É por isso que eu amo a Internet

Eu também fui uma criança nos anos 80. A diferença é que eu não crio comunidades no Orkut para discutir a filosofia do desenho animado He-Man nem freqüento fãs-clube da Tia Dulce (essa, só o pessoal de Minas Gerais conhece). Tenho 32 anos e um certo senso do ridículo. Nem preciso dizer que assistia a muita televisão, mais do que deveria. E no meio destas referências infantis, os bizarríssimos filmes do SBT ocupam um lugar especialmente carinhoso entre as melhores e mais ridículas tosqueiras que já vi.

Há um filme em especial, tão absurdo que, por um tempo, pensei havia sido criado pela minha imaginação. Um roteiro sem pé nem cabeça em que Atlântida volta do fundo do oceano na forma de uma maquete vagabunda habitada por figurantes de Mad Max 2, sedentos por sangue e tocando o terror numa cidadezinha litorânea. Muitos tiros, vilões mequetrefes, efeitos especiais de quinta categoria, uma pesquisadora muito bonita acompanhada por mercenários que dariam uma surra em todo o Esquadrão Classe A com um pirulito numa mão e a outra amarrada às costas.

Graças à Internet, o maior repositório de informações inúteis já criado pela humanidade, descubro que o tal filme não apenas existe, como tem uma linhagem conhecida: É Caçadores de Atlântida, do mesmo Ruggero Deodato que fez o famoso e ultraviolento Canibal Holocaust (procure por sua conta e risco). Não sou fã de terror gore; achei O Albergue uma chatice sangrenta e nunca tive a menor curiosidade pela série do Jigsaw, logo, pouco conheço do trabalho deste diretor, embora saiba que a Itália é a terra de um grupo de criadores de terror respeitados no seu gênero.

Moral da história: por mais absurdo, ridículo ou raro que seja um filme ou livro, há ao menos um sujeito que gosta da tal obra de arte. E pior do que isso: provavelmente ele tem acesso à Internet e escreverá sobre isso em seu blog, no Facebook ou no MySpace. Apenas para que outro cidadão o encontre e espalhe a velha novidade. Logo, uma legião de links estará se lembrando de obras que quase desapareceram por méritos próprios.

Ah, só para encerrar com uma contribuição ao parágrafo anterior: Quem é o mestre, Leroy?

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2 Respostas to “É por isso que eu amo a Internet”

  1. léo e só Says:

    oi Marcelo.

    Eu assisti esse filme! vc só esqueceu de dizer que o próprio Mister T era um dos mocinhos.
    Jamais me esqueçerei daquelas armas que nunca precisavam recarregar.

    abs

  2. marcelopes Says:

    Tem razão, Léo! O engraçado é que eu sempre me lembro daquela caveira de acríli… opa, cristal.

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