Archive for abril \20\UTC 2010

Ada, mais uma vez

terça-feira, 20 abril, 2010

Há algum tempo, escrevi um longo post sobre Ada Lovelace. Em resumo: Lovelace foi uma pioneira da ciência da computação ao lado de Charles Babbage, ainda no século XIX. A história toda é bem mais longa, mas isso é o suficiente para que sua história chamasse a atenção. A Giseli, do CyberGi, também escreveu um post bacana sobre o Ada Lovelace Day, comemorado no dia 24 de março.

Tenho um interesse pessoal na biografia de Ada, mas não vou falar disso ainda. Para ser sincero, sequer li sua biografia mais famosa, Ada, the Enchantress of Numbers: Prophet of the Computer Age. Aparentemente, este livro servirá de base ao filme de mesmo nome a ser estrelado por uma de minhas atrizes preferidas: Zooey Deschanel. Para quem não se lembra, ela foi a Trillian daquela adaptação de O Guia do Mochileiro das Galáxias. A direção ficaria a cargo de Bruce Beresford, mais famoso pelo correto (e não muito mais do que isso) Conduzindo Miss Daisy.

Não deixa de ser curioso que Creation, sobre Charles Darwin, tenha chegado aos cinemas recentemente. Depois dos meteoros, vampiros e animações com bichos mais inteligentes do que pessoas, será que a nova mania do cinema será a biografia de cientistas? Chega a ser bizarro imaginar algo assim.

Notícia via Judão.

O Museu da Inocência

quinta-feira, 15 abril, 2010

Seu espanhol é tão ruim quanto o meu? Ok, não tema. Esta entrevista do escritor Orhan Pamuk é perfeitamente legível – especialmente com o auxílio imprecindível da internet – e belíssima. Como disse uma amiga, a combinação de uma inteligência aguda a sensibilidade rara e a uma simplicidade surpreendente fazem de Pamuk um escritor único. Vencedor do Nobel, criticado em seu país por suas posturas e ainda mantido sob proteção policial até hoje, poderia escrever romances políticos ambiciosos, cheios de certezas e regras. Felizmente, não é o que ele faz: dedica-se a literatura, delicadamente. Seu último romance lançado, cujo título é o mesmo deste post, trata do romance de primavera do turco Kemal por Füsun, lembrado por ele por mais de trinta anos. A imagem do relacionamento afetivo como um museu, em que são guardados os detalhes, gestos e objetos, mesmo depois do fim daquela relação, é singela e poderosa ao mesmo tempo.

Em determinado momento da entrevista/matéria, Pamuk diz (não me atrevo a traduzir, o resultado ficaria abaixo da crítica), ao comparar suas motivações literárias da juventude (experimentalismo) às da maturidade:

Por otra parte, la historia de la literatura está llena de los cadáveres de escritores que quisieron hacer cosas demasiado distintas.

Uma última observação sobre Niterói

domingo, 11 abril, 2010

Em 1992, quando eu ainda morava em Contagem, Minas Gerais, uma tragédia semelhante a que se abateu sobre o Morro do Bumba aconteceu lá: a Vila Barraginha foi soterrada por uma avalanche de terra e lixo proveniente de um aterro sanitário. Lembro-me de ouvir alguns dizendo que as pessoas que moravam ali seriam as culpadas – coisa que alguns membros do chamado “poder público” andaram insinuando nas chuvas recentes do Rio.

Só que essas pessoas não são lixo. E não são burras.

Elas não moram em encostas e lugares de risco por gosto e escolha. Eles não colocam a sua vida e a dos filhos em risco por opção.

É ao contrário. Eles fazem isso por falta dela.

O ocupamento desordenado de Niterói, que vem agressivamente aumentando a população desde a fusão dem 1975, tem se agravado nos últimos 20 anos. Os governos sucessivos de Jorge Roberto Silveira e seus aliados tem se preocupado muito mais em maquiar a cidade e alterar o plano urbano do municipio para torná-lo agradável a grandes investimentos imobiliários do que investir em obras de infraestrutura. Não houve um plano de transito, urbanização… e não houve contenção de encostas.

São as palavras de Ana Cristina Rodrigues em seu post When the world falls down… que merece ser lido.

O Brasil não decepciona os seus críticos

sábado, 10 abril, 2010

Philipe, do site Mundo Gump, escreveu o texto Niterói, o Retrato do Brasil, que merece ser lido e do qual cito dois parágrafos, exemplares:

O Brasileiro vota obrigado, e não reclama. O Brasileiro é vilipendiado nos seus direitos mais básicos como educação, segurança e saúde e não reclama. O Brasileiro vê a família inteira sumir num desabamento de Ex-lixão e não reclama. Só chora. Os protestos contra a administração pública do país são pífios, mas em contrapartida basta um trio elétrico passar na rua e milhares de pessoas seguem atrás, sambando. Então, o povo, o pobre e o rico, tem suas respectivas parcelas de culpa pelas desgraças deste país.

Niterói, no caso, é o retrato da nação brasileira, que posa de bonita lá fora, banca de superior oferecendo ajuda humanitária até para quem não precisa, mas estende seu telhado de vidro para as pedradas dos críticos, ao lidar com a mais completa incompetência para com os problemas internos.

E o que os governos que permitiram a ocupação das encostas ao longo de décadas, interessados em votos rápidos e baratos, exercendo um populismo vulgar, dissimulado e desastroso fazem para impedir estas tragédias? Chamam a Fundação Cobra Coral e pedem para rezar pela ausência de chuvas (sim, isso aconteceu no Reveillon do Rio de Janeiro).

Pergunta para vestibular

segunda-feira, 5 abril, 2010

[…]quando você cresce, há duas instituições que o afetam especialmente: a Igreja, que pertence a Deus, e a biblioteca, que pertence a você. A biblioteca pública é enormemente igualitária.

A declaração acima foi feita por:

a) José Mindlin, bibliófilo brasileiro que doou grande parte de seu acervo a USP – mais de 17 mil títulos;

b) Sergei Brin, um dos criadores do Google, ao anunciar o ambicioso projeto de digitalização de milhões de livros pelo gigante das buscas;

c) Keith Richards, guitarrista da banda Rolling Stones, que entre outras peripécias, afirmou ter cheirado as cinzas do pai misturadas ao pó – mas depois desmentiu a bizarrice;

d) Mattew Battles, bibliotecário, autor de A Conturbada História das Bibliotecas, que trabalha na Houghton, onde repousa o acervo de obras raras de Harvard;

e) A Rainha Elizabeth II, ao dar uma entrevista sobre sua biblioteca particular no Castelo de Windsor.

A resposta é bem óbvia, não?

É claro que foi o Keith Richards que disse isso (sim, eu estou falando muito sério).

Seitas, viagens no tempo e microcontos

domingo, 4 abril, 2010

A viagem no tempo é um sonho antigo da humanidade, claro. De McFly fugindo da própria mãe aos Morlocks e sua dieta bizarra, a ficção científica sempre tratou do tema, apesar de a maioria dos cientistas afirmar com a veemência do Padre Quevedo que “isto non ecziste”. Agora, uma seita de origem italiana, a Damanhur, afirma possuir uma geringonça capaz de levar seus adeptos ao passado. A máquina deve ter sido desenvolvida pela Skynet, pois, segundo os membros da seita, só transporta gente pelada, como os personagens da série Exterminador do Futuro – curiosamente, esta ideia de viajar no tempo preparado para aterrisar numa praia de nudismo também aparece no livro A Mulher do Viajante do Tempo, recentemente adaptado para o cinema.

Ou seja: já sabemos de onde veio a inspiração para a picaretagem. Mesmo sendo óbvio tratar-se de balela, seitas com máquinas do tempo atraem a atenção de gente famosa. Consta que a cantora Nena, famosa nos anos 80 pelo hit 99 Red Balloons e por não se depilar com muita frequência, aderiu a Damanhur e chegou a estampar o logotipo da agremiação em seu último álbum. Se a intenção ao entrar para a polícia peladona do tempo era voltar a fazer sucesso, não funcionou: nem sei que álbum é este.

O melhor a fazer mesmo é lembrar o genial microconto (de novo) escrito pelo doidão Alan Moore:

tempo. Sem querer, inventei uma máquina do