Briqueabraque

Economia é apenas uma dentre as várias coisas sobre as quais gostaria de saber mais. Sou profissional de TI, como vocês (meus dois leitores e meio) provavelmente já sabem. Mas posso afirmar que tive ótimas aulas de administração, enquanto a economia foi uma disciplina razoavelmente neglicenciada no meu curso superior. Lembro-me bem das primeiras aulas, em que a professora comparava a economia de livre mercado à planificada, dando como única vantagem da última o fato de ser “socialmente mais justa” (certamente, países em que a elite da burocracia estatal detém toda a riqueza da nação são exemplos a ser seguidos, pólos avançadíssimos de desenvolvimento, como Coréia do Norte e Cuba). Neste dia percebi que, se quisesse mesmo aprender alguma economia, teria que me esforçar sozinho. Nem preciso mencionar que, desde então, meus estudos restringiram-se a dezenas de leituras desorganizadas, artigos na internet e livros pela metade. Bom, pelo menos agora, não há mais desculpa.

De qualquer forma, mesmo confessando minha ignorância teórica, não consigo acreditar que alguém leve mesmo a sério estas historinhas que andaram pipocando pelos jornais nas últimas semanas. Brasil, quinta economia do mundo em 2052? Atrás apenas de EUA, China, Índia e Japão?


(…)


Desculpe-me, estava recuperando o fôlego depois da gargalhada. Certamente, há economistas e gurus lucrando em cima da exploração do nome BRIC, cobrando por predições que acabam por incluir o nome do Brasil entre os países que liderarão o capitalismo do mundo plano. Sim, sim, eu sei das esquisitices de Índia e China, mas seria melhor que não seguíssemos os caminhos de nenhum destes dois, pois não? Ditadura e castas são duas coisas que não consigo digerir muito bem.

Na verdade, as coisas parecem bem melhores se vistas do lado de fora, especialmente se, onde lê-se “as coisas”, lemos “as estatísticas”. A exposição pura e simples de números esconde habilnente o quanto estamos atrasados em relação a muitos outros países. Qualquer brasileiro cuja mente não esteja condicionada a identificar o paraíso como uma mistura suada e arfante de pagode, futebol e bunda, sabe que o capitalismo não pegou por estas terras – aliás, não pega bem nem mencionar esta palavra sem fazer cara de nojinho. Logo, sem uma cultura pronta para abraçar alguns valores tipicamente liberais (só para citar alguns: meritocracia, propriedade privada, igualdade perente as leis e o Estado), nossas chances não são muito boas. Em uma ótima reportagem recente, a revista Época Negócios dissecou bem algumas das razões que nos impedem de ser inovadores (o mantra da atualidade), e são todas culturais, ainda mais importantes do que as razões estruturais. A saber: não há um ambiente propício a criação de negócios próprios, o relacionamento entre as pessoas é ditado pela necessidade de ganhos rápidos que protejam-nos do egoísmo dos outros e qualquer um que obtenha sucesso pelo próprio esforço é logo acusado de enriquecimento ilícito.

Até que alguém perceba que as causas que explicam o fracasso de alguns países e o sucesso de outros são majoritariamente culturais, o B vai continuar ali pregado ao RIC. Mas, provavelmente muito antes de 2052, terá sido substituído por um M, C ou Z. De Zâmbia.

Agora, por favor, se você ainda acredita que vai sair algum coelho desta floresta tropical, leia isto aqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: