Topifaive Implicâncias pessoais

Chame de preconceito, se quiser. Aliás, este era o título original, preconceitos pessoais, mas como a palavrinha é pesada e tem o péssimo hábito de atrair trolls (não sabe o que é um troll? Descubra aqui), mudei para algo mais ameno e levemente efeminado: implicância. Porque homem que é homem não implica com algo, o algo é que enche o seu saco. Mas as regras de etiqueta aqui não recomendam postar um título como “topifaive coisas que me enchem o saco”, então fica do jeito que está mesmo. Sem mais delongas, vamos em frente.

1) Dan Brown

É sério. Eu tentei ler O Código da Vinci, de verdade, com alguma fé e paciência. Não passei da décima página. Ao contrário do que podem pensar, eu gosto de histórias ridículas que misturam teorias de conspiração a fatos históricos, ação e sacadas absurdas, desde que não se levem a sério, poxa vida! O livro de Brown clama por ser lido como uma versão legítima da história e por isso se estrepa; deixa de ser diversão descompromissada para virar chateação. Nem Arquivo X se levava tão a sério, e, vez por outra, até ria de si mesmo. Falando em seriedade e ironia, vale a pena dar uma olhada neste artigo, O Código Dan Brown, do finado site Sobrecarga.

2) Filmes com cara de TV

Bom, isso não vale apenas para os filmes nacionais, mas pensava exatemente neles enquanto escrevia esta lista. Temos uma longa tradição televisiva se comparada a cinematográfica, e é mais do que normal esperar que a linguagem da TV se reflita em boa parte dos filmes brasileiros lançados no cinema. Isso, na verdade, não diz nada sobre as qualidades das obras, e há exemplos de filmes bons (Se Eu Fosse Você) e ruins (Olga) dirigidos por veteranos da televisão – nos casos citados, Daniel Filho e Jaime Monjardim. Mas eu confesso que não me sinto confortável em ver na telona filmes pensados, fotografados, encenados e escritos como se fossem ser exibidos na telinha. Um exemplo contrário é Luiz Fernando de Carvalho, que trabalha sempre pensando em cinema, mesmo quando está dirigindo uma telenovela.

3) Literatura do Oriente Próximo feita para emocionar ocidentais

Sim, Persépolis é uma ótima exceção a esta regrinha. E não estou me referindo aqui aos relatos jornalísticos, mas às histórias de ficção. E também excluo Orham Pamuk, escritor turco de primeiríssima. Então, do que estou falando, então? De romances best-sellers como O Livreiro de Cabul e O Caçador de Pipas. Não sei se são bons – desconfio que não – , mas tenho certeza de que não me agradariam. Isso se eu não tivesse tanta preguiça em encará-los. Não me parecem histórias sinceras, sempre me passam a incômoda impressão de ser obras apenas à procura da sensibilidade (e dos bolsos) da classe média ocidental. Posso estar enganado, mas lembra-se do título do post? É implicância mesmo.

4) Filmes com Jennifer Lopez

Não vou entrar nos méritos artísticos de Lopez, mais conhecida pelas características físicas, aliás, por uma delas, que só pode ser vista quando ela se vai – entendeu? Mas o fato é que a Srta. Lopez simplesmente não sabe escolher projetos. À exceção de um ou dois filmes bons ou bonzinhos, são quase todas bombas no pior sentido cinematográfico da palavra. As mulheres sempre reclamam quando digo isso, mas Nunca Mais é um dos piores, mais apelativos e previsíveis dramas que já vi. Olhar de Anjo? Soporífero. Maid in Manhattan? Chato. Anaconda? Insira aqui a risada do Dr. Plausível. A Sogra? Leia minha opinião aqui (momento jabá). Gigli? Está na lista dos piores do IMDB e afundou a carreira de todo pobre diabo que se envolveu com ele. O melhor filme com Lopez é Menina dos Olhos/Jersey Girl, escrito e dirigido pelo nerd Jeff Smith, papel que dura uns… dez minutos mais ou menos, já que ela morre bem no início da trama. Nada contra ela, na verdade, mas vai ter mau gosto assim na hora de escolher papéis.

5) O verbo elencar

De onde veio isso? Sério, quem deu à luz a este neologismo horroroso deveria ser obrigado a escrever “Não vou mais criar palavras feias” no quadro-negro da escola do Bart Simpson umas mil vezes. Claro que vai aparecer um espertinho para dizer que o Houaiss aceita esta forma (e aceita mesmo, mas só para assinantes UOL), porém, eu não estou dizendo que o verbo é certo ou não, só queria dizer que ele é feio pra dedéu. Evito ao máximo usá-lo, o que não é fácil, já que virou mania entre os profissionais de TI (meu habitat habitual) já faz algum tempo.

Anúncios

12 Respostas to “Topifaive Implicâncias pessoais”

  1. Vandão Says:

    Marcelo,
    Muito legal o post. No quinto item, o comentário entre parenteses foi ótimo !
    “e aceita mesmo, mas só para assinantes UOL”. Hahaha…

  2. léo e só Says:

    olá Marcelo.

    não dá mesmo pra ler o código da vinci, ou ficar empolgado com o filme. Para um trailer, o personagem principal é muito, como direi: bunda-mole. hehehe

  3. Lady Rasta Says:

    Caí aqui dando uma olhada nas tags, e adorei o post. Concordo em gênero número e grau quanto ao Código Da Vinci. E ninguém fala, mas O Caçador de Pipas no último terço tem aquelas reviravoltas estapafúrdias a la Sidney Sheldon que eu até agora não entendo como ninguém falou disso. E last bu not least, pior que elencar só disponibilizar…

  4. Marcelo Lopes Says:

    Vandão,

    Pois é, até o Houaiss…

    Abs!
    Marcelo.

  5. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    E olha que nem falei do penteado do Tom Hanks, que compete com o Harrison Ford no A Testemunha como o mais esquisito do cinema. Eu até cheguei a ver o filme, que é muito fraco, mas não muito ruim. Mas continuei sem vontade alguma de ler o livro.

    Abs!
    Marcelo.

  6. Marcelo Lopes Says:

    Lady Rasta,

    Fenomenal o seu avatar! E gostei muito do seu blog também, já foi para o Favoritos… E agora que você comparou Caçador de Pipas a Sidney Sheldon, é que a vontade microscópica de encarar estas obras foi para o limbo de vez.

    Abs!
    Marcelo.

  7. Lady Rasta Says:

    Que legal que vc gostou! – do avatar e do blog, hehehe…
    O teu tb foi pros favoritos! O Sidney Sheldon tinha uma vantagem: ele não pretendia ser sério, pungente, “dar uma mensagem de vida”, bla bla bla…
    Flavia

  8. léo e só Says:

    Marcelo, é o famoso cabelo careca cabeludo. Penteado famoso criado pelo rockeiros adolescentes de 50 anos e os hippies adolescentes de 50 anos. :D!

  9. luciola Says:

    oi, tudo bem? olha, fiz um comentário em um post em que você filosofava sobre a importância/missão do brasileiro na terra (emporcalhá-la). 😉

  10. Marcelo Lopes Says:

    Lady Rasta,

    Tem toda razão. Só o fato do Sheldon escrever bobagem e saber muito bem disso, com orgulho e conta bancária polpuda, já lhe confere uns quilômetros de vantagem sobre esses sujeitos que querem dar “mensagem”, “lição”, eca.

    Abs!

    Marcelo.

  11. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    Isso sem falar no penteado de sociólogo, o careca de rabo de cavalo.

    Abs!

    Marcelo.

  12. Marcelo Lopes Says:

    luciola,

    Valeu, comentei lá no post mesmo.

    Abs!

    Marcelo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: