Archive for março \27\UTC 2009

Post rápido para um pensamento ligeiro

sexta-feira, 27 março, 2009

Depois de assistir ao belo filme O Leitor (estou devendo um comentário no Todos os Filmes), voltei a me perguntar: por que os alunos de nossas escolas não leem Homero? Qual a explicação para a nossa xenofobia escolar?

Topifavie Coisas que já quis ser

quinta-feira, 19 março, 2009

1) Zoólogo

Você saberia diferençar uma onça, um leopardo e um guepardo se aparecesse um animal de cada espécie na sua frente agora? Pois é, antes de virar marmita de gato selvagem, eu saberia. E esta não é a parte mais nerd da história: eu lia vários livros e assistia a inúmeros documentários sobre vida animal, especialmente marinha. Minha sorte foi ter nascido em Minas Gerais, caso contrário estaria escrevendo neste instante sobre peixes abissais tão medonhos que, se você os visse num aquário, juraria que o inferno fica a apenas 3000 metros de profundidade.

2) Diretor de cinema

Depois de abandonar a idéia de ser biólogo, achei que seria diretor de cinema. Não ria, por favor. É sério. Neste caso, minha sorte ampliou seus limites geográficos, ou seja, sorte foi eu ter nascido aqui na Banânia, onde cinema é uma panelinha muito difícil de se entrar. Mas, por algum tempo eu li revistas como American Cinematographer e Cahiers du Cinema (em inglês, porque meu francês não vai além do sotaque do Pepe Le Gambá , infelizmente) com fervor, e realmente imaginava ser cineasta fora do Brasil. Mas a febre passou também.

3) Ilustrador científico

Juntando meu interesse por zoologia ao pelo desenho, eis que surge (mais) um ilustrador científico – o cidadão que pinta animais, plantas e modelos anatômicos detalhados e às vezes meio perturbadores. Na verdade, meu grande interesse estava no pequeno grupo de ilustradores que trabalha com paleontólogos recriando animais extintos – talvez porque haja, ao lado do conhecimento já existente sobre estes seres, um bocado de espaço para extrapolar e brincar um pouco, do ponto de vista artístico.

4) Desenhista de quadrinhos / designer de personagens de jogos

Isso é tão óbvio que nem vale a pena falar muito a respeito. Basta dizer que se você desenha bem monstros, máquinas e cenários delirantes, já é meio caminho andado para esta indústria. Digamos que eu esteja ainda no primeiro quarto deste caminho.

5) Astrônomo / físico

De todas as aspirações nerds, esta talvez seja a única que garantiria um emprego como roteirista de The Big Bang Theory – profissão que, muito provavelmente, paga melhor do que um laboratório, universidade ou centro de pesquisa. De qualquer forma, meu conhecimento nestes assuntos jamais ultrapassou as barreiras da SuperInteressante ou da série Cosmos de Carl Sagan – sim, eu assistia aos episódios nas manhãs de sábado dos anos 80.

A pergunta que fica, óbvia, é: e agora, o que eu fiz com estas aspirações? O mesmo que todo mundo – ou guardei na gaveta ou me acompanham como interesses legítimos, alguns tornados hobbies. Continuo estudando desenho, eventualmente escrevo roteiros para quadrinhos (nada de super-heróis) que talvez eu venha a publicar online mesmo e ainda leio sobre astronomia e paleontologia (além de assistir ao Discovery Channel, NatGeo, History Channel, etc, o kit televisivo básico de um geek). Só existem duas formas de entender esta disparidade de interesses; uma é elogiosa, é me chamar de sujeito renascentista, com múltiplos interesses e predileções intelectuais. A outra, mais correta, é dizer que não bato muito bem da cabeça mesmo.

E literatura? Onde fica? Bom, não é, certamente, uma das coisas com as quais já quis trabalhar. Ainda é.

Tanto a fazer e tão pouco tempo

terça-feira, 10 março, 2009

A frase aí em cima, abaixo do título do blog, veio da história em quadrinhos Watchmen. Lembrei-me disso por duas razões: a primeira, mais óbvia, é que escrevi a respeito do filme que adaptou esta série memóravel para o cinema. Se você nunca ouviu falar, recomendo este artigo do site JovemNerd: Com Quantos Quadros se Faz uma Obra-Prima?

A segunda é a lembrança da música de abertura do filme, The Times Are A-Changing, de Bob Dylan. Sim, os tempos estão mudando para mim também. Assim que der, escrevo a respeito.

O Ofício do escritor, por John Updike

terça-feira, 3 março, 2009

Sou um rato de sebos. Além de comprar livros novos, estou sempre dando uma volta por livrarias de usados e observando aqueles saldões relativamente comuns aqui em BH. A Livraria Ouvidor, na Savassi, quase sempre coloca à venda um monte de títulos por preços ridículos bem na porta da loja. Verdade que a maioria absoluta pouco me interessa, mas comprei nas últimas semanas Os Anéis de Saturno, de Sebald, e a coletânea Bem Perto da Costa – Ensaios e Críticas, de John Updike, editado por aqui em 1991 pela Companhia das Letras.

É deste último que desejo retirar um trecho. Em 1978, Updike foi convidado a testemunhar perante a Subcomissão de Educação Seleta da Comissão sobre Educação e Trabalho do Congresso dos Estados Unidos – hein? – que versava, basicamente, sobre subsídios governamentais a atividade de escritores e demais, digamos, profissionais das humanidades. Seu breve, porém preciso, depoimento encerra-se com o seguinte parágrafo:

Se tento pensar nos autores que, no último século, mais brilhantemente iluminaram nosso senso de humanidade – que eu tomo como sendo o propósito final das humanidades – ,eu penso em Freud e Kafka, em Proust e Joyce, em Whitman e Henry James, e pergunto-me: quantos desses espíritos corajosos, estranhos e obstinados teriam obtido um subsídio de seus governos? Eu acredito que, com o passar do tempo, um governo pode vir a acalentar a herança cultural de uma nação, depois de seus criadores estarem seguramente mortos e em perspectiva. Mas, no presente vivo, como é que homens recebendo salários do governo poderão não pensar em termos de respeitabilidade, de otimismo socialmente benéfico, de um interesse amplo e não-controvertido? Como é que comissões de concessões de verbas poderão não se sentir atraídas pelo sociologicamente cativante e ludicamente comunitário? Como é que legisladores instados a distribuir o dinheiro dos impostos podem não pensar em “diretrizes” que insidiosamente vão se aproximado da censura? Se o dinheiro governamental tornar-se uma presença cada vez mais importante no financiamento das humanidades, não existe o perigo, pergunto respeitosamente, de os humanistas tornarem-se lobbyistas, e das estratégias da política substituirem as estratégias da mente?