É sério isso?

Dias atrás, acabei assistindo a algumas sequências do filme A Casa dos Espíritos, que adapta o romance de mesmo nome de Isabel Allende. Assisti a esta produção dirigida por Billie August () mais de uma década atrás e não havia gostado nem um pouco; pensei que, agora, menos imaturo, poderia enxergar o que há de tão bom neste filme que tanta gente admira.

Não há nada. Absolutamente nada.

Aliás, o filme me desagradou muito mais hoje. Direção burocrática, elenco de primeira mas sem saber o que fazia ali e um roteiro que, na melhor das hipóteses, é bem pedestre. Um amontoado mais ou menos bem costurado de clichês latino-americanos irritantes: o latifundiário malvado, o empregado revolucionário, a filha do latifundiário malvado apaixonada pelo empregado revolucionário, a chegada ao poder do socialista Allende, a tomada do poder pelos militares, tortura, destino e redenção no final bem no seio da família recém-formada. E, claro, umas doses de realismo fantástico – que na verdade é espiritismo.

Só para repetir o título do post: é sério isso? Como é que tanta gente se enganou tão maciçamente sobre um livro/filme? Acho, não tenho certeza, que Isabel Allende jamais alcançou sucesso semelhante ao de A Casa dos Espíritos. E também desconfio que a adaptação tomou uma série de liberdades em relação ao material original – o que não me faz ter vontade alguma de lê-lo. De qualquer forma, rever (mesmo que parcialmente) o filme serviu para comprovar um de meus preconceitos: se muita gente diz que uma obra é linda, grandes são as chances de que ela não seja nada disso.

6 Respostas to “É sério isso?”

  1. léo e só Says:

    olá Marcelo.

    a quanto.

    Nossa, essa vc foi buscar do fundo dos anos noventa. Alías, a Isabel Allende me pareceu, naquela época, uma promessa da nova literatura latina, coisa que nunca se cumpriu.

    Outra coisa, esse filme me faz lembrar de vários outros filmes dos anos noventa que, qualquer que fosse o assunto, pareciam ter a mesma fotografia. Vai ver era película e a fita vhs.

    abs

  2. marie tourvel Says:

    Feliz 2009, meu querido.
    Voltei de minhas longas férias da praia. Muita farofa, franguinho frito e um disquinho na vitrolinha. Arrisquei até uma musiquinha lá no “Letras”.
    Concordo plenamente com sua crítica ao filme. A única coisa é que acho você corajoso por assisti-lo pela segunda vez.😉

    Beijos, Marie

  3. Roberto Bechtlufft Says:

    “se muita gente diz que uma obra é linda, grandes são as chances de que ela não seja nada disso.”

    É como eu sempre digo, as minorias sempre têm razão:
    http://naosejamediocre.blogspot.com/2007/02/regra-1-as-minorias-sempre-tm-razo.html

  4. Marcelo Lopes Says:

    Roberto,

    Grande verdade…

    Abs!
    Marcelo.

  5. Marcelo Lopes Says:

    léo,

    Eu também achava que Allende fosse uma promessa, mas nunca passou disso. E é verdade, o filme cheira a VHS. Na verdade, cada época acaba tendo mesmo um “jeitão” diferente no visual dos filmes. E isso se deve, acredito, não apenas a tendências dos próprios cineastas, mas também a características dos equipamentos e padrões usados em cada época – Techinicolor, Pancolor, etc…

    Abs!
    Marcelo.

  6. Marcelo Lopes Says:

    marie,

    Bem-vinda de volta e um feli 2009 a vc também.
    E eu não assisti a este filme duas vezes, foi apenas desta vez, e mesmo assim mais ou menos pela metade – o que não atrapalhou em nada a sua compreensão, o que é um mal sinal.🙂
    Só para citar Edgar Allan Poe, já que estamos na semana dele, nunca mais. Nunca mais.

    Abs!
    Marcelo.

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