Archive for novembro \22\UTC 2010

Sobre a generosidade da leitura

segunda-feira, 22 novembro, 2010

Sempre que indicamos uma livro para alguém, esperamos, com toda a honestidade, que a pessoa (geralmente um/a amigo/a) tenha as mesmas experiências que tivemos na sua leitura. Aguardamos ansiosamente para que o amigo estimado apresente a mesma percepção. É uma bobagem, claro, uma esperança absolutamente vã, embora simpática como todo desejo romântico.

Há uma generosidade gigantesca em aceitar que as leituras de uma obra serão sempre únicas, porque isso significa que a nossa interpretação, tão laboriosamente formada, é delicadíssima. Trata-se de um exercício de humildade  desconcertante e não estamos prontos para ele.

Sempre que alguém me indica um livro, penso nisso e, por alguns instantes, temo decepcioná-lo. Felizmente, este pensamento se desfaz antes mesmo da primeira página.

Sobre Jabutis

sexta-feira, 19 novembro, 2010

A única boa consequência da bizarra premiação do Jabuti deste ano, para mim, é que fiquei com ainda mais vontade de ler Se Eu Fechar os Olhos Agora, de Edney Silvestre, vencedor na categoria Romance.

Por que a gente ainda vai ao cinema?

quarta-feira, 10 novembro, 2010

Ir ao cinema pode ser um desafio. Shoppings lotados, filas imensas, salas mal cuidadas, funcionários despreparados e falta de educação do público não são exceções, mas uma rotina relativamente comum. De acordo com o que ouço de amigos em outras capitais, a situação de Belo Horizonte nem é das piores, mas tem decaído bastante nos últimos tempos. Minha primeira experiência negativa em uma sala de cinema foi no segundo filme a que assisti na grande tela: ET-O Extraterrestre. Havia uma senhora sentada na fileira atrás da minha que insistia em explicar todo o filme ao filho, que deveria ter uns… seis anos de idade, assim como eu. Mas eu era um moleque esquisito e, aos seis anos, queria, mais do que qualquer coisa, assistir em silêncio àquele que se tornaria um dos meus filmes preferidos por muito tempo. Felizmente, após uns dez minutos, a prestativa mãe se calou – acredito que o pimpolho distraído acabou dormindo, para minha sorte.

Em uma sessão de South Park – Bigger, Better and Uncut, um adolescente jogou um pacote de balas que acabou explodindo no meu cocoruto, um casal ficou reclamando da inverossimilhança de Sr. e Sra. Smith (o que eles esperavam?), e o som desapareceu no meio de MIB – Homens de Preto, obrigando-me e ao meu irmão a assistir ao filme uma vez e meia no cinema. E nem menciono as salas sujas, o som que parece estar vindo de dentro de uma latinha de Pringles ou os chuviscos na projeção em pleno século XXI. Sou obrigado a perguntar: por que é mesmo que a gente ainda insiste em ir ao cinema? Eu, particularmente, acredito que existem filmes que exigem a grande tela, o grande som e todo aquele ritual quase ultrapassado – luzes apagadas, trailers, pipoca, e por aí vai. Mas sei que sou uma exceção. Logo, o mistério permanece.

A propósito, o primeiro filme que vi no cinema foi Meu Amigo, o Dragão, da Disney, que misturava animação com filmagens reais, cortesia do trabalho minucioso do animador Don Bluth.

Nota final: Claro, há as salas fora do circuitão, mas eu já não acredito que o público delas seja tão menos grosso do que as hordas de adolescentes que tomam os shoppings de assalto. Quando vi O Labirinto do Fauno, havia ao menos dois sujeitos que apoiaram os pés nas cadeiras a sua frente, como se estivessem em casa.