Os Melhores Filmes de Cada Ano Que Vivi – Parte 1

Como eu sou preguiçoso, vi esta idéia no Discreto Blog da Burguesia e copiei, sem dó: Listar os melhores filmes de cada ano em que vivi, com um pequeno comentário a respeito. Quando isto se transformar em meme, certamente teremos blogueiros velhos de guerra começando suas listas em 1986, 87, quando o certo seria recuarem um pouquinho mais no tempo.

Enfim, como eu não sofro destes pudores, os meus quatro leitores descobrirão que tenho (quase) 33 anos ao lerem que a minha lista começa em:

1975 – Um Estranho no Ninho

Milos Forman se une a Jack Nicholson e faz um filme perturbador, belíssimo e duro. Jamais consegui esquecer aquele final. E sempre me lembrarei da frase “meu pai era do tamanho de uma montanha”.

1976 – Taxi Driver

Foi o ano de Star Wars, mas escolho o banho de sangue de Martin Scorcese por duas razões. A mais óbvia, é que o debut da dobradinha do diretor com Robert DeNiro é mesmo superior; além disso, O Império Contra-Ataca continua sendo o melhor filme de Lucas e cia. Scorcese mergulha na loucura urbana e nos leva junto; é um passeio ao inferno, com a garantia de retorno – mas não sem algumas escoriações. DeNiro está perfeito; se eu fosse adulto e o encontrasse andando pela rua em 1976, trocaria de calçada.

1977 – Contatos Imediatos do Terceiro Grau

Spielberg acreditava (ou acredita, sei lá) mesmo em extra-terrestres e na possibilidade de comunicação com eles. Seja como for, sua paixão pelo tema contamina o filme de tal modo que embarcamos felizes em sua fantasia absurda, um tanto imatura e poética.

1978 – Cinzas no Paraíso

Segundo filme de Terrence Mallick, acabei descobrindo-o pouco tempo atrás. É triste, muito triste e belo, como quase todos os roteiros de Mallick.

1979 – The Castle of Cagliostro

Hein? Hein? Cadê Apocalypse Now? Pois é. Eu sou fã do coração das trevas de Coppola, mas resolvi eleger The Castle of Cagliostro, nome em inglês para o desenho animado japonês do mestre Hayao Miyazaki que adapta as aventuras do ladrão Lupin III (não confundir com Arsene Lupin) para o cinema. Há um delicioso clima anos 70 no desenho, uma leveza fanfarrã irresistível num roteiro rocambolesco de traições e lealdades frágeis. Lupin III seria inspiração para o Spike Spiegel, do fenomenal Cowboy Bebop.

1980 – O Império Contra-Ataca

George Lucas dirigiu poucos filmes, apesar de sua fama. O Império Contra-Ataca coube a Irvin Kershner (O Homem Chamado Cavalo), mas, incrivelmente, seus maiores méritos se encontram no roteiro. Segundo ato de uma ópera de ficção científica, tudo dá errado aqui: Han Solo brinca de estátua e Luke descobre ser filho do Homem Deformado da Capa Preta. Nem consigo imaginar o que as platéias daquele ano sentiram ao ver isso. A batalha na lua gelada de Hoth é, até hoje, uma das melhores sequências de batalha do cinema – eu falo sério.

1981 – Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida

Lucas e Spielberg se unem e nos oferecem a aventura perfeita. Harrison Ford dá vida ao arquétipo do aventureiro-galã-cientista das sessões matinê de décadas passadas. É talvez o auge de um tipo de cinema-pipoca legítimo, bacana e sem pudor algum que teria na dupla (e nas trilhas sonoras de John Williams) sua maior expressão. Inesquecível.

1982 – Blade Runner

Sim, eu sei, é ano de Fitzcarralado, de Herzog, e Fanny e Alexander, de Bergman (que ainda não vi; preciso corrigir isso). O problema é que Blade Runner e sua atmosfera deprimente de futuro seriam influentes demais nas próximas décadas para ser desprezado. Visto hoje, o roteiro é evidentemente problemático, mas a fotografia, os efeitos visuais embasbacantes de Roger Kimball e, claro, Rutger Hauer, garantem seu lugar entre meus favoritos.

1983 – Monty Python e o Sentido da Vida

Ano fraco, apesar de Jogos de Guerra – por culpa dele, hoje sou profissional de TI. Mas fico com o último filme do grupo Monty Python, O Sentido da Vida. Irregular, não chega a provocar as convulsões intestinais de tanto rir que Em Busca do Cálice Sagrado (provavelmente o filme mais engraçado da história) me proporcionou, mas ainda é muito bom.

1984 – Amadeus

Milos Forman de novo: Amadeus é um clássico, mais lembrado pelas estravagâncias de Mozart e pelo Salieri de F. Murray Abraham – preciso, quase doentio, perplexo, magnífico. Como o próprio filme.

A parte dois cobrirá os anos de 1985 a 1994 e a três de 1994 a 2007. Como brincar sozinho não tem graça, vou convidar o léo para entrar nessa também.

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9 Respostas to “Os Melhores Filmes de Cada Ano Que Vivi – Parte 1”

  1. ana luiza Says:

    Falta muita coisa nessa listagem. Mas será que alguém viu um filme, cuja direção ignoro e que se chama VENUS, com Peter O´Toole ?
    Um dos melhores que já vi. Mas há muitos outros.
    AL

  2. Marcelo Lopes Says:

    Ana,

    A listagem reflete a má educação cinematográfica que tenho, digamos assim. Confesso que, dos filmes produzidos entre 1977 e 1985, concentrei-me na geração de diretores norte-americanos que ditaria as normas da indústria. Antes disso, muito Huston, Ford, Hitchcock, Bergman e os italianos e franceses. Depois disso, novamente os franceses e italianos, além dos argentinos, espanhóis, russos e de novo alguns norte-americanos que merecem destaque.
    Eu vi “Vênus” também, mas ele é de 2006, com o Peter O’Toole, por isso nem apareceu ainda. 😉

    Abs!
    Marcelo.

  3. léo e só Says:

    olá Marcelo

    Eu cá aceito, mas vou demorar um pouquinho.

    abs

  4. marie tourvel Says:

    Nossa, que delícia de lista, Marcelo. Olha, quando eu tiver um tempinho, posso fazer isso lá no Letras? E olha que assisti a certos filmes no ano de sua primeira exibição. Mas não espalhe… 😉 Um grande beijo, querido.

  5. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    Obrigado por aceitar e fique a vontade. Acho que vale a pena espalhar a idéia, apesar de ela ter nascido em outro blog – aí seria correto creditá-los, claro.
    E espero pela sua lista.

    Abs!
    Marcelo.

  6. Marcelo Lopes Says:

    Marie,

    Claro que pode! E pode deixar, esse segredo eu guardo com cuidado, ok?

    Abs!
    Marcelo.

  7. Lady Rasta Says:

    Eu já ia confundir com o Arsène Lupin (sou fanzaça dele aliás), mas vc sabia que tem 2 livros da série do Maurice Leblanc que falam da Condessa de Cagliostro (813, a Condessa de Cagliostro e eu acho que tem mais um…)

    bjs

    Flavia

  8. Marcelo Lopes Says:

    Lady Rasta,

    Bom te ver aqui de novo! Bom, eu confesso que não sabia disso, obrigado! E confesso também ter lido apenas o Ladrão de Casaca, anos atrás, numa edição nacional.

    Abs!
    Marcelo.

  9. Os Filmes Bacanas de Cada Ano que Vivi: 2007 « Ken Russell is Dead Says:

    […] coisas bacanas, farei também… que além da lista do Dança Fragmentada, rolaram a listas do Universo Tangente; Discreto blog da Burguesia; Vida ordinária. Veja bem, tais citações não serão os melhores […]

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