O Hospedeiro / Gwoemul

O Hospedeiro é um filme de monstro produzido pela Coréia do Sul. Descrita de forma tão simples,  é uma produção capaz de afastar a maioria das pessoas do cinema ou da locadora. Felizmente, O Hospedeiro vai além, enfiando ação, drama, comentário político, comédia e uma algumas cenas bem nojentas na velha fórmula do filme de monstro. É tão absurdo e bem dirigido que se torna irresistível.

A história inspira-se num fato real, ocorrido em 2000, quando um funcionário do necrotério de uma base militar norte-americana na Coréia despejou formol esgoto abaixo e acabou causando (mais uma) celeuma entre os coreanos e os ianques. Em O Hospedeiro, o produto gera um monstrengo feioso, mais parecido com um bagre deformado do que com seu simpático primo Piscadela. E o monstro parte para cima dos habitantes de Seul logo nos primeiros minutos de filme. Tenho que reconhecer que já revi esta seqüência (acabou ou não a trema?) umas dez vezes. Ela é perfeita, aterrorizante, orgânica, o bicho surge ao fundo da cena, avança sobre as pessoas com um realismo impressionante, derruba uns coitados, perde o equilíbrio, engole outros. Admiro quando o cineasta não se deixa seduzir pelos efeitos especiais, integrando-os a cena como apenas mais um elemento. O diretor Joon-ho Bong não grita para a platéia “Olha que CGI bacana nós conseguimos”, ele quer que nos sintamos no meio da confusão, do caos. Toda a seqüência que culmina com a captura da pequena Hyun-Seo é uma verdadeira aula de cinema, tensa, impactante, perfeita

A família que se une (ou quase isso) para tentar resgatar a caçula funciona como um painel das contradições da Coréia do Sul. O patriarca é submisso às ordens das autoridades, mas está sempre disposto a tentar suborná-las. Seu filho, pai de Hyun-Seo, é basicamente um inútil imaturo que não procura qualquer forma de redenção. Sua filha é ginasta olímpica, campeã de arco e flecha. E o terceiro filho é um ex-universitário desempregado que passou mais tempo em passeatas do que nas salas de aula. São todos um tanto apalermados e melancolicamente humanos; quase todos seus planos de encontrar e recuperar a querida menina falharão da forma mais ridícula possível. Ao redor deste núcleo, orbita um estado incompetente e mentiroso habitado por funcionários corruptos, além das tensas relações entre os EUA e a Coréia do Sul.

A quantidade de assuntos abordados não torna O Hospedeiro indigesto; pelo contrário, o enriquece, torna o cenário maior, mais palpável, nos aproxima do drama humano disparado por uma premissa absurda. O filme entrou, merecidamente, em várias listas de melhores de 2006 e vai ganhar uma continuação em 2009, com outra equipe de produção. Será uma bomba, certamente – prefira o original.

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2 Respostas to “O Hospedeiro / Gwoemul”

  1. Edson Junior Says:

    Tu deve conhecer o Old Boy…

  2. marcelopes Says:

    Sim, conheço. É fantástico tb. Mas ainda não vi Lady Vingança, dizem que não é tão bom quanto Old Boy.

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