2009: Finalmente menos é mais

Não farei nenhuma lista dos melhores ou piores do ano. E nada de promessas para 2010. Contento-me em dizer o que já sabia: Li bem menos este ano, mas li coisas bem melhores.

Acredito piamente que cada um deve decidir a literatura (ok, e o cinema também) que mais lhe apetece e não dar muita pelota para listas do tipo “10.000 livros para se ler antes de perder os dentes” e gente que deseja impor um cânone inescapável. Gosto de ler opiniões e resenhas mesmo de quem vive criando listas de livros obrigatórios, porque quero saber o que levou o sujeito a colocar aquele título em sua lista pessoal. Tento, na medida do possível, ler opiniões sabidamente contrárias às minhas – ou às minhas inclinações pessoais. E, claro, me educo o tempo todo para não pré-julgar ninguém pelo livro que está lendo (até porque em geral temos a certeza de que somos mais espertos do que a maioria dos ursos e fazemos escolhas mais inteligentes, o que não passa de uma ilusão). É uma tentativa de exercício de liberdade. Falando capitalisticamente, temos de ser livres para decidir quais produtos culturais consumimos.

Decidi me dedicar única e exclusivamente aos livros que me interessam, descartando os hypes e desprezando a tola necessidade de se “estar por dentro”. Curiosamente, tenho acertado nesta escolha. Hoje, tenho minhas dúvidas sobre a lei repetida a exaustão para que aprendizes de escritores leiam de tudo, dos autores sabidamente inábeis aos gênios consagrados. Francamente, me parece muito mais útil ler o que mais me interessa, e deixar que as leituras atuais me guiem a outras. Com a internet, formou-se uma gigantesco emaranhado de citações e referências – você procura por um livro de que gosta e descobre, num blog, sobre outro; procura por este novo e lê sobre outros três. Descobre autores e livros que nem imaginaria. Assim, este ano fui apresentado a W.G. Sebald e China Miélville, só para ficar em poucos exemplos.

Li menos, mas li muito melhor. Acredito que a tendência para os próximos anos não será diferente. O que não significa que a lista de livros futuros ou a pilha de títulos esperando sua chance vá diminuir. Pelo contrário: elas continuam a crescer indefinidamente. Mas tenho a impressão de que gostarei de quase tudo que está nelas – na fila e na pilha.

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