Bem-vindo a terra dos idiomas inventados

Avatar já deixou de ser apenas um filme; é um fenômeno pop, como o foi há treze anos Titanic, obra do mesmo James Cameron. Que é famoso pela truculência, perfeccionismo e obsessão pelos detalhes. Ele não queria que os alienígenas pandorianos ficassem grunhindo uma sopa fonética sem sentido, então tratou de contratar o linguista Paul Frommer, professor da Universidade da Califórnia, para simplesmente criar um idioma, que ficou conhecido pelo mesmo nome do povo que o fala: Na’Vi.

Não é a primeira vez que isso acontece. Tolkien também era linguista, apaixonado pelo estudo do galês, e criou os idiomas falados na Terra-Média. As estranhas palavras ditas pelos atores da adaptação de O Senhor dos Anéis seguem piamente as orientações e escritos deixados pelo sul-africano que inventou toda uma mitologia sozinho – e a ela dedicou a maior parte de sua vida. Já no universo de Star Trek, os klingons também tiveram a honra de ganhar um idioma próprio. Há pelo menos três livros publicados em klingon (de Hamlet e A Arte da Guerra eu me lembro), gramáticas, dicionários, um instituto de ensino da língua e, ainda mais supreendente, o Google aceita buscas no idioma.

Não preciso mencionar que alguns fãs destas obras realmente estudam os idiomas – conheci um sujeito que estava quase fluente em klingon quando a mulher o impediu de seguir adiante – e são capazes de conversar razoavelmente bem neles. A origem destas línguas milimetricamente arquiteturadas é, claro, o esperanto, criado no final do século XIX com a gigantesca pretensão de ser um idioma franco mundial. Em outras palavras, a segunda língua de boa parte da humanidade – não conseguiu. Assim como uma cidade planejada não resiste às forças caóticas do crescimento urbano e populacional, é a história quem elege a língua franca do momento, dure séculos ou décadas. E o inglês vem resistindo bem, obrigado, apesar do avanço chinês e hindu.

Não pretendo aprender uma língua que pouco usarei ou na qual encontrarei poucos livros que me interessam. Na’Vi, Klingon e élfico são curiosidades, tão inteligentes quanto exclusivas para fãs abnegados. Se isso lhe interessar, visite o site Learn Na’Vi e aprenda a língua dos smurfs saradões do espaço. E não deixe que ninguém o chame de “skxawng” ou lhe diga algo como “HaB SoSlI’ Quch!”.

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