Archive for maio \31\UTC 2008

A Metamorfose

sábado, 31 maio, 2008

Todos nós esperamos mudar, de uma forma ou outra; a princípio, não se espera manter as mesmas preferências da infância ou adolescência por toda a vida –não todas, ao menos. Confesso que meus interesses profissionais hoje são bem diferentes dos de cinco anos atrás, e isso tem algo a ver, certamente, com as expectativas que construo baseado na minha própria idade e com as experiências pelas quais passei. Algumas mudanças são bem-vindas; outras são surpreendentes, porque não consigo negá-las. Antes, tinha certeza da vontade de ser pai; atualmente, só tenho dúvidas e alguma preguiça (e sei que muito provavelmente mudarei de opinião dentro de algum tempo). Durante um bom (e juvenil) tempo, fiquei oscilando do lado esquerdo do muro, até perceber finalmente que sempre tive aversão a ditaduras e optei pela democracia liberal. Como disse no post anterior, um dia falarei disto com mais cuidado.

Nenhuma destas alterações, no entanto, me parece mais curiosa do que meu progressivo desinteresse pelo futebol. E só fui me dar conta dele num domingo de alguns meses atrás, enquanto eu lia um livro em pleno clássico Atlético x Cruzeiro. Ouvi gritos e fogos, mas não movi um músculo sequer para ligar a TV ou clicar num site de esportes, simplesmente continuei a leitura. Depois pensei a respeito e fiquei surpreso. Imaginava que aconteceria o contrário: com o tempo, eu iria me interessar um pouco mais por futebol e seria até capaz de participar de algumas discussões sobre o bom e velho esporte bretão. Excetuando-se as Copas do Mundo, nunca fui capaz de acompanhar nenhuma outra competição e, quando me declarava atleticano, era mais uma expressão de herança paterna do que um atestado sincero de membro de uma torcida. Jamais fui realmente torcedor de clube algum. E, como diria o Capitão Nascimento, nunca serei.

Tenho a percepção de que isso não me faz melhor do que ninguém. Não espere encontrar aqui orgulho (palavrinha besta) por não partilhar desta paixão brasileira – e de muitos outros países. Não há, a rigor, grandes diferenças entre a paixão por futebol e a paixão por jogos de computador, selos, biriba ou por filmes com o Sérgio Mallandro. Há, evidentemente, aquela bizarríssima sensação de ser um alienígena, claro. Mas até hoje tenho me saído bem, especialmente com taxistas. São diálogos esotéricos, como o que se segue:

– Olha, vou te falar uma coisa. Eu não sei o que o povo e o técnico vêem naquele Juninho. (ou Silvinho, Tulinho, Zequinha, Huguinho ou Luisinho, é sempre algo assim)
– Ah, é. – respondo.
– O time não sabe armar jogada pela esquerda e me colocam aquele Juninho lá. Tem condição?
– Um absurdo mesmo. E o cara ainda ganha bem. – tento adivinhar.
– Ganha, ganha sim! E ainda veio de São Paulo, o menino. Vê se a gente precisa importar jogador?
– Pois é, se os times daqui investissem nas categorias de base, nas escolas…
– Isso mesmo, companheiro, disse tudo! O problema é que os times estão falindo e vendem os passes de todo moleque bom de serviço que eles encontram pra fazer caixa. Fala sério: Assim tem jeito?
– Não, não tem. – concluo.

Como disse, até hoje tem dado certo. Ou, melhor dizendo, até a publicação deste post muita gente que eu desconheço sequer desconfiava de minha absoluta falta de apetite para o futebol.

Esta semana no Todos os Filmes – 3

quarta-feira, 28 maio, 2008

À Beira da Loucura

Speed Racer

Um Céu Azul Escuro

Só três filmes. Semana fraca, hein?

Coisas que eu gostaria de ter dito – 4

quarta-feira, 28 maio, 2008

Um Indi em 2008 é o mesmo que sentir o cheiro daquela flor que você não sentia desde a infância ou ouvir aquela música que você não ouvia há 20 anos, coisas que fazem aflorar milhões de sentimentos separados por décadas, sensações há muito esquecidas, feridas há muito cicatrizadas. Ver um Indi hoje no cinema tem efeitos muito mais conspícuos que uma sessão de análise, com os méritos de que é mais barato e divertido.
Mis Spigott, falando a respeito de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que ainda não vi.

Sei não, acho que mais importante do que saber do que se gosta, é saber o quanto se suporta fazer o que não se gosta. Ou, encontrar um emprego em que os níveis de expectativa não sejam soterrados pelos níveis de frustração.
Léo, chegando a conclusão de que trabalhar com que se gosta não é hobby.

[…]não vejo como não observar: terá havido alguma época em toda a história na qual é possível viver num mundo de referências culturais absolutamente próprias? […] com o aumento do mercado, da atividade capitalista, da aceleração das trocas, isto é, das compras e vendas, ficou infinitamente mais fácil escapar da “tirania do gosto” da sua própria época. […] As modas sempre existiram e sempre existirão, mas [hoje em dia] você pode escapar delas com facilidade quase absoluta.
Pedro Sette Câmara, demonstrando com clareza que o capitalismo promove a libertação do gosto, graças às inúmeras opções oferecidas pelo mercado.

O gosto amargo da má leitura

terça-feira, 27 maio, 2008

Posso dizer que sou um sujeito de sorte, já que não preciso ler por obrigação profissional. Mais apropriadamente, eu falo aqui de editores, leitores qualificados, gente envolvida com a publicação de literatura de ficção. É bastante óbvio que eu também leio por necessidades profissionais – livros caudalosos cheios de códigos incompreensíveis para a maioria dos seres normais, manuais em inglês e outras pérolas nada pequenas típicas da tecnologia de informação. O que quero dizer é que, desde a faculdade, sou eu e apenas eu que escolho o que desejo ler em matéria de narrativas ficcionais. Mantenho os ouvidos abertos aos amigos e suas opiniões, claro, mas preservo minhas preferências e antipatias bem à vista. Caso contrário, já teria lido Dan Brown e Zíbia Gasparetto.

Antes que alguém pense que isso significa que leio apenas o que me diverte, desminto: leio o que me interessa, e há uma grande diferença aí. Leio o que me dá prazer intelectual e/ou sentimental, ainda que isso signifique forçar os neurônios ou aumentar o ritmo cardíaco. Não me interessa discutir aqui porque muitos de nós, leitores, se empenham em leituras que trazem sofrimento; não tenho resposta para isso, mas me apego ao argumento de que, não agisse assim, acabaria lendo apenas auto-ajuda e evitando até bula de remédio. Talvez seja estranho à mentalidade brasileira uma ação que não visa ao prazerzinho mais vagabundo e imediato, mas a boa leitura é assim: excitante, atenta e, não raramente, exaustiva.

Digo isso porque as últimas leituras que me causaram desgosto foram obrigatórias. Não espere aqui uma ladainha sobre os livros que encarei na escola, porque, dentro um universo de obras mais ou menos, lembro-me de ter admirado genuinamente Dom Casmurro, o São Bernardo de Graciliano Ramos, e os dois romances do padre João Mohana, Maria da Tempestade e O Outro Caminho. Sobre os dois primeiros, continuam sendo obras de referência para mim, enquanto as outras duas perderam-se no meio das memórias hormonais da adolescência. Lembro-me também de não gostar de José de Alencar, não achar muita graça (hoje, graça quase nenhuma) em Jorge Amado, e ler duas vezes o livro que recebi num concurso de poesia juvenil (venci injustamente; havia coisas melhores lá), Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto; obra que, de certa forma, me levaria do nacionalismo infantil ao ceticismo atual. Quando eu era moleque, assistia a Amaral Neto, o Repórter, programinha chapa-branca da ditadura militar que cantava em imagens as maravilhas do Brasil, este gigante. Veja só no que deu. Mas voltemos ao tema do post.

Sempre que penso numa leitura desagradável vem a minha mente Recordações de Amar em Cuba, de Oswaldo França Júnior, autor de Jorge, um Brasileiro. Lembro-me bem de vencer as páginas com esforço, graças a uma narrativa desinteressante envolvendo escritores que foram a ilha do Dr. Castro como jurados de um concurso literário. Se o livro queria louvar as supostas conquistas da revolução cubana, teve em mim o efeito contrário: uma revolução que deu origem a literatura tão incrivelmente chata não poderia ser coisa boa. Um dia ainda falo nisso, mas desde criança tenho asco a regimes e situações totalitárias; Recordações de Amar em Cuba foi o carimbo no meu passaporte para a negação destas bobagens travestidas de progressismo. E ainda na adolescência! Foi uma leitura irritante, mas ao menos serviu para alguma coisa útil.

O outro romance de péssima leitura de que me lembro é uma exceção, já que, infelizmente, foi escolhido por mim mesmo (e hoje me pergunto como): uma ficção científica chamada O Mundo de um só Dia, de Philip José Farmer (isso só pode ser pseudônimo). A idéia nem era tão ruim: num futuro superpovoado, as pessoas são obrigadas a viver em estado de hibernação e só são acordadas em um dia a cada semana, o que resulta em sete mundos diferentes e possíveis. Claro que existe gente que burla o sistema pela aventura de ter sete vidas de uma só vez e é claro que esta idéia absurda, se não for bem desenvolvida pelo escritor, acaba risível. Pois é. Li até o final porque a culpa pela escolha era minha, mas não gostei nem um pouco.

Pensei nisso ao passear hoje pelas livrarias da Savassi, perto de onde trabalho, aqui em Belo Horizonte. É um exercício a que me permito com frequência cada vez menor, infelizmente. Mas gosto dele porque é uma espécie de exteriorização do leitor mal organizado que sou; passeio pelas estantes mais diversas, de história a filosofia, mas sempre parando por mais tempo na literatura. E faço uma lista dos livros que quero ler logo, não apenas comprar para ocupar a estante. A novela de Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado, o novo de António Lobo Antunes, Eu Hei-de Amar uma Pedra, o Sándor Marai que, não sei explicar a razão, quero ler, As Brasas, além de Um Homem Sem Qualidades de Robert Musil, Origem de Thomas Bernhard e muitos outros.

No final do passeio, acabei comprando apenas um livro, o qual apenas comentarei após ler, porque é um tanto incomum – e não é de ficção. Viva minha indisciplinada liberdade literária.

Hoje é o Dia da Toalha!

domingo, 25 maio, 2008

O Dia da Toalha, celebrado todo 25 de maio, é mais ou menos o Bloomsday de Douglas Adams. Adams (eu já escrevi isso umas três vezes neste blog) é o autor da série de livros O Mochileiro das Galáxias, genial mistura de humor, ficção científica e sátira de costumes, instituições, política, etc., além de ter sido colaborador do grupo Monty Python, onde escreveu alguns dos esquetes de Monty Python Flying Circus. Sua criação mais famosa é um fenômeno pop que já foi transposta para um programa de rádio, série de TV e, recentemente, em um filme razoável, embora bem aquém da sua origem.

A toalha, como todo leitor do Guia sabe, é um item indispensável para a vida e sobrevivência de um mochileiro em suas andanças pela galáxia. No dia de hoje, fãs de Douglas Adams andam por aí com uma toalha a tira-colo e costumam se reunir em lugares previamente combinados. Curiosamente, a efeméride, que em países como Inglaterra, acaba reunindo fãs de diversas gerações, aqui no Brasil ainda está restrita aos adolescentes, em sua maioria. Talvez seja algum senso do ridículo que vem com idade – senso que, se Adams tivesse, não teria jamais criado seus livros.

Como eu já andei de toalha aqui em minha casa hoje, minha benevolência me obriga a poupar meus leitores de ver esta cena abjeta; fica apenas o registro, apoio e admiração a Adams e sua obra. De qualquer forma, se você resolver participar e sua foto aparecer no Orkut da sua noiva, já sabe: Não entre em pânico. Afinal de contas, é domingo, nada que uma dose de dinamite pangalática não resolva.

Site oficial do Dia da Toalha (Towel Day), de onde veio o banner aí em cima.

Esta semana no Todos os Filmes – 2

quinta-feira, 22 maio, 2008

Não Amarás

Corpo Fechado

Guardiões da Noite

A Sogra

Drácula de Bram Stoker

A incrível história do Apple brasileiro

quinta-feira, 22 maio, 2008

Senta aí, que titio Marcelo vai contar uma história de um tempo muito, muito distante, mas que fala muito a respeito desta terrinha que habitamos: os anos 80. A história envolve uma lei idiota, um bando de técnicos geniais e a empresa de tecnologia mais admirada atualmente: a Apple. É um textinho razoavelmente nerd o que se segue, mas tive o cuidado de usar poucos termos técnicos e tentar explicar alguns conceitos com metáforas devidamente desastradas. Logo, leia por sua conta e risco.

Antes de começar, é preciso contextualizar algumas coisinhas sobre aqueles anos estranhos. Vigorava a Lei de Reserva de Mercado de Informática, que separava o mercado brasileiro de computação apenas para empresas brasileiras. O que parece bacana na cabecinha oca de nacionalistas bocós é, na verdade, uma armadilha para o desenvolvimento do país. Se você tem o mercado todinho como seu refém por força de lei, para quê pesquisar, criar bons produtos e brigar pelo consumidor? Isso sem mencionar que os centros de pesquisa eram obrigados a usar computadores nacionais, sendo negado a eles o acesso ao que de melhor se fazia mundo afora. Pois bem, a nossa sorte é que este computador que muito provavelmente você está usando para ler este blog, um PC, é, na verdade, tataraneto de um projeto nascido na IBM daquele tempo. A IBM achava que hardware (a parte do computador em que você bate quando trava) era o produto que venderia feito pão quente (Bill Gates já achava que seria o software, aquela parte que você xinga quando trava) e decidiu liberar a especificação do tal IBM PC para que qualquer um pudesse construir o seu computador pessoal. Fazendo uma comparação pouco inspirada com a indústria automobilística, seria algo como a FIAT liberar um manual “Constra seu Mille”, o que levaria a criação de um monte de clones de Mille mundo afora. Por isso, até hoje, tantos computadores de tantas marcas executam os mesmos programas e se conectam às mesmas impressoras, monitores, etc. – porque seguem padrões.

Até aí, tudo bem, todo mundo na legalidade. Mas, e sempre há um mas, os PCs brazucas custavam milhares de dólares a mais do que seus similares estrangeiros. O mercado de computadores domésticos era dominado por máquinas bem mais baratas e menos potentes, incompatíveis com os PCs, como os MSX da Gradiente e Sharp (eu fui um feliz possuidor de um belo Hotbit grafite). Mas, e sempre há mais um mas, muitos destes computadores eram simplesmente cópias pirateadas sem autorização dos seus fabricantes originais. A própria Apple, enquanto produzia microcomputadores assim, de fôlego mais curto, tolerou tanto os nossos quanto os nascidos em outros países clones piratas de sua linha Apple II e IIe.

Tudo mudou quando, em 1984, a Apple lança o Macintosh. Talvez você não saiba disso, mas não havia mouse, tela com ícones nem gráficos bacanas; foi o Mac quem introduziu toda essa história na indústria dos computadores pessoais – embora a Xerox já estava pesquisando estas novas formas de interface ainda nos anos 70. Animada com o novo brinquedo bacana, a empresa brasileira Unitron decidiu que faria o primeiro clone de Macintosh do mundo. Numa decisão ousada, não o piratearia, mas criaria um computador funcionalmente idêntico, obtido por engenharia reversa. Calma, voltemos ao Mille do exemplo anterior. Imagine-se pegando um Mille completinho e, desmontando-o, peça por peça, descobrisse aos poucos como ele funciona. De posse destas informações, você cria um carro que não é uma cópia do original, mas funciona da mesmíssima forma, com todas as características dele. Foi isso que os engenheiros da Unitron fizeram e por isso é chamado de engenharia reversa. Eu, que não fui grande aluno de eletrônica, só consigo imaginar a gigantesca trabalheira que deu testar os microprocessadores até entender seu funcionamento completo a ponto de serem reproduzidos em todos os detalhes.

Em 1985-86, a Unitron já tinha protótipos funcionais do que eles viriam a chamar Unitron Mac512. Na verdade, a idéia inicial da empresa era licenciar legalmente o Apple Macintosh (algo que a empresa do sr. Steve Jobs certamente negaria) e produzi-lo aqui na Banânia, mas a SEI, Secretaria Especial de Informática, negou a idéia. Hoje é absurdo pensar numa empresa tendo de pedir benção ao estado para fazer um produto de informática, mas era a norma de então – e muito brasileiro até hoje acha que isso é correto. A SEI ainda quis obrigar a Unitron a usar hardware obsoleto, porque o que ela desejava só estava disponível via importação, o que era proibido. Resposta da empresa: passou a fabricar ela mesma o equipamento – no caso, o drive de disquete, igualzinho a este que estamos aposentando nos PCs atuais. A Apple ficou sabendo do projeto; sabe-se lá como, mas duas unidades do Unitron Mac512 foram parar lá nos laboratórios da empresa da maçã.

A tolerância da Apple para com os clones havia se esgotado; ainda que o projeto fosse fruto de uma árdua e complexa engenharia reversa, ela estava disposta a manter a sua marca sob controle – política que mantém até hoje. Neste ponto, a história fica um tanto obscura; alguns dizem que o aparelho avaliado pela Apple ainda era um protótipo, o que lhe deu argumentos para alegar violação de direito autoral. Seja como for, a empresa pressionou o governo norte-americano, que, por sua vez, ameaçou impor sanções comerciais ao Brasil se o Apple brazuca continuasse a ser produzido. Foram implementadas mudanças nas leis vigentes que tornaram ainda mais difícil para a Unitron continuar com sua intenção de fazer clones do Mac. O projeto terminava aí.

Antes que algum nacionalista comece a choramigar seu vitimismo terceiro-mundista, é bom deixar claro que a Apple faria o mesmo se a empresa fosse sueca, japonesa ou, sei lá, vietnamita. Ela quer ter controle total sobre seus produtos. Recentemente, uma pequena empresa norte-americana anunciou a venda de clones de Macs; os analistas afirmam que é apenas questão de tempo até os advogados de Mr. Jobs caírem em cima da nova Unitron com a mesma fúria mostrada mais de vinte anos atrás.

Bom, e qual a lição que tiramos deste embróglio tecnológico? Nenhuma, porque eu não escrevo textos para dar lição de moral. Fica apenas a imbecilidade das leis de reserva de mercado, uma bobagem que, volta e meia, algum burocrata de escritório saca de sua gaveta como salvação do sub-capitalismo brazuca. Há ainda que se tirar o chapéu para os técnicos que encararam o desafio de pesquisar uma arquitetura computacional inteira e reproduzi-la – deveriam ter nascido no Japão uns dez anos antes.

Ainda existem algumas unidades do Unitron Mac512 em funcionamento. Aqui, no blog do Chester, pode-se ver ótimas fotos de um deles. Se você tem estômago forte, assiste CSI todo dia e não se importa em ver um deles autopsiado, aqui há fotos interessantes também. O Unitron Mac512 tem seu próprio verbete no site Old Computers e matéria em português na Wikipedia.

Correção: Depois de ler esta notícia, descobri que a Apple licenciou a produção de Macs sim, entre os anos de 1995 e 1997, quando Jobs foi afastado da empresa. E até agora, eles têm sido bonzinhos com a tal Psystar, que passou a fazer clones dos computadores brancos recentemente.

A burguesia fede? Bom-Ar Socialista nela!

sexta-feira, 16 maio, 2008

A internet é assim: li este artigo do Paulo, fui pesquisar por René Girard e caí no blog da Norma Braga. E foi lá que li esta notícia quase inacreditável: o espanhol PSC, Partido Socialista Catalão, lançou um perfume do socialismo. Parece piada, mas é sério. Cito:

Diz a propaganda que o aroma promete inspirar “confiança, igualdade, progresso e eficiência”. Seu criador, Albert Majós, declarou à imprensa que se tratava da representação aromática dos valores do socialismo.[…]Estranhamente, o perfume lembra Bom-Ar. Um dos jornalistas que participaram do lançamento disse que o cheiro era tão forte que ele se sentiu sufocado e saiu tonto do ambiente.

Marx fedia, Guevara tinha cheiro de rim fervido, Mao era um porco. Com este histórico edificante, talvez fosse boa idéia chamar o Pepe Le Gambá para servir de matriz para a fórmula.

Topifaive Títulos absurdos de filmes em português

quinta-feira, 15 maio, 2008

1) O Médico Erótico

Comédia dirigida por Carl Reiner (mais conhecido hoje em dia como Saul do bando de Danny Ocean, na série Onze, Doze, Treze Homens e…) e estrelada por Steve Martin. A dupla ainda faria algumas das melhores comédias dos anos 70/80, como O Panaca/The Jerk, Um Espírito Baixou em Mim/All of Me e Cliente Morto Não Paga/Dead Men Don’t Wear Plaid. Mas nada, nada no mundo justifica este título ridículo em português para The Man with Two Brains(O Homem com Dois Cérebros), que mais parece saído das madrugadas do canal Cinemax. A história é abilolada e simples: médico que inventou o transplante de cérebros se casa com uma belíssima megera (Kathleen Turner) e se apaixona por outra mulher – ou melhor, pelo seu cérebro conservado vivo fora do corpo. Ah, sim, tente pronunciar o nome do médico: Dr. Michael Hfuhruhurr. Não importa como você o faça, ele jamais dirá que você acertou a pronúncia.

2) Parenthood – O Tiro que não saiu pela culatra

Confesso nunca ter tido paciência para assistir a isso. A qualidade das comédias de Steve Martin vem despencando ano após ano, chegando ao ponto mais baixo no dispensável revival de A Pantera Cor-de-Rosa. Eu imagino que este Parenthood seja algo parecido com o fraquíssimo Doze é Demais. Posso até estar enganado, mas de algo vindo do diretor-operário-padrão Ron Howard (seus melhores filmes são Coccon e Apolo 13) não dá para esperar grandes sacadas. Se alguém aí assitiu, consegue me explicar a razão deste “tiro que não saiu pela culatra”?

3) Os sufixos Sessão da Tarde (Do barulho, da pesada, muito louco) e Domingo Maior (Fatal, mortal, brutal)

Os clássicos sufixos feitos para encher lingüiça e paciência, divididos em duas categorias. Na Sessão da Tarde, os filmes-família, insípidos, inodoros e incolores, sempre com um bando de crianças chatas e alguns adultos incrivelmente idiotas. Na categoria Domingo Maior, produções de ação, umas poucas até boas, mas a maioria bem mambembe, estreladas por Michael Dudikoff (American Ninja; preciso dizer mais alguma coisa?) e dirigidas por um tal de Albert Pyun, incluindo umas 453 imitações meia-boca de O Exterminador do Futuro.

4) O Garoto do Futuro

Se houvesse código de defesa do consumidor em 1985, os espertos distribuidores nacionais teriam problemas. Michael J. Fox havia estrelado o inesquecível De Volta Para o Futuro e embarcou nesta furada sem pé nem cabeça, mas com muito pêlo – e sem Tony Ramos. Na verdade, eu não sei qual produção veio primeiro, mas não importa muito: Teen Wolf/O Lobisomem Juvenil é ruim de qualquer forma. O título é auto-explicativo, certo? Ok, então nem preciso entrar em detalhes. Esta tralha era exibida pelo SBT quase todo mês e felizmente jaz esquecida em algum galpão empoeirado da emissora, junto aos filmes dos Dobermans assaltantes e do Alligator (meu Deus, o que eu assistia nos anos 80…).

5) Daunbailó

Este é o campeão absoluto! Pena que, à esta altura do campeonato, todo mundo já sabe de onde veio o título malucão deste ótimo filme aqui no Brasil (e na Itália também, acho), não é? Não? Pensa um pouquinho. Desisitiu? Ok, titio Marcelo te conta o título original, mas fale em voz alta para entender: Down by Law. Transliteração fonética de aluno do CCAA no seu primeiro dia de aula à parte, é provavelmente o melhor filme do igualmente malucão Jim Jarmusch até hoje – a produção é de 1986. Ah, e antes que alguém pergunte, ainda não vi Flores Partidas. Quanto a Down by Law, convenhamos: um filme que consegue fazer do personagem interpretado pelo histriônico Roberto Begnini uma figura interessante e verdadeiramente cativante já merece um prêmio.

Mais um? (ou Esta Semana no Todos os Filmes – 1)

quarta-feira, 14 maio, 2008

Não, eu não aprendo. Mal dou conta aqui do Universo Tangente e acabei criando outro blog. No Todos os Filmes, dedico cada post a um único filme, de forma simples e direta, sem artigos longos nem firulas. Não são críticas embasadas em décadas de contato com a cultura cinematográfica, são apenas opiniões de um palpiteiro que assiste a mais filmes do que deveria. E é uma experiência de criação de textos também; separo entre 20 a 40 minutos para cada post, nunca mais do que isso.

A partir de agora, toda quarta-feira trarei a lista dos filmes comentados lá no Todos os Filmes, com links, para quem tiver interesse. Desde que foi criado, falei de:

O Novo Mundo

Evolução

Memórias de uma Gueixa

Jin-Roh

Sunshine – Alerta Solar

Amazing Grace

Como se vê, bons filmes ao lado de bombas e produções medianas; não tenho critério algum na escolha, não espere uma linha a ser seguida. Em Todos os Filmes cabe qualquer um.