Topifaive Lado B do cinema dos anos 80

Não, não é necessariamente uma lista de filmes B; são os filmes pop menos conhecidos atualmente e que, por uma razão ou outra, estão entre os meus preferidos nos longínquos anos 80. Apresentando muito neon, fotografia azulada, cabelos armados e pancadaria, eis os meus cinco filmes sem noção favoritos e menos lembrados dos anos 80. A exceção do último da lista, que é ruim e divertido, os demais são realmente bons.

1) Ruas de Fogo, 1984, Walter Hill

Walter Hill é o último machão do cinema, título que poderia ser de John Millius também, mas este não filma há um bom tempo. Seus filmes são diretos, sem firulas, secos e bem construídos – um dia ainda vão reconhecer o seu O Último Matador, claustrofóbico conto baseado em Kurosawa. Em 1984, Hill resolveu filmar uma “fábula de rock and roll”, seja lá o que ele achava que isso significa, porque no final das contas, Ruas de Fogo é o filme mais história em quadrinhos da história do cinema.

2) Enigma do Outro Mundo, 1982, John Carpenter

Refilmagem com esteróides de O Monstro do Ártico, de 1951, esta nova versão situa sua trama na Antártida e amplia a sensação de isolamento ao limite do suportável, criando uma atmosfera de suspense exemplar que dura por todo o filme. Também eleva os efeitos especiais ao mesmo limite: o monstrengo, ao contrário do seu primo mais famoso (falo do Alien, para quem não entendeu), não tem forma definida, e irrompe de dentro dos corpos infectados com fúria, espalhando tripas e sujeira para todo lado. Destaque para duas seqüências: a cabeça-decapitada-aranha-com-antenas, tão nojenta que é genial, e o teste do sangue que, acredite se quiser, ainda conseguiu me assustar 25 anos depois.

3) Warriors – Os Selvagens da Noite, 1979, Walter Hill (de novo?)

Sim, eu sei, o filme é de 1979, mas pertence miticamente aos anos 80 – ao menos para mim. Walter Hill narra a longa jornada noite adentro de uma gangue nova-iorquina acusada de assassinar um líder piradinho que desejava unificar os meliantes da cidade – Frank Miller citaria esta cena na HQ O Cavaleiro das Trevas, de 1984? Tentando chegar ao seu território, os membros da gangue enfrentam todo tipo de grupo, de mulheres assassinas a patinadores que parecem discípulos do Alex de Laranja Mecânica. Destaque para a dublagem em português; quem assistiu na TV jamais esquecerá o cidadão que grita com voz aguda e irritante: “Guerreiroossssssssssssss…”.

4) Fuga de Nova York, 1981, John Carpenter (não pergunta “de novo?” outra vez)

Stallone Cobra (a propósito: péssimo filme) não duraria dez minutos num mano-a-mano contra Snake, mercenário casca-grossa contratado para resgatar o presidente norte-americano, um zé ruela cujo avião caiu no meio de uma Nova York do futuro transformada em cadeia e habitada por assassinos, estripadores e estupradores da melhor qualidade. Clichês madmaxianos para todo lado, ação descerebrada, frases de efeito e um tapa-olho estiloso formam a combinação perfeita para o filme que definiu, junto a Duro de Matar, o estilo dos filmes de ação das duas décadas seguintes. Snake seria satirizado 25 anos depois no mórbido e hilário desenho animado Billy & Mandy .

5) O Último Dragão, 1985, Michael Schultz

Este é um clássico da Sessão da Tarde e já foi citado aqui. Ruim até a medula, o filme narra as aventuras de Leroy, um pacato afro-americano admirador de Bruce Lee tentando defender sua namorada e seu bairro de vilões que parecem ter fugido do elenco de figurantes de Super Xuxa Contra o Baixo Astral. Pouca gente sabe, mas o filme deveria servir de vitrine para artistas da Motown – não é por menos que a trilha sonora inclui Upset Stomach , de Stevie Wonder. A frase “Quem é o mestre, Leroy?” é a referência definitiva para tudo que houve de ridículo e paradoxalmente bacana nos últimos 30 anos.

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2 Respostas to “Topifaive Lado B do cinema dos anos 80”

  1. léo e só Says:

    olá Marcelo.

    só clássicos imbatíveis. Só não assisti ao numero 3. è o filme do Leroy, o homem que pega uma bala com a boca! o mestre.

    Me lembro até hoje da dublagem, um capítulo delicioso a parte.

    abs

  2. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    A dublagem é fenomenal mesmo! Engraçado isso, como algumas dublages acabaram se incorporando aos filmes (Indiana Jones, por exemplo) e hoje eu evisto assistir a filmes dublados…

    Abs!
    Marcelo.

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