Sebos virtuais, livros reais e estantes

Certamente, compartilho este hábito com muitos amantes das leituras: tenho algumas livrarias que visito com freqüência, mesmo que nem toda caminhada termine em novas aquisições. Como trabalho perto da Savassi, em Belo Horizonte, prefiro as Travessa, Ouvidor, Scriptum e, em menor grau, a Leitura. Ainda mais do que as livrarias convencionais, gosto de me aventurar em sebos, e por lá encontro a Buquimar e a Páginas Antigas. Ou encontrava.

Desde janeiro, a Páginas Antigas fechou suas portas reais e abriu seu portal virtual. Numa rápida conversa que tive com seu proprietário dias antes do encerramento das atividades, ele comentou ter vendido um livro na loja física, enquanto vendera, na mesma manhã, três por meio do site Estante Virtual . Não há o que discutir aqui: diante de todo o trabalho que dá manter uma loja aberta, encontrar um bom público consumidor na internet é uma tempestade de maná comercial. Confesso que sinto falta das estantes, sempre impecáveis, da Páginas Antigas. Confesso também que um dos meus passatempos preferidos era (é) ficar à toa nas prateleiras de história, biografias, arte e religião, onde sempre encontro algo interessante e até então desconhecido. Quanto aos romances, eu já sei quais desejo adquirir – ao menos para os próximos vinte ou trinta anos.

De qualquer forma, o Estante Virtual é uma das melhores sacadas da história da internet brasileira, aplicação inovadora das idéias mais interessantes do mundinho dos negócios virtuais surgidas nos últimos tempos: o oceano azul e a cauda longa. Já comprei livros que jamais encontraria em livrarias reais aqui em belzonte, procurei por títulos há muito esgotados e sempre tive a sorte de encontrar pessoas gentis e profissionais do outro lado da tela. Não saberia dizer qual o futuro das livrarias físicas; na verdade, a maioria das previsões apocalítpitas resulta em nada ou muito pouco. Se o destino das livrarias for mesmo desaparecer das ruas, sentirei muita, muita falta das estantes. Por outro lado, a existência de sites como o Estante Virtual me manterá devidamente abastecido e satisfeito.

Esta suposta oposição entre livrarias virtuais e reais é prima da velha discussão sobre a mídia dos livros – discussão que me enche de preguiça, aliás. Não sei ler livros longos na tela de um computador. Sou perfeitamente capaz de consultar documentos, manuais, guias de referência e qualquer material cuja leitura não exija uma concentração contínua, mas não romances ou livros técnicos que apresentam suas idéias gradativamente. Já foi dito que o maior obstáculo que os livros enfrentam não é sua mídia de suporte, mas a quantidade sempre decrescente de leitores. Particularmente, não ligo muito para isso; se os leitores entrarem para a lista de animais em extinção, vestirei com prazer minha fantasia de rinoceronte-branco e irei às reuniões do grupo sem reclamar. Mesmo que isso signifique passar tardes e noites na frente de um Kindle .

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2 Respostas to “Sebos virtuais, livros reais e estantes”

  1. léo e só Says:

    A Estante virtual é um achado!! Acho que não exista leitor que não goste dela. Passar tempo dentro de livraria ou banca de jornal, apenas folheando,é bem bom. Canso ate´. Alguns donos de banca não gostam muito. pena pra eles.hehe

    abs

  2. Marcelo Lopes Says:

    Pois é, Léo, azar para eles, porque eu folheio assim mesmo.

    Abs!

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