Aqui, toda a verdade sobre as Teorias de Conspiração!

Não nego: teorias de conspiração são divertidíssimas. Assisti a Arquivo X com aquela fúria encantada e um tanto ridícula dos fãs, embora as últimas temporadas tenham me desanimado a ponto de, até hoje, eu não saber exatamente no que deu aquilo tudo. Daí a acreditar que o governo norte-americano realmente tem extraterrestres em seu poder vai um caminho, não, um abismo bem longo. Teorias de conspiração costumam não sobreviver a um bom exercício de imaginação (nem precisa ser de raciocínio lógico): alguém consegue imaginar um personagem como o Canceroso de Arquivo X na vida real, um sujeito tão poderoso e influente que decide tanto o futuro da aliança terrestre-alienígena quanto o resultado do Super Bowl?

Pensava nisso enquanto lia alguns comentários sobre a equivocadamente batizada “lei seca” (não há a proibição de bebidas que justificaria este título; há, sim, uma restrição severíssima a seu consumo) que atribuíam sua costura às forças conservadoras da sociedade. Bom, não farei comentários específicos sobre a lei por duas razões simples: não tenho carro e quase não bebo. Tenho algumas opiniões a seu respeito sim, mas elas só serviriam para que algum engraçadinho venha esfregar nas minhas fuças os dois defeitos citados. O que me interessa aqui é propor um exercício de imaginação semelhante ao da existência do Canceroso: pensem numa mesa. Ao seu redor estão sentados representantes da Igreja Católica, da TFP, da Opus Dei, das emissoras de TV e dos escoteiros. Todos eles concordam que o povo brasileiro bebe demais, é preciso colocar um freio em sua tendência exagerada à socialização. Logo, concluem os membros do convescote, uma lei elitista é necessária – afinal, quem tem dinheiro para pagar táxi de depois da bebedeira todo dia a não ser azelite, como diria o nosso presidente? Pfui, suspiraria o Francis.

Pois foi exatamente esta brincadeira que Matt Groening fez em Os Simpsons, no episódio em que o âncora da TV local, Kent Brock, fala um palavrão ao vivo. Demitido da emissora, une-se a Lisa, sempre pronta a aderir a uma causa política, e torna-se um sucesso nas rádios e internet. Uma reunião do Partido Republicano é convocada e a ela comparecem, num castelo tenebroso, Krusty, um texano podre de rico, o Conde Drácula, diretores de TV e outros clichês atribuídos ao conservadorismo (não posso deixar de comentar que trata-se também de uma piada com a própria emissora que produz Os Simpsons, a Fox). Obviamente seduzido por uma proposta salarial mais alta, Brock volta a apresentar o telejornal e abandona as denúncias que fazia no YouTube. Porém, satirizar teorias de conspiração pode não ser uma boa idéia. A revista New Yorker fez a besteira de estampar sua capa com uma ilustração do candidato democrata a presidência dos EUA, Barack Obama, retratado como um terrorista islâmico. A idéia era ridicularizar as insinuações a respeito de suas origens, mas agora a publicação sofre com a reação de seus leitores, que consideraram a provocação de mau gosto. Em um caso parecido, o desenhista Robert Crumb teve sérios problemas ao fazer uma história em que os negros invadiam e tomavam os estados sulistas, porque sua sátira violentíssima foi adotada por grupos declaradamente racistas.

Por existir tanta gente que leva a sério demais coisas que deveriam surtir apenas um sorriso de condescendência, as teorias de conspiração ainda tem longo e próspero caminho pela frente. Até porque, dada a quantidade de teorias existentes, é matematicamente garantido que algumas delas se mostrem verdadeiras. Para a decepção de muitos, dificilmente serão as mais delirantes e curiosas – ETs cabeçudos na Casa Branca estão fora de cogitação. De qualquer forma, para os que querem acreditar apesar de não confiarem em ninguém, nesta sexta-feira estréia o filme Arquivo X 2. O pior é que muito provavelmente perderei duas horas de minha vida com ele.

Observação 1: Curiosamente, uma idéia que já me ocorreu é a história de um sujeito comum, um pouco mais inteligente do que a média e que dedica as horas vagas a caça e investigação solitária de fatos e eventos insólitos. No fundo, ele sabe que provavelmente não encontrará nada de muito interessante, mas esta leve obsessão (?) torna sua vida mais confortável e lhe oferece um sentido, ainda que frágil. Então, algo realmente digno de nota acontece – ou ele acredita ter presenciado algo notável. O que ele fará e qual o impacto desta descoberta em sua vida? Talvez eu desenolva esta idéia um dia.

Observação 2: Um fã de Mulder e Scully compilou a linha do tempo da tal conspiração alienígena do seriado e produziu um documento extenso, obcecado e impossível de ser lido até o final.

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