Archive for novembro \28\UTC 2008

Aos amigos que me presentearam

sexta-feira, 28 novembro, 2008

Há um mês, fui presenteado com livros em meu aniversário. Provavelmente, os amigos que me deram os livros devem estranhar o fato de nenhum deles ter sido comentado até hoje aqui no blog. Infelizmente, estou envolvido com compromissos profissionais e estudando para uma prova, duas atividades que estão devorando sem piedade minhas manhãs, tardes, noites e parte das madrugadas. O que também explica o ritmo pedestre deste blog nos últimos dois meses.

Em breve, estarei de volta ao normal – se é que eu tenho um estado normal.

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Um toque de clássico

sexta-feira, 21 novembro, 2008

Na noite (na verdade, madrugada) de terça-feira assisti a biografia de Beethoven no Biography Channel e voltei a me interessar por música erudita. Meu conhecimento não vai além daquelas coletâneas comuns e obras mais populares. Sempre que ouço música erudita, volta a vontade de conhecê-la melhor; pouco tempo depois, a tal vontade é soterrada pelo dia-a-dia. Como qualquer grande área do conhecimento, é preciso dedicação e paciência para desbravá-la. Eu gosto de ter uma boa idéia geral de um campo antes de mergulhar em algum de seus aspectos, porque tenho certa tendência enciclopedista – o que acho bacana, mas também problemático, afinal, vivemos num mundo de especialistas.

E não é que eu encontrei, ou melhor, a tal idéia geral desejado me encontrou na leitura diária dos 8956 feeds de blogs que assino? Graças ao Alessandro , fiquei sabendo que o Milton Ribeiro está iniciando uma série intitulada O Imprescindível na Música Erudita, incluindo links para baixar as músicas. Já sou leitor fiel não apenas da série, mas agora do (ótimo) blog também.

A propósito, o título deste post veio de um programa de rádio da Guarani FM daqui de Beagá, que toca música erudita quase sem intervalos entre as 12 e 14 horas, de segunda a sexta.

Para não dizer que não falei dos blogs

sábado, 15 novembro, 2008

Eu ia comentar este post do Quero Ter um Blog! , mas desisti. Basta colar aqui a descrição do equívoco cometido pela professora Luiza Lobo feita no LuluzinhaCamp :

A senhora [a professora Luiza Lobo] falava sobre seu livro “Segredos Públicos: Os Blogs de Mulheres no Brasil”. Na ocasião, a senhora foi categórica em afirmar: a produção feminina em blogs tem a característica do diário, do texto confessional, da exposição pública de sua vida privada. Por outro lado, homens fazem blogs de notícias.

Eu falaria da cegueira de certos setores da academia, um pouco de machismo, da inabilidade de muita gente tem em enxergar o incrível ecossistema que a rede de blogs cria, mas de repente percebi que eu gostaria mesmo é de refletir um pouco sobre o que são os blogs. Como eu já havia reunido uma penca de links a respeito desta discussão (que não tem fim, ainda bem), vou ler mais e organizar melhor as minhas idéias antes de escrever a respeito. Além do próprio Quero Ter um Blog!, que tem alguns ótimos posts sobre o assunto, deixo aqui os links para uma série do Bruno Garschagen debatendo os blogs, que gerou opiniões muito interessantes nos comentários:

Blogues em debate:
Parte 1 – O fim dos Wunderblogs
Parte 2 – Uma pergunta pertinente
Parte 3 – O caos que se ordena
Parte 4 – Blogueiro e leitor
Parte 5 – A repercussão (ainda modesta)
Parte 6 – Blogue e a grande imprensa
Parte 7
Parte 8 – O fim do monopólio da escrita
Parte 8 (continuação) – Questões legais

De qualquer forma, concordo plenamente com a indignação delas. A questão, claro, não é que blogs-diário sejam ruins; o problema é reduzir a (odeio esta palavrinha, mas estou sem opções) pluralidade da (também não gosto dessa, mas lá vai) blogosfera a uma categoria e ainda associá-la a uma (você já sabe, não gosto…) questão de gênero. Basta dar uma lida na variedade da longa lista linkada no mesmo post do Quero Ter um Blog! para ter uma idéia do que estamos falando.

Reforma ortográfica, miguxês, preconceito linguístico? O problema é outro…

segunda-feira, 10 novembro, 2008

Sim, eu reconheço e aceito que a língua é dinâmica, muda para adaptar-se a novas realidades culturais, muito embora também me sinta incomodado por algumas manias recentes – os arautos do novo português me chamariam de preconceituoso linguístico. E acostumei-me a idéia de que o mais importante é fazer-se entender, o que não deixa de ter seu lado libertador. Mas todo esse discurso sobre as diversas formas da língua portuguesa e a fúria contra a norma culta (uma expressão que parece remeter a barrocos e rococós) serve também para esconder uma realidade assustadora e simples: pouca, pouquíssima gente, sabe se fazer entender.

Não se fala aqui de analfabetismo, mas de uma incapacidade epidêmica de ler (ou ouvir, ou assistir) um pedaço qualquer de informação, extrair dali alguma coisa que faça sentido. Ficou famoso o caso dos estudantes brasileiros no exame Pisa que, após a leitura de um texto (estupidamente simples) narrando a visita de um paciente a seu médico, responderam à pergunta “quem atendeu o paciente?” com “a enfermeira”, que sequer fora citada na narrativa. Sim, eu poderia dizer que há algum fetiche oculto com enfermeiras aqui, mas não é o caso (*), ou melhor, espero que não seja o caso. Qualquer editor de blog sabe que boa parte dos comentários vem de gente que mal leu o post, apenas pinçou umas palavras e acredita ter entendido o que foi dito. E isso não é exceção.

Quem não consegue extrair informação de um texto, ou melhor, extrai muito pouca coisa, não consegue adicionar nada que preste ao seu repertório pessoal. Temos um universo de pessoas que constroem suas visões de mundo da forma descrita acima: pinçando, aqui e ali, apenas as informações mais simples e incompletas. Pedir a este indivíduo que defenda um ponto de vista é uma temeridade; o que ouvimos é apenas a afirmação repetitiva de uma opinião. É a geração “tipo assim”. Quem não consegue argumentar não vai muito longe – soando como um livro vagabundo de auto-ajuda-corporativa, afirmo sem hesitar que boa parte de nosso tempo de vida será gasto em negociações. Sim, negociamos com o tempo, o chefe, a companheira, os amigos, a equipe de trabalho, o garçom; negociamos o filme a que queremos assistir, o livro que desejamos ler, o tira-gosto que será servido, o programa de final de semana, o cronograma do projeto. Um mundo que não sabe negociar é um mundo mais pobre, assustador e sombrio. Transforma-se numa cacofonia amalucada de pessoas gritando suas opiniões sem esforço algum para elaborar uma argumentação, por mais simples que seja. É o Orkut.

Para se fazer entender, ninguém precisa saber análise sintática da oração e nem sou eu o tarado que vai defender isso, até porque acho que o que precisamos não é de ensino burocrático da língua; é de outra atitude. E ela tem de partir das escolas mesmo, porque, francamente, a maioria dos pais acredita que o filho é um gênio – mesmo quando não passa de um analfabeto funcional com um notebook no colo. Muito além da visão limitada e dominante da educação como mero passaporte para o mercado de trabalho, é preciso uma escola que incentive nos alunos o hábito de construir uma argumentação e defendê-la. Precisamos de professores que orientem, corrijam e fomentem o raciocínio, a discussão e a vitória da idéia bem formulada e defendida – e a língua é o instrumento para isso.

Estar disposto a abraçar a mudança é bom; abdicar da crítica a mudança é estupidez. A língua precisa mudar, ela tem que mudar; infelizmente, parece-me que estamos assistindo a um certo empobrecimento, disfarçado de tradução de uma suposta agilidade. Agilidade que, no fundo, pode ser apenas distúrbio de atenção.

(*) Nota breve e inútil: Spielberg é o culpado por esta deformação do meu caráter. Toda vez que ouço a palavra enfermeira, lembro-me imediatamente dos irmãos Brothers do desenho animado Animaniacs e seu bordão “Oláááááá, enfermeeeeiiiiiraaaaaaaaaaa!”.

Nota breve, mas nada inútil e a propósito: Que fim levou aquele projeto estapafúrdio do Aldo Rabelo que propunha a proibição do uso de estrangeirismos? Se esta estrovenga for aprovada, estaremos todos automaticamente owned .

Eu confesso: já quis ser publicitário

quarta-feira, 5 novembro, 2008

A história é velha conhecida: o menino gosta de escrever (escreve mal, mas pode melhorar) e de desenhar (desenha um pouco melhor, mas precisa melhorar), cria umas histórias sem pé nem cabeça. O que ele imagina ser quando crescer neste país? Publicitário, claro. Sim, por algum tempo estive entre a tecnologia de informação e a publicidade. O que me fez escolher a primeira foi conhecer os ambientes de trabalho da segunda. Talvez tenham sido as pessoas com quem conversei, as empresas que visitei, os pobres-coitados dos estagiários que falaram de sua rotina, não sei dizer com certeza. O fato é que me bandeei para a TI e estou nela até hoje. Mas confesso que, vez ou outra, vejo uma propaganda tão bacana, mas tão bacana que quase me dá vontade de estudar bastante para criar uma máquina do tempo e voltar atrás – felizmente, não sou um gênio da matemática e a máquina ficará mesmo na prancheta imaginária do meu cérebro.

Por Deus, não imagine que sou desses sujeitos que rolam de rir de peças publicitárias da TV e as transformam em referências e piadas, não é nada disso. O que chamou a minha atenção é algo mais sutil: esta peça da agência Salve para a coleção Segredos da Segunda Guerra Mundial, da Editora Abril:

peca_rockwell

Para quem não percebeu (ou desconhece), ela homenageia o quadro The Gossip, de Norman Rockwell:

gossip_norman_rockwell1

É fantático o uso que os criadores desta peça fizeram das fotos. Algumas, de personalidades; outras, de anônimos suficientemente parecidos e em poses adequadas para parecerem a mesma pessoa, em duas situações. Genial.

Nota: Quem lê o Universo Tangente por feeds e o recebe pelo e-mail talvez não veja as imagens. Clique no título do post para ir direto ao blog onde poderá vê-las e entender o texto.