Então é isso?

Há uns dois meses, escrevi sobre o respeito que tenho pelos profissonais que trabalham na produção do pior produto da televisão brasileira: a telenovela. Mas talvez eu tenha subestimado a ruindade da coisa. Não, talvez coisa alguma – eu fui bonzinho mesmo.

Assisti a meio capítulo da nova produção das oito horas, uma tal de Viver a Vida do Manoel Carlos (ou seja: Leblon + Helena + Bossa Nova + Toneladas de paciência). Primeiro, me chamou a atenção o logotipo da abertura ser tão parecido com um comercial de banco que é exibido no mesmo horário. Depois tentei prestar atenção a algum personagem ou trama, mas descobri que é impossível. Não há como se interessar por personagens tão rasos e estúpidos que resumem seus dramas a um desfile entediante de estilos de vida igualmente tediosos e superficiais. Isso não é dramaturgia, é a tradução para movimento e som das fotos que recheiam revistas de consultório médico como Caras e Quem. O mais curioso fica para o final dos capítulos, com depoimentos de pessoas comuns e seus dramas pessoais. Confesso que estes momentos, que duram uns três minutos, devem ser muito mais interessantes do que a ladainha de quarenta minutos que os precedem. Claro que é também um truque baratíssimo: trata-se de tentar igualar a vida comum ao universo ficcional da telenovela, ou melhor, tenta-se conectar o espectador a história da telenovela insinuando que aquela poderia ser a sua história.

O Felipe Neto relata, no seu blog Controle Remoto, ter assistido a uma palestra com Fernanda Montenegro, quando ela teria dito:

O modelo de novelas está acabando, é apenas uma questão de mais alguns anos. O mercado foi invadido pelos seriados e pelas sitcoms americanas e esse será o novo modelo de televisão.

Algum  anjo disse amém? Hein?

Tudo bem, eu sei que há uma infinidade de séries ruins e apenas algumas muito boas ou excelentes. Mesmo assim, o saldo para os seriados é positivo, já que as telenovelas são uniformemente ruins, e algumas insuportáveis.

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2 Respostas to “Então é isso?”

  1. João Says:

    rezemos que daqui a 10 anos com o “novo” modelo, o estilo americano, se copie a qualidade de muitas séries, e principalmente a profundidade e a originalidade…

    e por sinal, assista Breaking Bad que é show!

    • Marcelo Lopes Says:

      João,

      Eu espero mesmo que o modelo de séries americanas sirva de influência para a produção da TV brasileira. O que eu acho mais complicado no Brasil, em que a telenovela é o principal produto é que ela mobiliza relativamente poucos roteiristas. Há pouco espaço para o surgimento de novos escritores voltados a teledramaturgia. Se as emissoras daqui investissem em séries diversificadas em duração e temáticas, seria muito mais interessante.
      E “Breaking Bad” é sensacional mesmo!

      Abs!
      Marcelo.

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