Archive for junho \30\UTC 2009

Dá para usar o Kindle no Brasil?

terça-feira, 30 junho, 2009

O Kindle é sonho de consumo de qualquer leitor. Apesar do modelo de documentos fechado e do preço relativamente alto (o novo DX de 9 polegadas custa quase 500 doletas), todo apreciador de literatura gostaria de ter acesso a comodidade de leitura e transporte, além do acesso a milhares de livros e jornais (pagos). Seria tudo ainda mais bacana se esta novidade tivesse chegado aqui no Bananão; infelizmente, a Amazon sempre aparece na boataria das próximas empresas .com a desembarcar por aqui, apenas para frustrar seus potenciais consumidores.

Graças ao e-mail de uma amiga, também fascinada pelo Kindle, descobri que existe uma forma, sim, de usá-lo no Brasil. Custa algum tempo e dedicação; e não dá para fazer uso da rede sem fio para baixar títulos – a cópia terá de ser pelo arroz-de-festa USB mesmo. Em resumo, a tramóia é a seguinte: Como a Amazon exige um endereço para entrega nos EUA, mesmo de produtos digitais, a dica é não comprar com cartão de crédito. Ao invés disso, adquirem-se gift cards, compram-se créditos para ele e depois os usamos para adquirir os livros desejados – mesmo assim, é preciso informar um endereço nos US and A, mas ele não será usado porque estaremos adquirindo um arquivo digital. Ainda é necessário conhecer alguém que possa trazer o Kindle para cá e que resida na terra de Marlboro, mas não é algo tão difícil.

Nesta reportagem da Folha Informática, o gerente de TI Antonio Carlos Silveira explica melhor como comprar livros do acervo da Amazon. Em seu blog, Miguel da Roca Cavalcanti analisa o Kindle e complementa o texto de Antonio sobre como usá-lo no Brasil.

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Apenas Uma Vez

terça-feira, 23 junho, 2009

Tenho uma certa inveja dos músicos; tudo por culpa das jam sessions, ou qualquer encontro parecido. A quem vive fora do universo musical, como eu, parece improvável que duas ou mais pessoas que jamais se viram possam se juntar em um palco ou estúdio e, a partir de um início relativamente tímido, ir ganhando confiança exclusivamente por meio da música até interpretar ou mesmo criar uma composição. Esta capacidade que a música tem de irmanar seus amantes devotos (os diletantes ficam assistindo) é explorada admiravelmente na mais bela sequência do igualmente belo filme Apenas Uma Vez, que assisti ontem depois de mais de um ano de atraso.

Produção independente irlandesa de 2008, vencedora do Oscar de melhor música por Falling Slowly, Apenas Uma Vez é um filme simples, delicado e (pasmem!) musical. Mas não é um musical ao estilo da, digamos, antiga Hollywood (uma forma cujos últimos exemplares talvez tenham sido Chicago, Moulin Rouge e Todos Dizem Eu Te Amo). Aqui as canções surgem naturalmente porque os personagens principais, Ele e Ela, são músicos. Na sequência que citei, ambos vão a loja em que Ela toca um piano emprestado. Ele sugere que tentem cantar uma de suas composições (Falling Slowly, naturalmente). No início, eles tentam se entender, olham constantemente um para o outro, experimentam com algum receio as cordas e as teclas. No final, criam no mesmo ritmo, reconhecem-se na experiência criadora, que se torna uma metáfora simples e exata da experiência amorosa – que, no caso dos personagens de Apenas Uma Vez, já os machucara profundamente.

Aliás, vale dizer que a trilha sonora do filme é marcada por letras simples, mas não simplórias. Atingir a simplicidade é algo dificílimo para um compositor. A estrofe exata, a precisão na descrição de sentimentos, a elegância, a transmissão de um estado interior imediatamente reconhecido por quem ouve a música – no filme, uma combinação de perda, solidão, tristeza e superficialmente paradoxais esperança e redenção.

Aproveitarei para ressuscitar o Todos os Filmes com minha opinião sobre Apenas Uma Vez – por isso mesmo não falarei mais sobre ele aqui. Mas desde já recomendo sem restrições.

ATUALIZAÇÃO: Resenha publicada no Todos os Filmes.

Debaixo do tapete

sexta-feira, 19 junho, 2009

Do Coisas de Idiota, sobre a idéia absurda que é acreditar em teorias de conspiração contra a Globo ou qualquer outra empresa:

Enfim, se você já teve um emprego na vida, mesmo que tenha sido numa fábrica de bigodes falsos, mesmo que tenha sido num rodízio de temakis, você sabe que nenhuma tarefa, nenhum projeto consegue escapar ileso da cultura de má-vontade, burrice, mal-entendidos, desinteresse e fofoca que existe em qualquer empresa, mesmo as que não são um fracasso – e que, portanto, todas as acusações contra a Globo de que ela conspira e manipula até quando transmite vôlei de praia são na verdade o maior elogio que seus funcionários poderiam receber.

Entretanto, tinha de haver uma exceção e, como era de se esperar, ela não está numa empresa e sim numa cidade. Japonesa. A jornalista especializada em cinema, Ana Maria Bahiana, fonte mais do que confiável em se tratando de novidades da indústria cinematográfica comentou em seu blog sobre o impressionante documentário The Cove:

[…] numa cidade do Japão que parecia um paraíso de convivência humanos/espécies marinhas, Psihoyos e O’Barry [diretores do filme; O’Barry é o ex-adestrador de Flipper] descobriram algo medonho: uma enseada oculta, onde massas de golfinhos eram arrebanhados e ou feitos cativos ou massacrados para a indústria de enlatados (mesmo estando contaminados por mercúrio). O esforço para documentar o massacre – acobertado por toda a cidade, inclusive as autoridades – levou a equipe a mudar seu projeto e envolver profissionais tão variados quanto comandos especializados em missões secretas e técnicos em efeitos especiais da ILM, que criaram rochas falsas capazes de acomodar câmeras embutidas.

Assistir ao trailer é uma aula prática de como uma conspiração pode funcionar. Resta-nos torcer para que as grandes empresas sempre acusadas das mais estapafúrdias teorias(alguém aí falou MacDonald’s? Coca-Cola?) não resolvam levá-las a sério contratando os habitantes da tal cidadezinha japonesa – inferno dos golfinhos.

A propósito, vale a pena ler todo o post do blog da Ana Maria Bahiana, sobre o filme The Stoning of Soraya M., que parece mil vezes melhor e mais relevante do que estes livros que viraram moda nos últimos anos – ao melhor estilo Eu Sou o Verdureiro de Cabul.

O exercício da generosidade

quinta-feira, 18 junho, 2009

Como qualquer um, tenho ambições. Ambição é uma palavra que, aqui, abaixo da linha do Equador brazuca, é sinônimo de palavrão – como capitalismo, cultura clássica e lucro. Quando se menciona esta palavrinha, muita gente  se lembra de vilões de telenovela, invariavelmente empresários ricos ou vilãs dispostas a tudo para subir na vida, esse tipo de bobagem.

Quase são esquecidas as várias formas de ambição: material, intelectual, espiritual. Nenhuma delas é necessariamente ruim, mas as formas de exercê-las é que podem causar problemas tanto a mim quanto às pessoas que me cercam. E, em algum grau, temos todas as formas citadas, sendo que uma ou outra ganham certa prioridade.

A ambição da qual quero falar, no entanto, é outra, talvez a mais complicada, a mais difícil de se exercer e, paradoxalmente, a mais simples e suave. Lembrei-me dela ao ler este post do blog do Hiro contando sua visita ao estúdio-casa da lenda da ilustração Brad Holland. Holland recebeu o desconhecido brasileiro com simpatia e simplicidade, mostrou a casa, seus (belíssimos) trabalhos, conversou, lembrou-se de quando esteve em Florianopólis. Para quem não sabe, é mais ou menos como ser um cineasta iniciante (o Hiro não é um iniciante no mundo da ilustração, pelo contrário, mas mantenho a metáfora assim mesmo) sendo recebido, digamos, por Francis Ford Coppolla; um mergulhador por Jacques Costeau. E ser agraciado com generosidade e simpatia pelo mestre.

É esta generosidade que ambiciono ter, mais do que ser referência em alguma coisa.

Sobre o Nosso Tempo

sexta-feira, 12 junho, 2009

Tenho algumas anotações aqui, que esperam ser transformadas em posts, especialmente depois desta pausa de uma semana no blog. Estava com vontade de falar sobre a minha releitura (no sentido de “ler pela segunda vez”, não naquele sentido que artistas e sociólogos dão ao termo) de O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, mas percebi que não combinava nem um pouco com a data. Deixemos Conrad para outra hora.

O blog do Polzonoff, que sempre acompanhei, virou um índice para as suas twittadas diárias. E quer saber? Ficou ótimo, tanto que estou até pensando em entrar seriamente para a turma dos twitteiros – ao menos uma vez por dia, e olhe lá. De lá veio o link para um livro cujo título é bastante curioso e está na estante de auto-ajuda da Livraria Cultura: 50 Motivos Para Amar o Nosso Tempo . Sim, todos sabem a aversão que tenho a auto-ajuda, mas, concordo quando ele diz acreditar na sinceridade dos leitores que desejam, simples e naturalmente, melhorar algum aspecto de suas vidas. Mas não foi isso que me atraiu no livro e seu título curioso.

Lembrei-me de um artigo do escritor de ficção científica Isaac Asimov na versão brasileira da revista que leva o seu nome, em que ele narra um encontro com jovens. Um deles teria dito que sua vida seria bem melhor na Grécia ou Roma antigas. O escritor replicou, afirmando que ele teria uma ótima vida como escravo, que era a mais provável “ocupação” que o jovem conseguiria. A saudade por um tempo jamais vivido é uma bobagem, a qual todos sucumbimos, por algum tempo de nossas vidas. Somos bombardeados o tempo todo com afirmações categóricas sobre como tudo era melhor no passado, a vida mais leve e fácil. E não é difícil dar alguma razão a estes argumentos diante das complexidades da nossa existência moderna. O outro lado é igualmente enganoso: acreditar que estamos no melhor dos tempos, o que também é inevitável. A isso gosto de dar o nome de cronocentrismo (termo que tem acepções mais rigorosas na academia, a minha é bem relaxada…), ou seja, a crença de que nossa época é o ápice da suposta evolução da humanidade. Não lembro bem e peço que me corrijam, mas parece-me que Aristóteles teria dito que tudo o que era preciso para facilitar a vida do homem já havia sido inventado e restava-nos a filosofia e o estudo do funcionamento do universo. Do Iluminismo a Revolução Industrial, passando, claro, pelo fim da história pregado por socialistas e liberais (cada um a sua maneira, claro), a ilusão de que o tempo em que vivemos é o último degrau da humanidade é tão comum e perniciosa quanto o saudosismo.

Seja lá qual for a sua opinião sobre nossa era, nem eu ou você podemos escapar a sina de ser um “homem ou mulher de nosso tempo”. Gosto de ler sobre o século XIX, o Renascimento e a Idade Média, mas nada me fará um burguês londrino, um pintor italiano ou um templário. E, como eu não acredito em reencarnação, não fui nenhum destes personagens. Resta-me apenas esta existência, que muita gente diz ser menor e menos interessante do que a maioria das que me precederam. Não concordar com esta postura, parece-me, é o mote deste 50 Motivos Para Amar o Nosso Tempo. Uma lufada de otimismo com olhos céticos.

E as grandes vedetes deste otimismo sem apelação a síndrome de Pollyana são, certamente, as conquistas das quais nem damos conta: tecnologia e ciência e os resultados sociais destas mudanças. Não percebemos, mas talvez estejamos no meio de uma grande revolução no modo como produzimos, consumimos e distribuímos informação. E informação, lembre-se sempre disso, não faz muito tempo, era algo exclusivo de uma parcela quase irrisória da humanidade. Sim, ainda é uma parcela bem raquítica a que tem acesso a tudo isso, mas é o suficiente para criar pressão por liberdades e direitos num ritmo e volume jamais experimentados. É tudo muito confuso? É, bastante, e deixa eu dizer uma coisa: o mundo sempre foi e sempre será uma confusão assustadora.

É preciso ter a consciência do preço que foi pago (em vidas, inclusive e especialmente) para que a humanidade chegasse até aqui; é necessário, sim, conhecer o passado. Mas adorá-lo cegamente nos impede de identificar e usar as gigantescas possibilidades que certos recursos modernos nos oferecem.  Exatamente os recursos tornam a vida hoje tão interessante e excitante – e naturalmente difícil.

Só para citar um exemplo: Desde quando uma pessoa qualquer, como eu, teria leitores de todas as partes graças a um esforço técnico relativamente pequeno? Faz muito pouco tempo que isso se tornou possível – menos de duas décadas.

Começo pela boa ou pela má notícia?

sexta-feira, 5 junho, 2009

Duas constatações: Star Trek é um filmaço divertidíssimo, mas falarei dele no quase falecido Todos os Filmes. E o público brasileiro merece um troféu por ter deixado que Kirk e cia. definhassem no cinema, mal suportando duas ou três semanas em cartaz. Verdade que a divulgação foi ruinzinha, verdade também que muita gente acha que Star Trek é ficção científica chata de tiozinho, mas nem isso desculpa a bilheteria muito abaixo da esperada que o filme conseguiu por aqui. Uma pena.

Mas não é só por aqui que o público rejeita, sabe-se lá a razão, produtos pop com um pezinho no fantástico. Apesar do sucesso de Fringe (que bebe com vontade na mesma fonte de Arquivo X), uma das poucas séries que eu acompanhava, Eleventh Hour, foi cancelada logo após uma temporada. Gostava dos seus roteiros, embora alguns fossem meio apressados em sua ambição de amarrar ficção científica com uma certa ligação com a realidade e oferecer uma solução em pouco mais de 40 minutos de drama. Acho que o ator Rufus Sewell (Cidade das Sombras, Tristão e Isolda, O Ilusionista) é bom de serviço e tem a cara de doido meio avoado perfeita para o papel de um consultor científico do FBI. Claro que só o chamavam em casos que envolviam clonagem, radiação, vírus, contaminações, etc. Nada que Fox Mulder também não tivesse de lidar.

O fato é que, mesmo para os produtores que seguem uma cartilha de como não desagradar o público, mais difícil ainda é agradá-lo em cheio. E a indústria de cinema e TV são dependentes, hoje, de sucesso absoluto para se manter de pé. Assim, séries e filmes sofrem uma pressão gigantesca por audiência e acabam cortados sem piedade quando não engolem uma boa fatia de público – ou ibope, como dizemos por aqui.

Felizmente, a bilheteria mundial de Star Trek já autorizou mais um filme da franquia, com (felizmente) a mesma equipe.

Mad World

sexta-feira, 5 junho, 2009

Graças ao filme Donnie Darko, de onde vem o nome e a imagem do banner deste blog, conheci a belíssima versão que Gary Jules fez para a música do Tears for Fears, Mad World. O clipe a seguir foi dirigido por Michael Gondry, o mesmo dos filmes Rebobine, Por Favor e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças.

Nota: Quem recebe este post por email pode ver o clipe clicando aqui.

All around me are familiar faces
Worn out places
Worn out faces
Bright and early for the daily races
Going no where
Going no where
Their tears are filling up their glasses
No expression
No expression
Hide my head I wanna drown my sorrow
No tomorrow
No tomorrow
And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world
Mad world

Children waiting for the day they feel good
Happy birthday
Happy birthday
And I feel the way that every child should
Sit and listen
Sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me
No one knew me
Hello teacher tell me what’s my lesson
Look right through me
Look right through me
And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world
Mad world
Enlarging your world
Mad world

O cinismo estéril

quarta-feira, 3 junho, 2009

Confesso ter feito um comentário ridículo sobre a tragédia do vôo 447 com alguns colegas. Pensei a respeito depois e não encontrei boa razão para o que dissera. Talvez eu quisesse fazer parte da turma descolada, que faz piada com qualquer coisa, mesmo que isso signifique ofender tanto a sensibilidade alheia quanto a própria inteligência. Mas há algo ainda mais estranho do que a piada com a tragédia (algo corriqueiro, aliás, do qual não escaparam nem o padre dos balões e Isabella, só para citar fatos recentes): a relativização do horror.

Neste post exemplar, Queda do avião: O cinismo é a nova hipocrisia, Alessandro Martins revela um argumento que muitos estão usando para diminuir a importância do caso e melhorar a imagem que os outros teem deles:

Alguém disse que não faz sentido se sensibilizar pela queda de um avião. Porque, afinal, morrem dúzias de crianças no exato momento em que digito esta frase. De fome, de doença, por violência, por absoluta falta de cuidado. E ninguém diz nada. O que é a queda de um avião diante disso, não é?, dizia esse sujeito e mais uns tantos.

Além de cínica, é uma justificativa francamente canalha porque pretende transformar o sujeito que a anuncia em alguém moralmente superior, ao dar maior atenção às crianças pobres do que a morte de duas dezenas de burgueses. Sim, além de estúpido, é um argumento com um ranço ideológico ultrapassado e cruel, que despreza o direito de indivíduos a vida ao insinuar que algumas mortes são menos desejáveis do que outras, o que equivale a dizer que algumas vidas têm maior valor do que outras. Essa gente insensível, porém considerada culta, avançada e moderna tem sempre uma opinião certeira e sarcástica sobre qualquer assunto, o que pode ser entendido também uma tentativa desesperada de esconder a falta de conhecimento e de cultura com aquela noção vaga e meio adolescente, a tal atitude.

Não é, de forma alguma, um fenômeno brasileiro, mas que viceja por aqui porque nós, nhambiquaras, somos mestres do duplipensar, definido em 1984, de George Orwell, como a capacidade em acreditar em duas coisas contraditórias ao mesmo tempo, ou de agir de forma absolutamente contrária aos próprios princípios e achar formas de conciliá-los sem a menor culpa. Como diria Groucho Marx: “Estes são os meus princípios. Se não gostar, tenho outros que posso lhe apresentar”. Condenamos a corrupção e pagamos para ser liberados de uma multa de trânsito, reclamamos dos impostos mas acreditamos que tudo seria melhor se a imensa carga tributária fosse revertida em serviços para a população. E, finalmente, nos gabamos de nossa sensibilidade e calor humano, mas somos capazes de opiniões cruéis e cínicas sobre vidas alheias. Com toda a tranquilidade do mundo.