30 anos de Cosmos

Há 30 anos estreava na televisão norte-americana a série-avó de O Universo (History Channel) e Como Funciona o Universo (Discovery Channel): Cosmos, de Carl Sagan. Como uma série um pouco mais nova do que eu (uma forma eufemística para dizer “velha”) consegue ser uma referência indiscutível na divulgação da ciência até hoje? Afinal, seus efeitos especiais são datados, algumas extrapolações já não convencem tanto à luz de novas descobertas e a gola rolê que o Sagan usava saiu de moda.

Muito simples: Sagan transmitia uma visão grandiosa e poética não apenas do universo, mas da humanidade em toda a sua espetacular evolução e sua paradoxal insignificância. Era uma apaixonado pela ciência que queria contaminar seus espectadores – e conseguiu. Bom, pelo menos a mim, que assisti a todos os episódios reprisados nas manhãs de sábados e domingos da Rede Globo. Auxiliado pela trilha sonora de Vangelis, Cosmos fez, no formato de documentário, o que a série Star Trek havia conseguido mais de uma década antes: chamar a atenção de toda uma geração para a ciência. O que não é pouca coisa, especialmente se considerarmos o inacreditável grau de anafalbetismo científico do nosso tempo.

Curiosidade absolutamente nerd: há outra ligação entre Star Trek e Sagan. O cientista trabalhou na criação da placa de ouro acoplada às sondas Pionner 10 e 11 e na gravação dos sons da Terra levados num disco a bordo das sondas Voyager 1 e 2. Estes são os objetos criados pelo homem que se encontram atualmente mais distantes da Terra. O primeiro filme para o cinema de Star Trek, de 1979, conta como uma inteligência extraterrestre encontrou uma fictícia Voyager 6 (adotando o nome de V’ger) e rumou em direção a este planeta a procura de seu criador. Ainda no campo cinematográfico, pouco antes de falecer em 1996, Sagan ajudou a roteirizar seu romance Contato, que ganhou uma adaptação sensacional para as telas dirigida por Robert Zemeckis.

Além de Contato, Carl Sagan ainda escreveu, entre outros, os famosos O Mundo Assombrado Pelos Demônios e Bilhões e Bilhões em que apresenta sua visão otimista do progresso científico e suas objeções céticas. Mas ainda é Cosmos que melhor representa seu legado – e vale a pena reassisti-la, sempre.

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