Archive for janeiro \30\UTC 2009

O Universo Tangente avisa:

sexta-feira, 30 janeiro, 2009

Este blog se encontrava em estado letárgico por razões pessoais e de saúde; voltamos a nossa programação normal ainda hoje.

O Discurso de Barack Obama

quarta-feira, 21 janeiro, 2009

Enfim, mesmo quem não apóia Barack Obama sabe: o seu discurso de posse foi um momento histórico. O site Wordle.net disponibilizou uma forma diferente de ver o discurso por meio de uma nuvem de palavras. Nem é preciso explicar do que se trata, a imagem tem este poder:

obamawordcloud

Como se vê, a palavra campeã foi “nation”, seguida por “new”, “every”, “America”, “people” e assim por diante. Não deixa de ser uma forma interessante de analisar (ainda que superficialmente, claro) o texto.

Aqui, no G1, pode-se ler a íntegra do discurso em inglês e português – de onde tirei a figura acima.

Já a China, como não poderia deixar de ser, fez bem seu papel de ditadura maquiada e vetou, ao vivo, o parágrafo em que Obama se referia ao comunismo, além de outros trechos, como o que menciona a opressão a dissidentes.

Um pouco de Poe

quarta-feira, 21 janeiro, 2009

Acho que já disse isso antes, mas como não encontrei referências no blog, digo novamente: tenho um projeto que se arrasta e que envolve ter de estudar e ler bastante Edgar Allan Poe, em inglês também. Como esta semana é celebrado o bicentenário de seu nascimento (e me ocorre dizer que fã de Poe que é fã mesmo celebra o aniversário de sua morte, mas isso pode ser interpretado como mau gosto de minha parte), lembrei-me deste projeto e da pilha de livros que ainda me aguarda. Poucos deles têm algo a ver com Poe, o que, quero acreditar, não demonstra o meu desinteresse pelo projeto, mas sim uma busca por conhecimento que ainda não possuo e que seria essencial para levá-lo adiante. Também não é segredo algum que há outros autores com maior prioridade na fila, como Bernhard (ganhei O Náufrago) e Orhan Pamuk. Na verdade, sei que não perdi o gosto pelo tal projeto, mas preciso que ele amadureça um pouco mais.

Enfim, tergiverso, como diria o Inagaki. Voltemos a Poe. Lendo o Pós-Estranho do Fábio Fernandes, me deparei com este ótimo post: Edgar Allan Poe – os Melhores Contos que Você (Provavelmente) Nunca Leu. E há também o ótimo site Poe Brasil, com textos integrais, notícias e matérias. Bastante curioso é o artigo da escritora norte-americana Joyce Carol Oates, Os Pesadelos Reais de Edgar Allan Poe, autora que publicou recentemente Wild Nights! Stories About the Last Days of Poe, Dickinson, Twain, James and Hemingway. No mínimo, um livro curioso, especialmente se lembrarmos das circunstâncias da morte de Poe.

É sério isso?

domingo, 18 janeiro, 2009

Dias atrás, acabei assistindo a algumas sequências do filme A Casa dos Espíritos, que adapta o romance de mesmo nome de Isabel Allende. Assisti a esta produção dirigida por Billie August () mais de uma década atrás e não havia gostado nem um pouco; pensei que, agora, menos imaturo, poderia enxergar o que há de tão bom neste filme que tanta gente admira.

Não há nada. Absolutamente nada.

Aliás, o filme me desagradou muito mais hoje. Direção burocrática, elenco de primeira mas sem saber o que fazia ali e um roteiro que, na melhor das hipóteses, é bem pedestre. Um amontoado mais ou menos bem costurado de clichês latino-americanos irritantes: o latifundiário malvado, o empregado revolucionário, a filha do latifundiário malvado apaixonada pelo empregado revolucionário, a chegada ao poder do socialista Allende, a tomada do poder pelos militares, tortura, destino e redenção no final bem no seio da família recém-formada. E, claro, umas doses de realismo fantástico – que na verdade é espiritismo.

Só para repetir o título do post: é sério isso? Como é que tanta gente se enganou tão maciçamente sobre um livro/filme? Acho, não tenho certeza, que Isabel Allende jamais alcançou sucesso semelhante ao de A Casa dos Espíritos. E também desconfio que a adaptação tomou uma série de liberdades em relação ao material original – o que não me faz ter vontade alguma de lê-lo. De qualquer forma, rever (mesmo que parcialmente) o filme serviu para comprovar um de meus preconceitos: se muita gente diz que uma obra é linda, grandes são as chances de que ela não seja nada disso.

Próximos livros: Apenas um Sonho/The Revolutionary Road, de Richard Yates

terça-feira, 13 janeiro, 2009

Há uma grande dose de ironia no cinema de Sam Mendes, diretor deste Apenas um Sonho, que estréia nesta semana: reunir Kate Winslet e Leonardo diCaprio em uma história sombria sobre relacionamentos é quase uma negação do sucesso água-com-açucar que os consagrou, 11 anos atrás, Titanic. Curioso em saber mais sobre o livro no qual se baseia o filme, The Revolutionary Road, de Richard Yates, encontrei no ângulo, de Marco Polli, as razões que procurava para adicioná-lo a lista de futuros livros – e inaugurar mais uma seção de posts, claro. Citando-o:

Mas o melhor da trama é que ela não se encaminha apenas sobre as insatisfações do casamento, mas para algo mais amplo e interessante: Richard Yates percebe bem o nascimento de uma classe média que tem desprezo pela… classe média. O pior pesadelo de todos é “ser como todos os outros”, e assim que finalmente podem pagá-la, consideram que têm uma vida artificial, protegida e sentimentaloide em subúrbios assépticos.

O que também explica a razão de o diretor de Beleza Americana ter se interessado pela adaptação. Polli ainda compara a prosa de Yates a Fitzgerald, que também teve o seu O Curioso Caso de Benjamin Button adaptado para a telona – e com estréia marcada para a mesma época aqui no Brasil:

Em termos de estilo, Richard Yates pode ser considerado como um dos herdeiros de F. Scott Fitzgerald . É uma prosa estilizada, bem acabada, que procura construir o mundo interior dos personagens sem verborragia, combinando essa interioridade com a descrição do ambiente e com metáforas precisas. Porém, há em Yates mais dinamismo e uma liberdade maior na troca do ponto de vista narrativo entre os personagens. Como acontece também com Fitzgerald, a elegância e inteligência do texto acaba deixando o leitor desarmado para quando, mais ao final da história, os personagens descem a um drama mais pesado.

Toda vez que alguém pergunta de que tipo de literatura eu gosto, me engasgo, olho para o teto e não explico coisa alguma direito. Pois bem: descobri que muitas vezes baseio-me em opiniões de amigos, blogs, revistas, etc. para decidir qual livro encarar. Claro que tudo isso passa pelo filtro do gosto pessoal e das características que me interessam numa obra, mas a decisão começa com a opinião de alguém que me inspira confiança no que diz.

Em breve, mais “Próximos livros” – como se a lista já não fosse suficientemente longa…

Skoob, rede brasileira de leitores

domingo, 11 janeiro, 2009

Eu até imagino que algum leitor desavisado pode imaginar que “rede brasileira de leitores” é o nome de alguma nova estatal, Releibrás, voltada ao fomento da cultura e absorção de impostos, mas não é nada disso. Skoob é uma rede social criada para quem gosta de livros e de compartilhar sua opinião e preferências pessoais. O cadastro é muito simples e rápido, a interface é funcional e direta, mas o melhor mesmo é ter sido idealizada por e para brasileiros, o que facilita na hora de pesquisar por títulos editados por aqui e, claro, fazer amizades.

Quem quiser me adicionar, é só entrar no meu perfil aqui. Ainda estou começando lá, minha estante está bem pobrinha, mas vai melhorando com o tempo.

Pai, o que é edição esgotada?

sexta-feira, 9 janeiro, 2009

Ainda não dediquei muito tempo a pensar sobre os livros digitais; li muitos textos a respeito nos últimos dias, especialmente em blogs. Estou convencido de que esta é uma tendência inevitável e que ganhará muita força quando os dispositivos para leitura destes livros se tornarem mais leves, baratos e flexíveis do que, por exemplo, o Kindle da Amazon. Neste ponto teremos papel digital de verdade – sim, eu ainda acho um tanto incômodo ler grandes volumes de texto em um monitor – e o papel como conhecemos deixará de ser o suporte primário dos livros depois de algum tempo.

Curiosamente, eu não havia prestado atenção a conseqüência mais interessante dos livros digitais: a abolição da edição esgotada. Salvo alguma estratégia maluca (ou safada) das editoras, se o livro for digital, não haverá desculpas para recolhê-lo ou simplesmente não reeditá-lo. Ele estará sempre disponível para venda, mesmo que seja lembrado apenas por um ou dois interessados. E obras que já estão fora de catálogo há milênios poderão voltar às prateleiras da internet, num processo semelhante ao que o DVD causou, quando filmes clássicos e esgotados foram convertidos para o formato.

Talvez seja otimismo demais, mas não custa nada desejar que isto venha mesmo a acontecer.

Duas esperanças nerds para o cinema em 2009

quinta-feira, 8 janeiro, 2009

Este será o ano do mimimi cinematográfico. Explico-me: em breve, dezenas de críticos, comentaristas e chatos profissionais estarão reclamando da suposta infantilização definitiva do cinema norte-americano graças às possíveis indicações de Batman: O Cavaleiro das Trevas e Wall-E ao Oscar de Melhor Filme. Francamente, pouco me importa isso, já que estou aqui apenas para confessar duas esperanças completamente nerds para o cinemão de 2009.

A primeira é (ou era) a refilmagem do clássico da ficção científica de 1951, O Dia Em Que A Terra Parou, dirigido por Robert Wise, com a trilha sonona de Bernard Herrmann e seus theremins . A nova versão ficou a cargo de Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose), mas nem seu esforço parece ter evitado que a crítica norte-americana espinafrasse o filme. Aparentemente, saiu a Guerra Fria do original e entrou a ameaça a ecologia do planeta, o que transforma Klaatu numa espécie de Al Gore radical. Além do quê, fica difícil entender a lógica dos extra-terrestres: se espécies inteligentes são tão raras assim, e planetas capazes de gerá-las também, então a solução é… aniquiliar a raça humana, uma das poucas espécies mais espertas do que um hamster? Se o problema era proteger o planeta da poluição gerada pelo homem, então talvez fosse melhor chamar o japonês Spectreman.

De qualquer forma, o filme reserva uma surpresa para nós, brasileiros. Num esforço para globalizar a recepção a esta produção, foram distribuídas pequenas sequências mostrando a destruição causada pelos ETs. Como não poderia deixar de ser, os aliens têm predileção especial por monumentos e prédios governamentais e decidem logo pôr abaixo o Congresso Nacional, uma cena que agradará a muita gente – assim como muitos norte-americanos aplaudiram a destruição da Casa Branca em Dia de Independência.

A minha segunda esperança nerd é a revitalização de Jornada das Estrelas por J.J.Abrams, o criador de Lost e Cloverfield. A idéia é contar o início das viagens da Enterprise, com uma tripulação (bem) jovem. Nem falarei muito do projeto, já que ele tem mais chances de ser uma revitalização digna e empolgante do que uma montanha-russa voltada a geração que acha que ficção científica é Transformers. Unir os dois extremos do universo de Star Trek (boas doses de aventura e inteligência) em filmes para o cinema não é fácil e espero, realmente, que eles consigam.

Claro, há um terceiro filme nerd, Watchmen. Mas este merece um post só para ele.

Marley? Não, obrigado.

terça-feira, 6 janeiro, 2009

Antes que venham torrar a minha paciência (e virão, tenho certeza), já aviso que gosto, e muito, de animais. Especialmente cachorros. Coincidentemente, hoje mesmo comentei a facilidade que alguns cachorros têm para gostar de mim e o quanto eu acho isso bizarro. E não, não acredito em aura, energia positiva ou coisa parecida e muito menos que um animal seja capaz de detectar, de alguma forma, minhas boas intenções.

Já está óbvio que esta introdução toda é para falar sobre Marley e Eu, filme e livro. E também já deve estar bem claro que não tenho o menor interesse em nenhum dos dois. Confesso que sei, superficialmente, qual é a história e ela se enquadra naquela categoria historinha-cheia-de-mensagem-e-lição-de-vida que faço questão de evitar. Mas, a julgar por esta resenha aqui, há algo de novo em Marley, algo que eu não me lembro de ver nestas obras de auto-ajuda disfarçadas de ficção. Cito o autor da crítica, Erico Borgo:

O cachorro torna-se dessa maneira apenas um conforto visual, um facilitador, numa história que – seja qual for a mídia – julguei lamentável, de alguém conformando-se ao que outras pessoas esperam dele na vida.

Ao longo do filme, o personagem e autor do romance auto-biográfico passa de alguém que nutria sonhos a um sujeito enjaulado num cotidiano medíocre. Vai trabalhar como colunista (ele queria ser repórter), vai morar no bairro que detestava (pela segurança), recusa a oportunidade de uma vida…

Ora, onde foi parar aquele discurso meio bocó de todo filme/livro cheio de mensagem-e-lição-de-vida sobre a necessidade, a urgência, de “seguir os próprios sonhos”? Em que momento houve a troca deste verdadeiro mantra repetido a exaustão nos ouvidos e neurônios de toda uma geração por esta adequação conformada aos padrões mais óbvios e clichês da existência? Não deixa de ser uma mudança curiosa. Talvez receosos de ver as vendas de seus livros caírem porque os leitores descobriam o que descobririam de qualquer forma (que sonho é muito bacana, mas custa muito caro), os autores resolveram apostar no filão, digamos, na falta de palavra melhor, maduro: A vida é assim mesmo, o melhor que podemos fazer é encontrar nela as pequenas e verdadeiras alegrias e coisas do gênero.

Não, não estou defendendo que devemos todos regredir à adolescência e suas aspirações datadas; apenas realmente acredito que passamos a maior parte de nossas vidas negociando expectativas, reduzindo a maioria absoluta delas, adiando-as e, por fim, esquecendo-as nos momentos mais convenientes possíveis. Também acredito que alguns de nós mantêm certos valores(*) e projetos pessoais, mesmo que eles acabem tendo de esperar ou competir com outros projetos – a companheira, os filhos, etc. É um dilema do qual poucos têm consciência – a maioria apenas deixa que a vida lhes leve, como diria alegre e equivocadamente aquela música.

De qualquer forma, seria uma pretensão infantil afirmar que há algo de errado com a opção pessoal pelo conformismo ou pela segurança. Não há como negar que, felizmente, temos a liberdade essencial para fazer esta escolha. Como também não há nada de errado na opinião oposta. O problema é que o tal personagem principal de Marley e Eu não parece disposto sequer a negociar projetos; na verdade, parece mesmo ter entrado em sua própria história apenas para perder. Talvez ele descubra novos valores e realizações com a família (ah, eu disse que Marley é filme-família? Não precisava, claro) e acabe amadurecendo. Talvez apenas esteja se adequando. Mas, não deixa também de existir aquela desconfiança de que, no fundo, no fundo, o livro/filme seja apenas um afago bem carinhoso e irônico na cabeça de um público leitor sem paciência para se questionar ou se avaliar. Ele deseja apenas uma boa diversão com mensagens edificantes e final projetado para levá-lo às lágrimas. De preferência, com um cachorro simpático, bacana e lambão.

(*) Toda vez que cito a palavra “valores”, sou obrigado a me lembrar de Groucho Marx apresentando-se a um cavaleiro: “Estes são os meus princípios, senhor. Se não gostar destes, tenho outros.”

Enquanto isso, no Todos os Filmes…

quinta-feira, 1 janeiro, 2009

Talvez alguns sequer se lembrem disso (acho que até eu esqueci), mas eu tenho um segundo blog, o Todos os Filmes, dedicado a resenhas e comentários cinematográficos. Como o coitado ficou jogado às traças por um tempo, também acabei não postando aqui as suas últimas atualizações, como eu costumava fazer. Então, sem enrolações, vamos aos (vários) links:

O Despertar de uma Paixão

A Espiã

Letra e Música

O Fim de Evangelion

Os Esquecidos

De Cabelos em Pé

O Vale das Sombras

Tempo da Inocência

Fome de Viver