Coisas que eu gostaria de ter dito(II)

“Entendo perfeitamente que, por questões de formato, não é justo comparar uma novela brasileira de 200 capítulos com 6 capítulos semanais com uma série dramática americana de 24 capítulos anuais exibidos ao longo de 8 meses. Mas, mesmo nos poucos programas brasileiros em que há uma proporção mais folgada entre prazo e produção, aparece o mesmo problema, problema que parece ser inerente a toda a dramaturgia brasileira de que consigo me lembrar: os personagens nunca são lá muito inteligentes. São, na melhor das hipóteses, pessoas de inteligência mediana o suficiente para não ofender os mais burrinhos […]”O Brasileiro Inverossível, no O Indivíduo.

Há algum tempo ensaio escrever alguma coisa sobre o filme O Novo Mundo, de Terrence Malick, do qual sou fã declarado. Mas, encontrei este texto do Martim Vasques da Cunha e acabei desistindo. Ele falou tudo o que eu queria dizer e muito, muito, muito mais. Cito o último parágrafo:

“[…]Nos cinco minutos finais, Malick faz com que a harmonia interior de Rebecca se revele num fluxo de imagens que leva o espectador para dentro da escolha emocional da personagem, tudo isso ao som da abertura de ‘Das Rheingold’, de Wagner. São esses momentos, em que vemos Rolfe abraçando Rebecca no leito de morte, e que o espírito dela se une com o mundo natural que sempre a espantava, que Terrence Malick prova ser o sucessor de Murnau. Ao aceitar a realidade como ela é, Rebecca também está pronta para a morte. E, nesse ponto, ela também ensina Rolfe não só como a morrer, mas a preservar o sentido da vida para o filho que continua o trabalho de ambos. ‘Meu amor é onde está meu peso’, escreveu Santo Agostinho e poucas pessoas são capazes de compreender a profundidade desta afirmação. O novo mundo nunca foi o país estrangeiro, a terra prometida, o solo de prosperidade e de segurança. O novo mundo se encontra dentro de nós, ao aceitarmos que, sim, o real e o amor são compatíveis, e isso implica no sacríficio do ego, das paixões e das ilusões que somente deixam feridas mal-cicatrizadas. Nem sempre tudo cumpre aquilo que promete, mas, muitas vezes, é possível cumprir tudo aquilo que nos foi prometido.”

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3 Respostas to “Coisas que eu gostaria de ter dito(II)”

  1. daniel sette camara (seu tio) Says:

    Entrei no universo do “individuo” e estou impressionado com o volume de artigos desde 1997 !!! Que trabalho!!! Vou passar este web site para Elba e alguns amigos brasileiros.

    Abracao

    Com muito orgulho

    Daniel

  2. Marcelo Lopes Says:

    Daniel, eu conheço O Indivíduo há alguns anos e é um belo trabalho sim, um ótimo blog que nasceu de um site que, na verdade, veio do jornal que eles editaram na PUC-Rio mais de uma década atrás.
    Se eu entendi bem, o senhor é o tio do Pedro, não? Pois tem toda razão de estar orgulhoso mesmo, recomende o blog dele: http://oindividuo.com

  3. É preciso salvar a solidão (ou Coisas que eu gostaria de ter dito – 8) « Universo Tangente Says:

    […] relacionados: Coisas que eu gostaria de ter dito – 7 , 6, 5, 4, 3, 2, […]

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