Os Melhores Filmes de Cada Ano Que Vivi – Parte 3 (final)

O final da lista, cobrindo os anos de 1995 a 2007.

1995: Os Suspeitos

Ou Seven. Fiquei com Usual Suspects porque àquela época eu caí feio na armadilha de Kevin “Verbal” Spacey. A cara de idiota do delegado interpretado por Chazz Palminteri, após descobrir ter sido enganado com detalhes engenhosamente construídos por um antagonista muito acima da média era a minha também. Desde então, Keizer Söize entrou para a cultura pop.

1996: Fargo

Mais um dos irmãos Coen. O seu universo de personagens apalermados e cruéis talvez nunca esteve tão bem como em Fargo, interpretados por alguns de meus atores favoritos: William H. Macy, Frances MacDormand e Steve Buscemi. Prova de que nem todo bandido precisa ser esperto para render um bom filme, mas se suas ações vierem acompanhadas por um roteiro inteligente e fartas doses de humor negro, tanto melhor.

1997: A Outra Face

Hollywood importou o chinês John Woo numa tentativa de dar novo fôlego ao cinema de ação com sua estilização quase musical. Seus dois primeiros filmes ianques não são ruins, mas ele só exibiria seu talento mesmo com este A Outra Face. Dirigido como uma ópera, sempre no limite exato entre o impressionante e o ridículo, John Woo faz de policiais e assassinos estilosos personagens de uma coreografia certeira, meticulosa e irresistível. Nicholas Cage e John Travolta, é duro admitir, estão ótimos.

1998: O Resgate do Soldado Ryan

Há quem diga que o impressionante filme de guerra de Spielberg esgota-se em seus primeiros minutos, a já famosíssima seqüência de desembarque em Omaha Beach. Enganam-se; o filme apenas muda de tom, mas permanece intenso durante toda a projeção. Seu “miolo” é desconcertante, repleto de episódios que aparentam desconexos e que não aderentes à trama, exatamente como a missão parece aos soldados obrigados a cumpri-la. Já o desfecho é marcado por tragédia e desesperança – sabemos que o Capitão John Miller não sobreviverá, mas isso não nos impede de sofrer pelo seu destino.

1999: Sunshine – O Despertar de um Século

István Szabó cria uma crônica épica do século XX por meio da saga de uma família judia, os Sonnenschein, da derrocada do império austro-húngaro a queda do comunismo, passando pelo nazi-facismo. As três gerações são interpretadas pelo mesmo Ralph Fiennes, que consegue imprimir diferentes qualidades aos seus personagens – todos em conflito, de uma forma ou contra, com o estado. Nunca a idéia da Europa do século XX como o “continente sombrio” ganharia uma representação tão bela, trágica e humana no cinema.

2000: Corpo Fechado

Bruce Willis é um super-herói. Isso seria o suficiente para afastar qualquer um das telas, mas M. Night Shyamalan demonstra ter talento de sobra para transformar esta premissa em cinema de primeira grandeza. Comentei no Todos os Filmes .

2001: Donnie Darko

Óbvio, não? Adolescência. Joy Division. Um guru da auto-ajuda pedófilo. INXS. Viagens no tempo. Um medonho coelho gigante. Deus, o Universo (tangente) e tudo o mais. Já falei bastante de Donnie Darko também.

2002: Arca Russa

Ano de Gangues de Nova York, mas escolho esta viagem estilística do russo Aleksandr Sokurov pelo museu Hermitage de São Petesburgo: a história da Rússia numa única e quase inacreditável tomada que levou 2 anos para ser ensaiada. Além do virtuosismo técnico, é um filme emocionante, grandioso e reverente, que termina com o último baile do grande salão, às portas da Primeira Guerra Mundial e da tragédia que se abaterá sobre o povo russo.

2003: Kill Bill

Tarantino se livra do cinismo de suas obras anteriores e abraça a cultura pop daquele seu jeito destrambelhado, apaixonado e meticuloso. É tudo tão caricato e absurdo que o sangue que jorra das cabeças decepadas não causa repulsa; é como assistir a uma peça infantil e doentia para adultos: o cenário é inapelavelmente falso e quase ridículo, mas hipnótico. É o filme mais nerd e divertido do clone do Samuel Rosa, mas apenas para quem não se importa em ver toneladas de gosma vermelha na tela.

2004: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Por meio de uma premissa absurda de ficção científica que parece saída de O Vingador do Futuro, o roteirista Charlie Kaufmann cria um filme ao mesmo tempo delicado e desesperado – como o sentimento que deseja retratar. O sofrimento do personagem de Jim Carrey, passeando em suas próprias memórias, sonhos, fantasias e desejos, lutando para manter as lembranças da amada que se apagam é tocante e inesquecível.

2005: O Novo Mundo

Olha, francamente, já puxei demais o saco deste filme. Leia mais aqui e aqui. E ponto.

2006: Vênus

Posso até estar fazendo uma avaliação precipitada, mas Peter O’Toole está melhor hoje do que no auge de sua popularidade. E Vênus é seu testamento. Poucos filmes têm a pretensão de falar de mortalidade, arte, amizade e sexo e ainda conseguir um resultado brilhante, emocionante e inteligente. É incrível que Vênus seja obra do mesmo diretor do correto Nothing Hill, Roger Michel, que mais tarde adaptaria Enduring Love, obra do inglês Ian McEwan, autor do meu próximo favorito…

2007: Desejo e Reparação

… , romance considerado infilmável por ter a própria literatura como razão de existência. Os fãs do livro chiaram por causa de algumas (drásticas) modificações, mas há que se reconhecer que elas funcionam maravilhosamente bem. O diretor Joe Wright já havia feito outra adaptação primorosa para Orgulho e Preconceito e extrai ótimas interpretações de seus atores, com destaque para o desfecho com Vanessa Redgrave que, com pouco tempo de cena, resume toda a trajetória de seu personagem. Também já comentado.

Leia também:

Os Melhores Filmes de Cada Ano Que Vivi – Parte 2
Os Melhores Filmes de Cada Ano Que Vivi – Parte 1

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4 Respostas to “Os Melhores Filmes de Cada Ano Que Vivi – Parte 3 (final)”

  1. léo e só Says:

    ufa!!1 saiu

  2. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    O importante é que saiu!!! (em parte porque eu ficava toda hora na dúvida sobre qual filme escolher…)

    Abs!
    Marcelo.

  3. léo e só Says:

    é terrível essa dúvida.hehehe

    lá no dança foi tudinho agora 😀 !

  4. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    Estou indo lá!

    Abs!
    Marcelo.

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