Topifaive cenas (ou sequências) bacanas de filmes ruins

1) A Batalha de Gaugamela, em Alexandre, de Oliver Stone

Desde Cleópatra não aparecia um épico tão equivocado. E não é a questão da homossexualidade de Alexandre o Grande que afunda o filme. Tudo parece deslocado, do foco da narrativa ao elenco e escolhas do roteiro. Termina-se de assistir sem entender como diabos aquele bebezão marrento interpretado por Colin Farrel se tornou o maior conquistador (de territórios, não de soldados) do mundo ocidental antigo. A cereja do bolo é a direção de Stone: além de estragar uma sequência de batalha que tinha tudo para ser incrível (é magnífico o momento em que Alexandre, montando Bucéfalo, encara o elefante), pichando-a de vernelho, ainda inventa uma conspiração para matar o chorão. Porém, há a Batalha de Gaugamela, que quase redime o filme. Usando legendas para facilitar a compreensão da movimentação das tropas, Stone conduz o nosso olhar por meio de uma águia que sobrevoa o cenário para depois mergulhar no meio da batalha. É incrível como funciona: dá para entender perfeitamente a estratégia de Alexandre, e neste breve momento, podemos ver o homem que se tornará um mito liderando seus homens com intensidade, fúria e bravura. A música de Vangelis sobe e integra-se perfeitamente a sequência – dá vontade de ver a batalha mais de uma vez. Já o filme completo, nunca mais.

2) A compra da biblioteca de um senhor inválido, em O Último Portal, de Roman Polanski

Johnny Deep vive um tal de Corso, especialista em encontrar e revender livros raros. É contratado por um intelequitual canastrão para encontrar sete pedaços de um livro escrito pelo coisa-ruim em carne, osso e chifre. E o idiota aceita a missão. No final, o tal colecionador invoca o capeta e morre, merecidamente. Enquanto isso, Deep faz sexo louco e selvagem com a esposa de Polanski, Emanuele Béart, tendo um castelo em chamas ao fundo. E fim. A única cena bacana desta coisa é a apresentação do personagem de Deep, logo no início. Ele está comprando toda a biblioteca de um casal. Logo percebemos que eles são filhos de um homem idoso a quem realmente pertence a biblioteca; incapacitado, preso a uma cadeira de rodas, ele assiste a tudo sem conseguir dizer ou fazer nada. Entre a raiva profunda e a tristeza inconsolável, ele sofre de uma forma tão dolorosa que se torna inesquecível. Ao contrário do filme.

3) A aparição das “crianças” queimadas, em Silent Hill, de Christopher Gans

Silent Hill é um jogo para computador. Não há boas adaptações de vídeo-games para cinema. Logo, Silent Hill não pode ser bom. Dirigido pelo mesmo Gans que fez o ótimo e subestimado Pacto dos Lobos, Silent Hill provoca mais angústia do que medo – a cada vez que o apito da fábrica soa, ficamos com medo de ver as criaturas que surgirão. De resto, os personagens são estúpidos, a trama é rasa e a ambientação, bacana. É neste quesito que uma cena se destaca: logo nos primeiros minutos da visita a cidade amaldiçoada, a personagem de Radha Mitchell é cercada por seres que parecem crianças mortas, com os corpos queimados, chorando num tom horrível e deprimente. De gelar a espinha.

4) O naufrágio, em White Squall, de Ridley Scott

Scott é o diretor com a carreira mais irregular do cinema atual, variando de obras-primas como o onipresente Blade Runner a bombas como Um Bom Ano. White Squall (não consegui lembrar o nome desta joça em português de forma alguma) é baseado em fatos reais, tem bom elenco, boa fotografia, uma história interessante. E opta por ser uma cópia piorada de Sociedade dos Poetas Mo rtos, meu Deus. A cena final, no tribunal, é descaradamente chupinhada do filme de Peter Weir; só faltava mesmo algum molequer dizer “captain, my capitain” para coroar o estrago. Mas o naufrágio é magistral. Scott deita e rola afundando o barco numa seqüência tensa, quase insuportável, transformando o que na realidade durou pouco mais de um minuto em um pesadelo claustrofóbico que parece não ter fim.

5) O cavalo fatiado, em A Cela, de Tarsem Singh

A Cela é um filme esquisito, sem pé nem cabeça, mas com um derrière de respeito: Jennifer Lopez é a psicóloga que testa uma máquina que lhe permite entrar no inconsciente das pessoas. Para tanto, ela veste uma roupa especial (cujo desenho é cópia da armadura do Conde Vlad do Drácula de Coppola), se conecta a um computador e consegue interagir dentro da mente do paciente, mais ou menos como Neo faz dentro da Matrix. Aí reside o único atrativo desta produção: a direção de arte, bem interessante. Em determinado momento, perseguindo um menino dentro dele mesmo (entendeu?), Lopez se vê num quarto com um belo cavalo. De repente, lâminas de vidro descem do teto e fatiam o animal, separando-o em pedaços de igual tamanho. A cena é rápida, algo grotesca em sua precisão cirúrgica, que inclui ver o coração do bicho ainda batendo por trás do vidro. Mas não se empolgue: o resto do filme é de doer.

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2 Respostas to “Topifaive cenas (ou sequências) bacanas de filmes ruins”

  1. Alexander Says:

    Ótimo!!!

  2. Marcelo Lopes Says:

    Obrigado, Alex! Servimos bem para servir sempre.
    Abs.

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