Certa herança nerdista

Meus pais não me deixaram heranças materiais – e confesso que isso jamais me interessou, de fato. Poderia dizer que me legaram a educação, mas seria apenas um clichê óbvio. A estreia do novo Star Trek lembra que uma boa parte de minha nerdice deve-se a influência deles. Minha mãe era fã da série original, do triunvirato canônico (uau) Kirk, Spock e McCoy, mas também gostava da Nova Geração do início dos anos 90, de Picard, Data e Riker. Já meu pai era mais conservador; para ele, havia um único Star Trek, o original e ponto. Na minha infância, eu assistia a série clássica, na pré-adolescência a Nova Geração e já adolescente, a Deep Space Nine. Mas jamais pude me considerar um fã ardoroso da série (nerdice tem limite); daí que vejo com bons olhos a reinvenção por J.J.Adams, o maluco que criou Lost. Não, você não me verá em convenções de fãs, vestido com uniforme amarelo bem menor do que minha barriga e fazendo o cumprimento vulcano. Estarei bem normal, na fila no cinema, para ver um filme de Jornada na telona pela primeira vez – antes, só na TV.

Neste post, eu falei de duas esperanças cinematográficas nerds para 2009. Eu já reconhecia que o remake de O Dia em que a Terra Parou seria uma bomba; na verdade, sequer me senti animado a vê-lo em DVD. Fui surpreendido por Watchmen e Presságios. Agora, depois de ver o excelente trailer de District 9, coloquei o filme do ex-quase-diretor-de-Halo na listinha de promessas nerds para o ano. De qualquer forma, convém não acreditar muito nas minhas capacidades premonitórias: eu disse que Wall-E e Batman – O Cavaleiro das Trevas disputariam o Oscar de melhor filme (pode rir, eu mereço) e, bom, todo mundo sabe a asneira que foi pensar numa coisa dessas. Ao menos, desta vez, com o novo Star Trek, o número de resenhas positivas cresce dia após dia; se eu errar feio, não estarei sozinho.

4 Respostas to “Certa herança nerdista”

  1. ANA Says:

    Pois eu gosto demais da Star Trek original. Tenho a coleção completa ( é pequena) e revejo com prazer. Criada numa época em que foi considerada inaccessivel para a maioria dos telespectadores, fez um sucesso enorme que perdura até hoje.Dentro de estúdios herdados do I Love Lucy, com o mínimo de cenários, roupas arranjadas , tingidas e detalhes como bisnagas de mostarda servindo de seringas ao médico M da equipe, Dr. Mc Coy.Aprisionados num orçamento pequeno, conseguiram filmar ( posso estar enganada e não vou sair daqui pra contar) 72 capítulos. Permanecem no ar, de uma forma ou de outra, até hoje. A Nova Geração é mais sofisticada e para mim- embora assista sempre- perdeu o vulcão criativo que foi o criador original morto ha alguns anos. E´mais quadradinha. Embora Picard seja representado por um ator shakespeareano. E´um prazer assistir aos longas derivados das série original com os mesmos personagens.Desculpem,mas considero Star Trek uma das melhores séries não convencionais.Alias, Kirk ( W.Shatner) é bom ator. Agora no seriado Boston Justice, é imbatível e muito premiado.Perdemos McCoy e Sulu. Mas Boston Justice está com W.Shatner a toda. Já assistiram?pois não sabem o que estão perdendo.
    Ana

  2. Fernando Says:

    Sou fã assumido de ficção científica, desde os livros de Julio Verne e Arthur Clarke até o cinema. Mas pessoalmente acho as ficções científicas antigas como o primeiro O Dia em que a Terra Parou e os seriados mais antigos tinham alguma coisa mais romântica, ingênua, mas ao mesmo tempo mais criativa.
    Hoje falta criatividade. Wall-E foi exceção.
    Abraço ou vida longa e próspera…

  3. Marcelo Lopes Says:

    Ana,

    A série original de Star Trek continua imbatível. Como você mesma bem disse, é um vulcão criativo que deu origem a série. Eu li o Memórias do Shatner, que conta muito bem como foi difícil e fantástico produzi-la. Aliás, William Shatner está tão bem em Boston Legal que a geração mais nova sequer sabe que ele foi o Cap. Kirk; a maioria agora o conhece apenas como Danny Crane!

    Abs!
    Marcelo.

  4. Marcelo Lopes Says:

    Fernando,

    Não há como negar que as séries e filmes antes, sei lá, de 1985(?) tenham sido mais criativos. Infelizmente, o que a gente vê é um esgotamento dos roteiristas que se empenham em reciclar fórmulas já testadas. Ainda assim, só agora estou assistindo ao novo Battlestar Gallactica e gostando muito.
    E, claro, Wall-E foi uma exceção fantástica!

    Abs!,
    Marcelo.

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