O grilo falante está rouco

No voo (um dia eu me acostumo) de volta a Belo Horizonte, eu lia uma revista Superinteressante. Deixe-me explicar uma coisa: gosto de viajar de avião, de verdade. Entre passar de seis a sete horas socado num automóvel ou nove num ônibus e um voo de menos de uma hora, sempre vou preferir o avião. Claro que para driblar o susto que insiste em aparecer a cada solavanco aéreo, uma leitura concentrada é uma boa opção. Tomei o cuidado de não folhear as páginas que traziam fotos simuladas de desastres, incluindo um incêndio num avião, e fui direto a seção de cartas, digo, e-mails, digo, scraps da revista.

Na edição anterior, havia uma matéria bem curiosa sobre os diversos componentes da personalidade de cada um. Em determinado momento, o artigo brincava de revelar ao leitor que aquela vozinha (diminutivo de voz, não a sua avó baixinha) dentro da nossa cabeça é, uau!, a nossa própria voz. Pois bem, dois leitores escreveram para dizer que nunca haviam reparado que a voz que habita a sua cabeça é a deles mesmo. Como assim, Bial? De quem eles achavam que era? Do William Bonner? Do dublador Guilherme Briggs? Confesso que esta foi uma revelação das mais bizarras: tem gente por aí que acredita conversar com o Bob Esponja e não consigo mesmo. Pelo menos, foi o suficiente para fiacr pensando durante o trajeto – com a minha própria voz.

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