Archive for setembro \30\UTC 2008

O destino de Machado de Assis

terça-feira, 30 setembro, 2008

O destino de todo escritor é, na melhor das hipóteses, se transformar em clichê. A exceção dos que jamais serão lembrados e dos que o serão apenas por alguns poucos especialistas, estão fadados ao mesmo destino de Machado de Assis. Ontem, dia 29, como a Rede Globo e a Folha de São de Paulo não deixaram o Brasil esquecer, foi comemorado o centenário da morte de Machado de Assis, com toda a pompa que os chavões mais gastos a seu respeito merecem – ao menos, tão universais quanto sua obra.

No fundo, toda essa festa é incapaz de esconder o óbvio: para o brasileiro médio, Machado de Assis é um autor que ele foi obrigado a ler na escola. O mesmo vale para José de Alencar, Érico Veríssimo (ainda se mandam os meninos ler Um Certo Capitão Rodrigo?) e até Manuel Bandeira, por exemplo. Corrijo o que disse – parece-me que a celebração dos cem anos do falecimento de Machado reflete esta idéia ou, dito de outra forma, parece-me que os organizadores destes eventos (com exceções que desconheço) são meninos e meninas que cresceram com a idéia de que se trata de “autor de livro de colégio”. E as homenagens parecem-se com aqueles trabalhos escolares nota dez, feitos pelo nerd da turma, impecável, admirável e sem uma gota sequer de emoção.

Por isso mesmo, a obsessão didática de trazer Machado de Assis para o tempo atual, por melhor que seja a intenção, ou melhor, a ilusão de que isso faria algum sentido, é inútil. Geralmente, estas tentativas de trazer obras para o tempo presente são apenas sintomas do nosso cronocentrismo – preconceito que defende que vivemos na melhor das épocas possíveis. Ignoramos, assim, o cárater universal e atemporal das grandes obras e acabamos por compará-las a exemplos contemporâneos francamente inferiores. Não há forma melhor de descrever isso do que a transposição da idéia central do ótimo conto Teoria do Medalhão para o mundinho das celebridades inúteis do século XXI. É o que acontece em um dos contos do livro Um Homem Célebre – Machado Recriado. Não o li, logo não posso falar nada a respeito da qualidade da coletânea, mas a idéia de um diálogo entre Machado de Assis e a celebridade-inútil-modelo Paris Hilton simplesmente não funciona para mim. Não, de jeito algum. Nunca. Pfui.

Estarei ficando casmurro?

Desabafo

terça-feira, 30 setembro, 2008

Inspirado pelo título deste post do Pedro, quero apenas dizer que estou com muita, muita saudade de escrever ficção.

Quanto ao desabafo dele, acrescento: se o diabo criou estes medonhos sites com som, foram seus  ajudantes que o convenceram a não colocar um mísero botão para que pudéssemos desligar a ladainha musical.

Ficção científica brasileira? Na web? De graça?

terça-feira, 30 setembro, 2008

Sim, existe literatura de ficção científica produzida no Brasil – eu já li, mas hoje estou afastado do fandom. Na verdade, o mais perto de FC literária que cheguei nos últimos anos foi folhear rapidamente o romance The Road, de Cormac McCarthy, que afirmam ser verdadeiramente perturbador. Foi uma surpresa descobrir que a dupla Gian Danton (textos) e Jean Okada (arte) está publicando uma história em quadrinhos do gênero em forma de tirinhas e de graça, na internet.

Intitulada Exploradores do Desconhecido, é uma homenagem a temas e situações clássicas da FC: uma equipe multicultural de pesquisadores a bordo de uma nave prestes a realizar o primeiro Salto Quântico da história da humanidade. De Perdidos no Espaço a Jornada nas Estrelas, de Stargate a Battlestar: Gallactica: todos os clichês da ficção científica de exploração espacial estão lá. É divertido, mas a forma em tirinhas é difícil de lidar, porque informações cruciais têm de ser passadas da forma mais rápida possível. O resultado é que alguns diálogos acabaram didáticos demais. Mas este é um problema menor, já que a história, até mesmo por causa dos clichês, resultou curiosa e leve, de ótima leitura e arte bonita, bem na linha clara européia, sem rebuscamentos. Vale a pena acompanhar. Clique aqui para ler. Navegue nos episódios seguintes clicando em Next – já são 27!

Ainda graças a Olivia (sem acento), descubro que o Fábio Fernandes decidiu apostar no gênero com uma interessantíssima revista gratuita na internet, a Terra Incognita. Está no primeiro número e confesso não a ter lido totalmente, mas está aqui no meu HD à minha espera. São duas iniciativas curiosamente paralelas que indicam que o gênero FC, se não encontrou público entre os poucos brasileiros leitores, cresceu e se ramificou na internet. Quem diria?

Eu gosto de ser contrariado

quarta-feira, 24 setembro, 2008

Ok, estou mentindo: como qualquer um, gosto pouco de ser contrariado. Por outro lado, sempre que posso leio opiniões opostas às minhas. Não é sinal algum de grandeza, é apenas um desejo inevitável de me mexer, de manter alerta o meu lado que não consegue parar quieto num único canto.

Depois que publiquei o post Depois do microblogging, vem aí o microvideo, procurei alguns bons artigos que falassem do Twitter, o serviço de blogs com posts de até 140 caracteres. Encontrei alguns beminteressantes no WebInsider, que tentam desvendar a real utilidade do Twitter e iniciam o debate, apesar de uma conclusão curiosa: ainda não está claro como serviço será usado, são os seus usuários que decidirão sua forma futura.

Eis os artigos:

O Twitter e suas postagens de 140 caracteres, de Renato Shirakashi

Twitter é para semear conversas, de Juliano Spyer
De onde vem o trecho mais curioso: “[…]o Twitter é parecido com o “fluxo de pensamento joyceano”, que você não reflete para participar, mas reage, descarrega estalos da consciência que não precisam ter destino ou forma definidos.” Nem sei dizer se eu concordo com isso.

Duas ou três coisas que faltava dizer sobre o Twitter, de Edison Morais

Mas por que exatamente usamos o Twitter, de Alexandre Bobeda

Dica…

terça-feira, 23 setembro, 2008

Bom, passou-se um dia desde o post sobre o blog Livros que você precisar ler, que encontrei por acaso, e ninguém fez comentário algum. Então, vai uma dica: clique no link About do blog. 😉

Meus amigos de infância mais recentes – 3

segunda-feira, 22 setembro, 2008

Bernardo Brayner e Fábio Henrique mantêm o blog Livros que Você Precisa Ler. O blog não é uma lista de medalhões (que continuam indispensáveis), mas uma coleção de resenhas curtas sobre livros pouco conhecidos e que os blogueiros consideram essenciais. Confesso conhecer pouquíssimos dos livros resenhados por lá e só por isso já vale a visita. Infelizmente, é bem difícil encontrar alguns dos títulos, graças a raridade das edições comentadas.

Veja como exemplo algumas curiosidades sobre O Último Teorema de Fermat:

[…]o livro, apesar da banalidade do argumento, pretende algo maior. Pretende prescrutar a alma humana e construir um mundo novo. O Último Teorema de Fermat possui mais de duas mil páginas, oitocentos personagens e ficou inacabado. A intenção do autor era colocar todos os seres humanos da Terra no livro (cada um representado por um único personagem). Dumistrescu morreu em 1968 sem conseguir incluir sequer os primos de segundo grau no livro. Seu filho, Frans Dumistrescu, tentou continuar o livro mas se suicidou sem completar um único parágrafo. O britânico Andrew Giles encontrou na página 621 a solução para o último dos problemas do matemático Pierre Fermat proposto trezentos anos antes e até então considerado insolúvel. O matemático japonês Goro Shimura propôs uma religião inteiramente baseada nesta obra de Georg Dumitrescu.

Gillette viu o futuro?

sábado, 20 setembro, 2008

Dubai é, se não o maior, certamente o mais surpreendente canteiro de obras do mundo atual. O mais recente anúncio é a construção da cidade do futuro, uma pirâmide gigantesca que abrigaria um milhão de habitantes num modelo bastante rígido de auto-sustentabilidade (o que significa, entre outras coisas, que carros particulares serão exceção). Muito apropriadamente, esta monstruosa estrutura já foi batizada como Zigurate. O zigurate era uma estrutura sagrada bastante comum nos povos antigos da mesopotâmia. Posso estar enganado, mas acredito que tradicionalmente a bíblica Torre de Babel é identificada como um zigurate. Certamente a ecopirâmide de Dubai não será alta a ponto de competir com a famosa torre (outro projeto fará isso), mas ocupará absurdos 2,3 quilômetros quadrados. Antes de passar para o próximo parágrafo e falar sobre o sr. Gillette, farei uma breve e quase inofensiva confissão: eu também já havia pensado em coisa parecida. Numa historinha jamais concluída na adolescência, tentei narrar o caos que surgiria se uma cidade-edifício ficasse sem energia. Claro que, então incapaz de imaginar boas consequências para o acontecimento, o conto ficou nas primeiras páginas. OK, fim da propaganda gratuita, sigamos.

King Camp Gillette é exatamente o que você imagina: o inventor da gilete, sinônimo de lâmina de barbear descartável. Imaginamos o sr. Gillette como um daqueles empreendedores incrivelmente agressivos do final do século XIX e pré-Crise de 1929, como Ford, Thomas Edison ou J.P. Morgan. Porém, antes da genial invenção, Gillette era um socialista utópico e escritor óbvia e francamente anticapitalista. Seu último livro, A Empresa do Povo, foi escrito em parceria com Upton Sinclair, autor de Oil!, que serviu de base para o impressionante filme de Paul Thomas Anderson, Sangue Negro/There Will Be Blood. Mas a idéia mais interessante (e absurda) de Gillette foi descrita em seu livro The Human Drift: em sua visão socialista e míope, toda a população dos EUA deveria se mudar para uma metrópole descomunal às margens das cataratas do Niagara. Todos viveriam da energia extraída das cataratas e suas vidas seriam controladas por uma espécie de empresa popular, que tomaria o lugar do estado. O nome da cidade? Metropolis, claro. Você pode ler uma matéria em inglês na Cabinet contando toda a história desta cidade.

Evidentemente, a ecopirâmide dos árabes sequer passará perto dos delírios socialistas do sr. Gillette. Mas a idéia de se criar uma cidade-monstro auto-sustentável é a mesma, guardadas, claro, as devidas diferenças entre o conceito de sustentabilidade de 1894 (ano de publicação de The Human Drift) e 2008. Não há como prever se este empreendimento terá sucesso, mas até agora Dubai tem entregue suas construções, o que, de uma forma ou outra, acabará realizando o sonho esquecido de Gillette em solo capitalista. A propósito, o ex-socialista terminou seus dias quase falido, graças aos gastos exorbitantes em sua propriedade e a Crise de 1929.

Curiosidade: No belo desenho animado japonês de 2001, inspirado no filme clássico de Fritz Lang, Metropolis, a torre que encerra o grande segredo do roteiro chama-se Zigurate.

Opa, curiosidade atualizada. Consultando o primeiro volume da História Ilustrada da Ciência da Universidade de Cambridge, de Colin A. Ronan (Círculo do Livro, 1987, tradução de Jorge Enéas Fortes), encontrei um trecho que descreve o que era o zigurate.

[…] o zigurate, vasta estrutura em forma de torre composta por sucessivos terraços, erigida sobre uma plataforma e encimada por um santuário, que se atingia por meio de largas escadarias. O mais notável zigurate era o da divindade padroeira da cidade de Ur [N.B.: capital da Suméria de 2800 a 2300 a.C. e supostamente a pátria de Abraão], a deusa da Lua, Nanna ou Sin, que cobria uma área de 64 por 46 meros e tinha uma altura de 12 metros. Três de seus lados tinham muralhas perpendiculares, e três grandes escadarias, cada qual com cem degraus, subiam pelo outro lado. O edifício mostra claramente que, no terceiro milênio, os sumérios estavam familiarizados com todas as formas básicas da arquitetura – a coluna, o arco, a cúpula e a abóboda.

Neste link da Escola Politécnica da USP há uma descrição e fotos do zigurate de Ur ; as medidas diferem bastante das encontradas no livro.

Depois do microblogging, vem aí o microvideo

quarta-feira, 17 setembro, 2008

Farei agora uma confissão típica de trintão que não usa a internet do mesmo modo que a geração da chamada web 2.0: não uso nem vejo razão alguma para usar o Twitter. Se você se encontra num estado ainda anterior ao meu, explico: o Twitter é um serviço de blogs em que os posts têm o tamanho máximo de 140 caracteres. Sim, o Twitter tem seu lugar, é um serviço bacana que fornecer uma estrutura para publicação de informação rápida e objetiva, por isso mesmo curta. Talvez seja uma baita limitação minha, mas não consigo imaginar quase nada que eu possa dizer com apenas 140 caracteres – falta de objetividade, incapacidade de síntese, chame do que quiser, mas é isso mesmo. Eu jamais seria capaz de escrever um microconto .

Agora descubro um serviço chamado 12 Seconds, parente mais novo do onipresente YouTube. Na verdade, ele é o Twitter do YouTube: neste site, cada vídeo tem, no máximo, 12 segundos. Segundo esta nota do IMasters, seu criador, Sol Lipman, afirma que esta duração foi fixada com base em pesquisa que lhe disse que o tédio começa a atacar o espectador de vídeos na internet por volta de 12 segundos. Ok, eu disse que entendo o Twitter, mas o 12 Seconds parece-me loucura; o que posso filmar neste tempo ridículo? Se já me impressiona o fato de as pessoas estarem dispostas a trocar a qualidade de imagem numa tela maior pela tosqueira que é assistir a um vídeo pelo celular, o que dizer de vídeos tão curtos que mal dá tempo para ouvir “Previously on Lost…” e ver a Kate correndo pelo mato?

De um lado, está o fato inegável de que a internet não comporta grandes conteúdos contínuos, e é sempre boa idéia partir uma grande matéria ou uma experiência de navegação em pedaços menores (e isso vale para posts de blogs). Por outro, 12 Seconds é a radicalização do déficit de atenção que todos adquirimos junto com a internet. Imaginar conteúdo que caiba em 12 segundos e faça algum sentido é um pesadelo para qualquer roteirista: é um convite a superficialidade, claro. Ao contrário do YouTube, que serve para narrativas curtas, mesmo as mais pessoais, aqui teremos apenas a piada rápida, a brincadeira de moleque, a Marmota Dramática. Na verdade, não há nada de errado nisso, desde que a superficialidade não seja a única opção disponível – o que, graças a imensidão e a liberdade de escolha oferecidas pela internet, espero jamais venha a acontecer.

A propósito, o vídeo da marmota dramática dura meros cinco segundos. Sobram ainda sete segundos para preencher…

Bienal: Rescaldo

terça-feira, 16 setembro, 2008

Nunca fui a uma Bienal do Livro, seja no Rio ou em São Paulo; menos ainda a FLIP ou qualquer uma de suas aparentadas. E, no entanto, já há quem declare que o modelo de Bienal paulistana dá sinais de cansaço. É o que diz Márcia Abos no Prosa Online, o blog de literatura do O Globo. Como não estive lá, não tenho uma opinião muito boa, mas as (péssimas, como sempre) reportagens vistas na televisão deram-me exatamente a mesma impressão que o Breno Lerner, diretor-geral da Editora Melhoramentos, expressa no blog citado:

Se querem ser feiras de venda, é preciso aprender com as Casas Bahia, que sabem dar desconto e vender a prazo [N.B.:criticando os preços de ingresso e estacionamento, que somavam 30 reais, preço de um livro]. Se querem ser um evento literário o espírito é outro. Estamos em uma zona cinza muito perigosa. Não temos um bom apelo a nenhum público. Ou optamos por um modelo europeu de feira de negócios, ou desenhamos melhor nosso modelo e explicamos ao público o que ele ganha vindo à Bienal. Este ano não conseguimos mostrar ao público o que ele ganharia vindo ao Anhembi. Quero convidar a CBL e meus colegas editores para repensar a Bienal. A Feira do Livro de Frankfurt existe há 500 anos, quantas vezes já se reinventou? Não vamos decretar o fim das feiras, mas é tempo de mudar.

Há ainda reclamações sobre a divulgação da feira, que teria sido fraca, sobre as visitas das escolas (cada criança recebeu a espetacular quantia de três reais e cinquenta centavos, ou “triquenta”, para gastar em produtos culturais. Uau…) que teriam diminuído, assim como o público em geral – 9% menos pessoas do que em 2006. E nem vamos entrar em considerações sobre mercado editorial brasileiro, etc., porque senão a coisa vai muito, muito longe.

Se você prestou atenção ao post , viu uma tal N.B. na citação acima. N.T., N.E. e N.A. todo mundo já conhece: são as notas do tradutor, editor e autor. Acabo de inaugurar (ao menos aqui no Universo Tangente) a N.B., Nota do Blogueiro.

E aí, quem vai tocar o monolito?

sábado, 13 setembro, 2008

Semana da ciência no Universo Tangente ou o autor do blog quis chamar a atenção e visitas publicando posts relacionados ao assunto quente da semana, o LHC? Você decide, mas saiba que sempre tive queda por ciência, em especial física e biologia, daí que estes assuntos acabam dando as caras por aqui ao lado de cinema, literatura e tranqueiras. Nem preciso dizer que num país que é sempre o último colocado nos testes educacionais internacionais, ciência é palavrão que não pode ser dito à mesa de jantar, enquanto papai assiste ao Jornal Nacional e mamãe a novela das oito. Por isso transcrevo aqui o desabafo do Cardoso no MeioBit:

Cada vez que alguma pesquisa científica cai no domínio público, sejam células-tronco, clonagem, resequenciamento de DNA, fusão nuclear ou o LHC, é sempre a mesma histeria. Parecemos os macacos de 2001 diante do monolito. Os que fogem assustados, claro. Tudo vai destruir o mundo, tudo é ruim, tudo é perigoso, cientistas são gênios arrogantes e querem nos exterminar. Sério, parece que o mundo da Idade Média era maravilhoso, dado o medo de tecnologia que a humanidade apresenta hoje.

E pego do mesmo post (leia-o) a divulgação do louvável projeto Um Cartaz em cada Escola do SPRACE, cujo objetivo é espalhar 50.000 cartazes (já impressos) com “informações sobre as estruturas fundamentais do Universo, perguntas não-respondidas, escalas cósmicas, etc.”. Uma iniciativa que não partiu de estado algum, mas de um grupo de pessoas, visando a atingir milhares de escolas brazucas e que passa longe da grande mídia – mais interessada em noticiar o casamento de uma cantora pós-mas-não-muito-pós-adolescente. Por que não estou surpreso? Aliás, como é chato ser brasileiro: este lugar quase nunca nos surpreende.

O título do post refere-se ao magnífico filme de Stanley Kubrick, 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Logo no início do longa, quando acompanhamos a disputa territorial entre dois grupos de humanóides pré-históricos na antiga savana africana, surge o famoso monolito negro. O macacão que o toca é o mesmo que, mais tarde, descobrirá o uso de ferramentas tanto para a ciência (matando uma anta, animal que não existe na África, mas enfim, deixa quieto) quanto para a guerra (matando um adversário). Como bem disse o Cardoso, nós somos os macacos medrosos que fugiram da responsabilidade inerente ao desafio científico – preferimos ficar em nossos barracos de sapê, dançando o Carnaval e reclamando dos macacões que tomaram o osso, ops, o bastão para si. O que ainda nos salva da mais absoluta irrelevância são pessoas como as deste projeto.

A propósito: o cartaz está disponível para download aqui.