Guetos da fumaça

Odeio cigarro. Detesto o cheiro de fumaça. Cinzeiros cheios parecem-me sinônimo de desleixo. É incrivelmente irritante beijar uma fumante. E charutos, quando usados para que seu portador pareça inteligente, são absolutamente ridículos. Para completar, não tenho dúvidas quanto a participação do tabaco entre os fatores que contribuíram para o infarto fatal de meu pai.

No entanto, todo este cerco aos fumantes me incomoda mais do que suas baforadas. Não consigo fazer parte desta histeria coletiva que se transforma rapidamente numa forma sofisticada de segregação guiada pelas nossas taras por corpos saudáveis. Há cidades e países prestes a banir o cigarro definitivamente, pela força da lei. Parece-me uma vitória dos burocratas, seus papéis e obsessões por ordem, como o personagem de Stanley Tucci no divertido e subestimado Terminal, de Spielberg. No fundo, a existência de leis e determinações contrárias aos fumantes mostram o fracasso dos indivíduos em negociar os termos da, digamos, convivência social. E acabamos por aceitar as determinações dos estados, que, na prática, são incapazes de notar os indivíduos.

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