BBB – Big Brother Books

Sim, eu sei que o título não faz muito sentido, eu só quis mesmo aproveitar a sigla BBB, que já virou mania por aqui – e correr o risco de atrair para-quedistas, claro. De qualquer forma, para mim, na escala do lixo televisivo, reality shows nos moldes do tal Big Brother estão praticamente no topo, e só perdem para os programas de barracos com testes de DNA e o humor raquítico, miserável e repetitivo (preciso mesmo dizer o nome?) que infesta os finais de semana da TV aberta – o CQC é uma exceção tão interessante que nem parece real.  Para reforçar minha fama de rabugento, chego a dizer que detesto reality shows ainda mais do que detesto o carnaval, a banda Calypso e a Fanta Uva juntos – quem me conhece, sabe o que isso significa. (*)

E quando o reality show chega a literatura, como fica? Esta ideia louca partiu de um blogueiro, segundo a notícia da Folha Online. Trata-se de um desafio online para escritores que devem criar um texto (pode ser crônica, conto, poesia, o que de na telha do Pedro Bial da internet, o cipriota Constantine Markides, inventar) semanal que será votado pelos leitores do blog. O menos votado sai até que apenas um sobreviva ao desafio e então ganhará… nada. Nem prêmio em dinheiro, nem publicação dos textos, nada. Markides diz que existem editoras interessadas, mas não promete coisa alguma. Ao menos é sincero.

Na verdade, comunidades online de aprendizes de escritores existem aos montes e funcionam mais ou menos assim. Temas são propostos, uma turma escreve, outra turma vota. Não é novidade alguma, o que faltava era alguma cara-de-pau e espírito marqueteiro para explorar o voyeurismo da internet. Claro que um BB literário atrairá apenas o mesmo público que já lê online, mas não é este o ponto. O ponto é que a internet se consolida, cada vez mais, como o espaço mais acessível ao escritor iniciante. Assim como o fim do jornalismo como conhecemos já foi decretado, a literatura online (ou em e-readers, ou no celular, ou num chip de memória implantado na sua cabeça) é um fato consumado. Este reality show não me interessa, mas é uma amostra desta nova realidade. Boa ou ruim, oportunidade de fato para bons talentos ou não, são perguntas que ainda serão respondidas – ou não, como diria Caetano.

Ainda dedicarei um post (que estou tentando escrever com mais pesquisa e informações) ou série de posts a questão da literatura online, digital, impressa, etc. Não dá para discutir um assunto tão vasto rapidamente.

E, sim, a ideia já ganhou uma versão nacional, mas dedicada ao gênero policial.

(*) Dica para quem não vai com a minha cara: se quiser me punir, basta me sequestrar. E depois me libertar, socado dentro de um daqueles medonhos abadás, no carnaval da Bahia, bem no meio da multidão atrás de um trio elétrico tocando Calypso e apenas com uma latinha de Fanta Uva quente na mão para matar a sede.

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