Para onde vai o português?

Eu não sei. Aliás, ninguém sabe, embora alguns especialistas gostem de dar seus palpites. A internet tornou visível a quantidade absurda de formas diferentes de se falar a mesma língua. Acredito que o maldito miguxês esteja em decadência (algum anjo disse amém?) e em seu lugar vai surgindo um português mais pobre do ponto de vista ortográfico e mais complexo na interpretação de significados.

Ao ver a imagem acima, com a frase “Quero morrer” trocada por “Quero morre”, isso fica claro. Não há nenhuma estratagema gráfico que indique que o “morre” é o infinitivo do verbo “morrer”; nem mesmo um horroroso acento circunflexo no “e”, que tornaria a expressão perfeita para uma história do Chico Bento. É preciso interpretar o contexto para entender o que se quer dizer.

Considerando-se o resultado pífio do Brasil em exames como o Pisa, em que nossos alunos mostraram-se incapazes de interpretar mesmo textos simples, isso pode ser um problema. Ou talvez a simplificação seja a forma de lidar com estas limitações. O tempo dirá – ou não, como lembraria Caetano.

Eu, que já sou, de certa forma, um dinossauro, tenho e terei dificuldades em assimilar estas mundanças. Mas resistir a elas talvez seja mesmo inútil – e significa que sempre acharei algumas coisas feias. “Quero morre” é inacreditavelmente feio, mas funciona.

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