Um lugar calmo para escrever

O ilustrador Montalvo Machado (uma das mentes mais lúcidas e ativas no mercado de ilustração brasileiro) diz em seu blog que teve um carnaval perfeito este ano, acompanhado por pessoas de quem gosta e cujo trabalho admira. Coisas assim são estimulantes para qualquer um que lida com atividades que envolvem criatividade: o contato com pessoas que também trabalham com a sua arte e tempo para se dedicar ao desenvolvimento de novos projetos, sem grandes interrupções. Escritores também sonham com isso.

Isaac Asimov contou, em artigo que não lembro onde li, que desenvolveu a habilidade de parar e retomar seu trabalho inúmeras vezes simplesmente porque não conseguia tempo de qualidade e continuamente livre. Ele ainda conta que, em toda sua carreira, teria tido poucas horas de paz e tranquilidade para trabalhar. Em parte, isso se deve ao fato de que, a menos que você seja o Dan Brown ou o Paulo Coelho, muito pouca gente verá com bons olhos as horas solitárias passadas a frente do computador escrevendo e reescrevendo vidas imaginadas. Interrupções são parte inrente a atividade de escritor, e ter de lidar com a incompreensão das pessoas próximas quando você fica irritado ao ser interrompido também é parte do jogo. Ajuda quando consegue-se negociar com o parceiro um tempo diário para se dedicar a atividade. Dica de graça para os homens: use o horário da telenovela. Dica de graça para as mulheres: usem o horário do futebol ou do programa esportivo. Sim, estas dicas são generalizações grosseiras e não devem ser levadas (muito) a sério.

Mesmo assim, não custa nada sonhar. Como a também escritora de ficção científica Cristina Lasaitis, neste post sobre lugares feitos sob medida para escritores. São hotéis, pousadas e retiros que possuem pacotes de estadia para que você se hospede para criar seu romance ou dar forma final a aqueles contos que vivem reclamando por uma revisão. Como ela mesma diz, infelizmente, uma ideia dessas não faria sucesso no Brasil (todos os lugares citados ficam nos EUA, Europa e Oceania) por razões muito simples: a exceção de uns poucos gatos-pingados, escritor brasileiro não tem dinheiro para pagar por este tipo de serviço. E também graças a pura e simples lógica capitalista. Afinal, onde não há mercado…

Porém, nada nos impede de pensar nisso. Cito a própria Cristina:

É claro que qualquer chácara da tia ou casa de praia pode virar um bom retiro de escrita. Conheço gente que escreve tranquilamente em mesa de bar ou banco de parque. Mas seria interessante haver um lugar onde as pessoas vão para escrever, onde escritores vão para passar um tempo em companhia de outros escritores, onde possam trabalhar longe da confusão do dia-a-dia, mantendo foco na produção e de preferência sem ter que pagar o preço de um hotel. Eu bem que gostaria de passar uns tempos longe da civilização e voltar com um romance pronto. Não custa espalhar essa ideia!

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