Outra esquisitice pessoal

A editora do blog Stranger in a Strange Land, Safaa Dib, resumiu a aversão que muitas pessoas sentem por obras de ficção científica – ou fantasia:

Consigo compreender os leitores que se recusam a aventurar em obras de ficção científica. É um erro julgar que é para todos os gostos, porque não é. Um leitor de ficção científica precisa de estar disposto a descodificar os parâmetros que foram instituídos no mundo criado pela imaginação do autor. E precisa, acima de tudo, de uma mente aberta que se prepare para absorver, às vezes com dificuldade, a estranheza da história de modo a tentar compreendê-la.

Dentro do meu círculo de familiares e amigos, uma boa parte tem verdadeiro pavor de qualquer obra que tenha referências a, como ja me disseram, “coisas que não existem”. Mais ou menos o que eu sentiria se fosse obrigado a assistir a High School Musical ou a uma temporada inteira de Malhação – minha visão particular de inferno…

Como eu já disse antes, não leio FC há anos, embora continue assistindo a filmes do gênero. Na verdade, sempre me surpreendi com a minha pouca disposição para descartar gêneros inteiros de obras. Sempre que me perguntam que tipo de livro ou filme gosto, respondo genericamente, de uma forma até meio idiota: “gosto de bons livros/filmes/peças”. Penso que uns 90% de todas os obras de todos os gêneros sejam ruins. Falo sério – nem medianas, nem suportáveis; ruins mesmo. De onde tirei este número? Da capacidade que todos temos de gerar estatísticas sem a menor idéia sobre sua relação com o mundo real, claro.

De qualquer forma, me considero um sujeito muito estranho, porque, ao contrário da maioria das pessoas que conheço, não rejeito gêneros inteiros. E acho que 10% de obras medianas, suportáveis, boas, ótimas e excepcionais já são mais do que suficiente para uma vida inteira. E, voltando um pouco ao início do post, lembro-me de que a versão brasileira da Isaac Asimov Magazine, publicada nos anos 90, representa bem este percentual de boas obras dentro de um gênero específico. Acho que vou retirar a coleção lá do fundo do baú (literalmente) e reler pelo menos o excelente conto O Dom da Palavra, de Octavia Butler.

Uma resposta to “Outra esquisitice pessoal”

  1. Nada original « Universo Tangente Says:

    […] By Marcelo Lopes Em Outra Esquisitice Pessoal, afirmei que 90% de toda a literatura, não interessa a que gênero pertença, é ruim. Pois bem, […]

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