Microcontos, Twitter e ABL

É uma limitação minha: não sei escrever estas coisas chamadas microcontos. Estas micronarrativas passaram por um inevitável aumento de popularidade graças ao Twitter. Escrever narrativas enxutas é naturalmente mais difícil do que um conto mais longo, com mais tempo para descrições e narrativa. É preciso imaginar uma história e extrair dela o trecho que a resume, ou mehor, que a apresenta, da forma mais sucinta possível. O mais famoso microconto que conheço é de Hemingway.

Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.

Há toda uma história por trés destas vinte e seis letras. Nem preciso dizer que concisão era marca registrada do autor e que este microconto talvez tenha sido seu exercício mais radical e bem-sucedido de estilo. Dá para imaginar o trabalho infernal necessário para chegar a isso.

Agora, a Academia Brasileira de Letras anuncia um concurso para microcontos usando o próprio Twitter: máximo de 140 caracteres (descobri via Alessandro Martins e Raquel Camargo). Se tiverem como inspiração aquele continho ali em cima do Hemingway, os candidatos tem um belo trabalho pela frente, cujo resultado final poderá ser lido em poucos segundos, apesar das horas e horas que deveriam ser gastas para chegar ao resultado final. Pelo menos para isso, a resposta a pergunta-chave do Twitter (o que estou fazendo agora?) provavelmente não valerá para muita coisa.

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