Archive for dezembro \31\UTC 2009

De 2009 a 2010

quinta-feira, 31 dezembro, 2009

Eu disse que não farei retrospectiva, mas alguma reflexão é quase sempre inevitável. Prefiro me concentrar nas minhas, digamos, duas retomadas do ano. Voltei a escrever com maior regularidade (é, eu sei: isso não vale para o blog) e a ler livros melhores em menor quantidade, como eu já havia mencionado. Infelizmente, a grande ambição deste ano foi adiada para o próximo, que é a conclusão de um romance, mas consegui terminar alguns contos – na verdade, estão todos em revisão, claro, mas já é alguma coisa. Meu interesse por literatura fantástica também se renovou, graças em parte a sites e blogs brasileiros sobre o tema – embora eu não tenha lido um único romance do gênero em 2009.

Então, vamos às promessas para 2010 que podem interessar aos meus leitores: Nada de academia, emagrecer nem plantar uma árvore. Apenas melhorar a regularidade de posts aqui no blog e escrever mais, especialmente no Exercícios de Ficção, que começou e parou sem dizer a que veio.

Seja como for, se eu conseguir cumprir estas metas ou não, agradeço aos visitantes, leitores e seus comentários e espero sinceramente que continuem acompanhando o Universo Tangente e seus filhotes no próximo ano. E desejar a todos os ótimo Ano Novo – realizações, conquistas, saúde, etc, etc, (pode encaixar o seu desejo aqui).

Obs.: Os rumores sobre meu afastamento foram exagerados. O sistema de envio de posts que uso, o Feedburner, acabou enviando por e-mail, um post de 15 de novembro como se fosse de ontem. Sei lá eu o que deu no sistema – bug do milênio atrasado? – mas, por favor, ignorem.

Quando a vida imita a arte…

segunda-feira, 28 dezembro, 2009

Na verdade, Mimic/Mutação é um filme que está bem longe de ser uma obra de arte, mas é a estreia norte-americana do ótimo diretor Guiliermo Del Toro e vale uma conferida, pelo talento de Del Toro em criar suspense com história ridícula: baratas mutantes gigantes tocando o terror nos subterrâneos de Nova York.

Aí a gente lê uma coisa dessas (Barata mutante surge em NY) e tem que dar o braço a torcer – felizmente, os insetos X-Men são de tamanho normal, ao menos por enquanto.

A propósito: Aquelas fotos famosas de um suposto baratão encontrado nos esgotos de Sorocaba não são totalmente reais. O bicho não vive nos esgotos e muito menos no interior paulista. Veja as fotos da criatura e uma explicação sobre o que ela é. Sim, ela existe.

Coisas que aprendi no Natal de 2009

domingo, 27 dezembro, 2009

Este não é um texto bonitinho, sobre como o consumismo sufocou o verdadeiro espírito do Natal. É apenas uma constatação de que, em diferentes graus, somos levemente inadaptados (hein?) a certas necessidades e obrigações sociais. Em outras palavras, há sempre alguma coisa que fazemos errado, de forma tosca ou simplesmente não conseguimos.

1. Não sei escrever mensagens de Natal.
Não dá. Se eu fosse responsável pela criação dos cartões da Hallmark, estaria morto de fome há anos. Tudo o que escrevo em cartões me parece francamente ruim. Acho que eu ainda não entendi que a baixa qualidade do texto não tem a menor importância diante do valor que a pessoa dá a sua intenção de lhe dedicar algumas palavaras. Claro, isso só é verdade se você não foi presentear um crítico literário.

2. Continuo detestando filmes de Natal
Parece algo insensível, mas depois de Milagre na Rua 34 já tive doses suficientes de filmes natalinos por umas duas vidas. Especialmente se o título for uma das duzentas e quarenta e este cópias de Esqueceram de Mim. Aliás, para quê ligar a televisão quando deveríamos estar com outras pessoas?

3. Gosto do Natal
Apesar de tudo, e de ter sido o ano em que perdi minha mãe, quase sempre descubro que gosto da data.

Guerreiros?

quarta-feira, 16 dezembro, 2009

Finalmente descobri que há mais gente que acha estranho este novo termo usado no Brasil: para qualquer coisa que se faça, o cidadão afirma ser um “guerreiro”.

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Guerreiros de guerra nenhuma

2009: Finalmente menos é mais

domingo, 13 dezembro, 2009

Não farei nenhuma lista dos melhores ou piores do ano. E nada de promessas para 2010. Contento-me em dizer o que já sabia: Li bem menos este ano, mas li coisas bem melhores.

Acredito piamente que cada um deve decidir a literatura (ok, e o cinema também) que mais lhe apetece e não dar muita pelota para listas do tipo “10.000 livros para se ler antes de perder os dentes” e gente que deseja impor um cânone inescapável. Gosto de ler opiniões e resenhas mesmo de quem vive criando listas de livros obrigatórios, porque quero saber o que levou o sujeito a colocar aquele título em sua lista pessoal. Tento, na medida do possível, ler opiniões sabidamente contrárias às minhas – ou às minhas inclinações pessoais. E, claro, me educo o tempo todo para não pré-julgar ninguém pelo livro que está lendo (até porque em geral temos a certeza de que somos mais espertos do que a maioria dos ursos e fazemos escolhas mais inteligentes, o que não passa de uma ilusão). É uma tentativa de exercício de liberdade. Falando capitalisticamente, temos de ser livres para decidir quais produtos culturais consumimos.

Decidi me dedicar única e exclusivamente aos livros que me interessam, descartando os hypes e desprezando a tola necessidade de se “estar por dentro”. Curiosamente, tenho acertado nesta escolha. Hoje, tenho minhas dúvidas sobre a lei repetida a exaustão para que aprendizes de escritores leiam de tudo, dos autores sabidamente inábeis aos gênios consagrados. Francamente, me parece muito mais útil ler o que mais me interessa, e deixar que as leituras atuais me guiem a outras. Com a internet, formou-se uma gigantesco emaranhado de citações e referências – você procura por um livro de que gosta e descobre, num blog, sobre outro; procura por este novo e lê sobre outros três. Descobre autores e livros que nem imaginaria. Assim, este ano fui apresentado a W.G. Sebald e China Miélville, só para ficar em poucos exemplos.

Li menos, mas li muito melhor. Acredito que a tendência para os próximos anos não será diferente. O que não significa que a lista de livros futuros ou a pilha de títulos esperando sua chance vá diminuir. Pelo contrário: elas continuam a crescer indefinidamente. Mas tenho a impressão de que gostarei de quase tudo que está nelas – na fila e na pilha.

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Topifaive Séries para curar a minha insônia

terça-feira, 8 dezembro, 2009

1. Sex and the City

A campeã absoluta. Basta mencionar o nome dela para que me dê vontade de ir para a cama. Sim, eu sei: provavelmente eu não gosto porque sou homem. Que seja. Acompanhar desventuras amorosas e sexuais de quatro amigas chatas em meio a compras e grifes aguça significativamente meus mais profundos desejos soníferos.

2. Grey’s Anatomy

Drama. Hospital. Uma combinação que sempre funcionou nos EUA – há todo um gênero de telenovelas especializadas nesta linha. Grey’s Anatomy é isso: um novelão. Personagens rasos que parecem ter passado pela mesma experiência de Jennifer Garner em De Repente 30: saíram diretamente da adolescência para a vida adulta. Ou, dito de outra forma, misture Malhação e E.R. e você terá uma ideia do que eu falo. Chamem o Dr. House, por favor.

3. High School Musical, Glee, etc, etc, etc.

Adolescentes dançando e cantando. Escolas norte-americanas do ensino médio. Precisa dizer mais alguma coisa?

4. Heroes

Depois de meia primeira temporada muito bacana, a série degringolou mais rápido do que o Hiro se teletransportando, o que é uma pena. Se serve de consolo, ao menos nos apresentou o novo Sr. Spock.

5. Lost

Não me entendam mal: gosto de Lost, da ideia, do J.J.Abrams. Mas em algum lugar na segunda temporada, a série me perdeu, achei sinceramente que os roteiristas não sabiam aonde estavam indo. Talvez ela devesse ter assumido logo que era ficção científica, mas boa parte do público reagiria mal. Agora é tarde demais para acompanhar decentemente.

O que é um livro / filme antigo?

sexta-feira, 4 dezembro, 2009

Diante da minha recente aquisição dos filmes Edward Mãos de Tesoura e Drácula de Bram Stocker (já resenhado no Todos os Filmes), fui surpreendido pela declaração de uma pessoa conhecida de que estes são filmes velhos e que eu estaria desatualizado. Confesso que não entendo bem este critério para considerar um filme como velho. Seria velho qualquer filme produzido antes do seu nascimento? Antes de 1960? Dois anos atrás? E um livro, então? Quando um livro se torna velho?

Aliás, isso faz algum sentido ou diferença?

Para a maioria das pessoas, sim. E a classificação não é lá muito precisa: na verdade, só são considerados produtos culturais novos aqueles que todo mundo está lendo hoje, neste mês, neste ano. Qualquer outra coisa já é passado. É uma concepção bem, digamos, classe média; uma necessidade de ver os mesmos filmes, ler os mesmos livros para não ficar de fora das conversas e para contribuir para o debate com a mesmíssima opinião de todo mundo. A coisa é cíclica e repleta de modismos: já foram os livros com histórias comoventes do oriente médio, auto-ajuda com toques espirituais modernosos, polêmicas sem sal com a igreja católica e assim por diante.

De fato, cada um lê o que quiser, de acordo com suas preferências e influências. Feliz ou infelizmente, não sou acometido por esta febre de novidades. Não me sinto pressionado a ler o último grande sucesso literário ou a assistir ao filme-evento do ano. Para mim, são atividades que não deveriam estar ligadas ao estresse social, mas à concentração pessoal e à solidão. Talvez esta obsessão pelo compartilhamento dos produtos culturais seja outro sintoma do fim progressivo da solidão e da necessidade de uma certa dose de isolamento para o cultivo saudável de pensamentos íntimos e opiniões individuais.

Voltando ao título, não acho realmente que bons livros ou filmes envelheçam de fato. Se, digamos, os neons coloridos de O Fundo do Coração, o grande filme e grande fracasso de Coppola, parecem datados e confinados a algum lugar bizarro nos anos 80, sua espetacular vitalidade permanece. Assim como o colonialismo inglês em O Coração das Trevas faz parte do passado, a loucura que pulsa escondida sob um mundo organizado e ordeiro permanece.Tudo isso é um tanto óbvio e até clichê, mas não custa nada relembrar a incrível sobrevivência das ideias universais presentes em algumas obras numa época em que a efemeridade cultural parece obedecer a lei das locadoras: qualquer produto que não se encontra na prateleira de lançamentos já é velharia.

E-Books brasileiros: quando tudo começou

quarta-feira, 2 dezembro, 2009

Ou melhor, quando começará, ou pelo menos, quando será o primeiro grande lançamento no formato: a editora Agir, nova casa de Rubem Fonseca, decidiu lançar seu novo romance em formato convencional e digital, O Seminarista, para Kindle e iPhone. Ainda será lançado pela mesma Agir e em parceira com a BlogBooks Deu no Blogão, do dramaturgo Aguinaldo Silva, mais ou menos na mesma época. Detalhes sobre o lançamento para o Kindle neste artigo do IDGNow!, em português.

Na verdade, segundo o mesmo artigo, a editora Ibis Libris, especializada em poesia, já oferecia alguns poucos títulos digitais. Há algumas complicações legais envolvendo o recolhimento de direitos autorais  e publicação em línguas que não o inglês, mas não dá para negar mais: as editoras estão se movendo para o mundo digital.

Em artigo no Portal Literal, Fonseca diz ter gostado do Kindle, mas acredita que o aparelho será “fogo de palha”. Eu discordo. Para nossa sorte,  a Agir (que pertence ao grupo Ediouro) também.

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