assim, o diretor aposta na inteligência dos seus espectadores, aposta cada vez mais rara em qualquer forma de arte. E, talvez por isso, a busca de Crick pela definição de sua história/narração entre drama ou comédia não dê em nada. É como se o roteiro dissesse: a vida é assim mesmo, acridoce, complicada, repleta de espaços cinzentos.

É num destes espaços cinzentos que a decisão final de Crick se move, revelando uma grandeza do personagem que julgávamos impossível nos primeiros minutos. Ele terá de morrer. Suas últimas ações, delicamente orquestradas ao som triste da música La Petit Fille de La Mer, do grego Vangelis, geram uma expectativa que a resolução não sustenta. Mesmo assim, o saldo é positivo; Mais Estranho que a Ficção é um irmão menor, porém digno, de obras como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças ou Adaptação. ATENÇÃO! Não leia a frase a seguir se ainda não assistiu ao filme! A diferença, crucial, é que Philip Kaufman certamente teria matado Harold Crick.

Cotação: ****

Alguns gostam dos olhos, outros…

sexta-feira, 14 dezembro, 2007

António Lobo Antunes, explicando, com deliciosa ironia, a razão de não ter voltado ao Brasil nos últimos 24 anos: “Sou um homem generoso. Resolvi deixar o Brasil para Saramago, coitado, e ficar com o resto do mundo”. A entrevista completa no Recanto das Letras.

Briqueabraque

quinta-feira, 13 dezembro, 2007

Economia é apenas uma dentre as várias coisas sobre as quais gostaria de saber mais. Sou profissional de TI, como vocês (meus dois leitores e meio) provavelmente já sabem. Mas posso afirmar que tive ótimas aulas de administração, enquanto a economia foi uma disciplina razoavelmente neglicenciada no meu curso superior. Lembro-me bem das primeiras aulas, em que a professora comparava a economia de livre mercado à planificada, dando como única vantagem da última o fato de ser “socialmente mais justa” (certamente, países em que a elite da burocracia estatal detém toda a riqueza da nação são exemplos a ser seguidos, pólos avançadíssimos de desenvolvimento, como Coréia do Norte e Cuba). Neste dia percebi que, se quisesse mesmo aprender alguma economia, teria que me esforçar sozinho. Nem preciso mencionar que, desde então, meus estudos restringiram-se a dezenas de leituras desorganizadas, artigos na internet e livros pela metade. Bom, pelo menos agora, não há mais desculpa.

De qualquer forma, mesmo confessando minha ignorância teórica, não consigo acreditar que alguém leve mesmo a sério estas historinhas que andaram pipocando pelos jornais nas últimas semanas. Brasil, quinta economia do mundo em 2052? Atrás apenas de EUA, China, Índia e Japão?


(…)


Desculpe-me, estava recuperando o fôlego depois da gargalhada. Certamente, há economistas e gurus lucrando em cima da exploração do nome BRIC, cobrando por predições que acabam por incluir o nome do Brasil entre os países que liderarão o capitalismo do mundo plano. Sim, sim, eu sei das esquisitices de Índia e China, mas seria melhor que não seguíssemos os caminhos de nenhum destes dois, pois não? Ditadura e castas são duas coisas que não consigo digerir muito bem.

Na verdade, as coisas parecem bem melhores se vistas do lado de fora, especialmente se, onde lê-se “as coisas”, lemos “as estatísticas”. A exposição pura e simples de números esconde habilnente o quanto estamos atrasados em relação a muitos outros países. Qualquer brasileiro cuja mente não esteja condicionada a identificar o paraíso como uma mistura suada e arfante de pagode, futebol e bunda, sabe que o capitalismo não pegou por estas terras – aliás, não pega bem nem mencionar esta palavra sem fazer cara de nojinho. Logo, sem uma cultura pronta para abraçar alguns valores tipicamente liberais (só para citar alguns: meritocracia, propriedade privada, igualdade perente as leis e o Estado), nossas chances não são muito boas. Em uma ótima reportagem recente, a revista Época Negócios dissecou bem algumas das razões que nos impedem de ser inovadores (o mantra da atualidade), e são todas culturais, ainda mais importantes do que as razões estruturais. A saber: não há um ambiente propício a criação de negócios próprios, o relacionamento entre as pessoas é ditado pela necessidade de ganhos rápidos que protejam-nos do egoísmo dos outros e qualquer um que obtenha sucesso pelo próprio esforço é logo acusado de enriquecimento ilícito.

Até que alguém perceba que as causas que explicam o fracasso de alguns países e o sucesso de outros são majoritariamente culturais, o B vai continuar ali pregado ao RIC. Mas, provavelmente muito antes de 2052, terá sido substituído por um M, C ou Z. De Zâmbia.

Agora, por favor, se você ainda acredita que vai sair algum coelho desta floresta tropical, leia isto aqui.

Onde o autor deste blog declara sua admiração por Hopper

quarta-feira, 12 dezembro, 2007

Nos últimos anos, ver quadros de Edward Hopper em capas de livro tornou-se algo corriqueiro. Lembro-me bem de que a primeira obra de Hopper que vi estava na capa de um livro anunciado na revista do Círculo do Livro (alguém se lembra disso?), e ainda hoje acho que era Miss Corações Soliários, de Nathanael West. O quadro era este que ilustra o post aí em cima.

Posso citar os atributos mais comumente associados a sua obra, claro: a luz que incide sobre tudo, a expressão corporal dos personagens que parecem estar sempre a espera de algo, a solidão. Mas nunca vi suas pessoas como coitados; parece-me haver uma certa altivez em alguns deles, a aceitação adulta de que, se algumas coisas dão certo, a maioria dá simplesmente errado. Porém, nao vejo amargura em Hopper, mas melancolia. E, embora suas paisagens sejam sempre norte-americanas, acho bem ridícula a idéia de ele ter retratado apenas as supostas solidão e alienacão do povo ianque. Seus personagens, congelados em momentos banais, longe de qualquer epifania, poderiam ser de qualquer lugar do mundo. Muitas vezes, eles não parecem a espera de algo que acontecerá, parecem suspirar tristemente por algo que já aconteceu ou esperavam tivesse acontecido.

De qualquer forma, costumo, quando quero dar voz a esta interpretação do cenário norte-americano, compará-lo a um filme de Wenders – com uma diferenca crucial; uma única pintura de Hopper fala mais alto do que toda a filmografia somada do alemão que quis ver a América.

Aqui, os quadros mais famosos e aqui, Hopper na National Gallery of Art.