Eu confesso: já quis ser publicitário

A história é velha conhecida: o menino gosta de escrever (escreve mal, mas pode melhorar) e de desenhar (desenha um pouco melhor, mas precisa melhorar), cria umas histórias sem pé nem cabeça. O que ele imagina ser quando crescer neste país? Publicitário, claro. Sim, por algum tempo estive entre a tecnologia de informação e a publicidade. O que me fez escolher a primeira foi conhecer os ambientes de trabalho da segunda. Talvez tenham sido as pessoas com quem conversei, as empresas que visitei, os pobres-coitados dos estagiários que falaram de sua rotina, não sei dizer com certeza. O fato é que me bandeei para a TI e estou nela até hoje. Mas confesso que, vez ou outra, vejo uma propaganda tão bacana, mas tão bacana que quase me dá vontade de estudar bastante para criar uma máquina do tempo e voltar atrás – felizmente, não sou um gênio da matemática e a máquina ficará mesmo na prancheta imaginária do meu cérebro.

Por Deus, não imagine que sou desses sujeitos que rolam de rir de peças publicitárias da TV e as transformam em referências e piadas, não é nada disso. O que chamou a minha atenção é algo mais sutil: esta peça da agência Salve para a coleção Segredos da Segunda Guerra Mundial, da Editora Abril:

peca_rockwell

Para quem não percebeu (ou desconhece), ela homenageia o quadro The Gossip, de Norman Rockwell:

gossip_norman_rockwell1

É fantático o uso que os criadores desta peça fizeram das fotos. Algumas, de personalidades; outras, de anônimos suficientemente parecidos e em poses adequadas para parecerem a mesma pessoa, em duas situações. Genial.

Nota: Quem lê o Universo Tangente por feeds e o recebe pelo e-mail talvez não veja as imagens. Clique no título do post para ir direto ao blog onde poderá vê-las e entender o texto.

7 Respostas to “Eu confesso: já quis ser publicitário”

  1. ana luiza jaiser Says:

    Meu avo tinha uma colecao enorme e guardada com muito carinho, da revista The Saturday Evening Post.
    Foi nessa colecao que conheci, principalmente nas capas, o trabalho do desenhista Rockwell.
    Meu avo o adorava ( dai ter colecionado a revista) e dizia que ele era um genio inocente.
    Muitos anos mais tarde, muitos e muitosanos mais tarde, descobri que Rockwell dizia EU PINTO A VIDA COMO GOSTARIA QUE ELA FOSSE.
    O que confirmava meu avo.
    Abracos,
    Ana Luiza

  2. Marcelo Lopes Says:

    Ana,

    Há uma tendência a desprezar o trabalho de Rockwell porque ele retrataria a “América conservadora”, o que impede muita gente de perceber o que há de nostálgico e idealizado em seus quadros e ilustrações – ele também demonstra um grande carinho pelos seus personagens. Mais ou menos como o carinho que o músico David Byrne tem pelos personagens de seu filme “True Stories”, de 1986.
    De fato, Rockwell foi uma espécie de gênio inocente.

    Abs!
    Marcelo.

  3. De Norman Rockwell a Hugo Pratt « Universo Tangente Says:

    […] falei da peça publicitária que homenageava a obra Gossip, do pintor e ilustrador norte-americano Norman …, nem imaginaria que um artista que em nada lembra o maior representante do imaginário gráfico dos […]

  4. James Scavone Says:

    Fizemos um filminho também. Dá uma olhada: http://www.youtube.com/watch?v=L91oASinmW4 abc, James

  5. Marcelo Lopes Says:

    James,

    Valeu pelo link! E parabéns a você e toda a equipe da Salve pela criação.

    Abs!
    Marcelo.

  6. Marcia Says:

    Adorei o artigo, desconhecia Norman Rockwell e me apaixonei.

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