Olha, mãe: Eu sou nerd!

 

 

Se nenhuma figura está aparecendo, clique aqui; vê-la é imprescindível para entender o texto que vai abaixo – ou não.

Eu ri da figura acima; bom, rir talvez seja exagero, eu levantei os cantos dos lábios num sorrisinho safado de aprovação pela brincadeira. Se não entendeu, fique feliz: você não é um nerd. Digamos que a piadinha seja composta por duas partes distintas: muito embora a compreensão de uma delas o candidate ao cargo de CDF do mês, entender as duas o teletransporta diretamente para o elenco de The Big Bang Theory. É o meu caso. Ainda por cima, vou tentar explicar a coisa toda com minha fantástica cultura científica formada por anos de Discovery Channel e National Geographics.

Primeiro, o tal gato do Schrödinger. Resumindo bastante, o mundo para os físicos era organizado, bonitinho e bacana até que uns cientistas propuseram algumas hipóteses bem bizarras sobre o funcionamento íntimo da matéria (atom porn?) no início do século XX. A bagunça atende pelo nome de física quântica e, dentre outras esquisitices, diz que é impossível determinar exatamente mais de uma propriedade de uma partícula. Ou seja, se medimos com exatidão sua posição não saberemos sua velocidade a não ser por observação indireta. Disso veio a idéia da dualidade onda-partícula, ou seja, a matéria pore se comportar como onda ou como partícula e o exemplo clássico disso é a luz, que é formada por ondas, mas ao mesmo tempo por partículas, os fótons. Schrödinger não tinha um gato (eu acho que não, na verdade eu espero que não), mas inventou um aparelho fictício para demonstrar os princípios da física quântica que faria o Sílvio Santos dizer “bem bolado, muito bem bolado”. Schrödinger imaginou uma caixa fechada e dentro dela um bichano, um martelo e uma vasilha fetambém fechada com cianureto. Imaginou também que se a caixa estiver num estado A, então o bichano está vivo e bem, lambendo as patas e miando. No estado B, o martelo arrebentou o frasco de cianureto e coitado do gato está mortinho. Mas, se é impossível determinar exatamente em qual estado se encontra a caixa toda, então o gato é um morto-vivo, um zumbi dos filmes de George Romero – e isso é chamado de superposição de estados. Daí que a palavra “dead” (morto) na figura pisca, possibilitanto duas leituras da frase.

Arrá, e a segunda parte da nerdice? Veja como a frase está escrita. Existem duas palavras que parecem um alfabeto alienígena: <BLINK> e </BLINK>. Esta combinação de palavras, chamadas de tags, é que diz que o texto colocado entre elas piscará. Esta sintaxe exótica pertece a uma linguagem de marcação chamada HTML – todo este blog e quase toda a web é escrita nesta linguagem. Por trás deste texto bem formatado que você lê, escondem-se centenas destas tags, que dizem se o texto está em itálico, negrito, se há uma figura no meio dele, etc. Mais ou menos a mesma coisa que você faz no Word ou no Google Docs quando marca um pedaço do texto para ficar em negrito. Claro que poucos são os seres humanos que sabem desta linguagem, e menos ainda os que a usam em seu trabalho e dia-a-dia. E são ainda menos numerosos os que têm certeza de que a tag blink, que permite a um texto piscar desavergonhadamente, é talvez a mais horrível idéia que alguém já teve para usar na internet. Segundo a Wikipedia, Lou Montulli, o sujeito que inventou esta aberração tecnológica, teria dito em repetidas entrevistas que a tag blink é “A pior coisa que eu [ele, claro] já fiz para a internet”.

O autor da figura uniu estes dois fatos (o gato morto-vivo de Schrödinger e o texto que pisca) para criar uma infame piada de óculos de aro grosso. Se você a entendeu integralmente, sinto informar, mas seu grau de nerdice é bem preocupante. Se entendeu apenas uma de suas partes, ainda tem salvação. Mas, se tudo o que foi dito aqui lhe pareceu escrito em mandarim por um sábio babilônico bêbado, então siga em frente, seja feliz e tente esquecer a minha tosca tentativa de explicar a piada. Afinal de contas, todos sabemos que uma anedota explicada perde toda a graça.

2 Respostas to “Olha, mãe: Eu sou nerd!”

  1. léo e só Says:

    olá Marcelo

    Deixa te perguntar? no caso desse teoria do gato, podemos supor que os dois estados se anulam dentro da caixa? Pois, pelo que entendi, eles não se alternam, mas coexistem?

    abs

  2. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    Não força os meus neurônios, coitados, eles foram alimentados com Discovery Channel e SuperInteressante, não com um mestrado no MIT, rapaz!
    Bom, pelo que eu entendo, a coisa é um pouco mais estranha: ambos os estados têm a mesma possibilidade de ocorrer num determinado tempo. Por isso, se diz que o estado do pobre bichano é indeterminado.

    Abs!
    Marcelo.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: