E-Books: O inglês dominará?

No post O mundo vai ler mais livros em inglês? no blog Painel das Letras, Josélia Aguiar fala da possibilidade de expansão no número de leitores que comprarão e-books em inglês. Claro, há muita coisa a ser considerada – se tivéssemos uma ideia clara das vendas de e-books por idiomas e países, poderíamos apontar uma tendência em curso, mas parece-me não ser este o caso. Muita gente já afirma que esta afirmação é mais uma típica amostra da arrogância anglo-americana.

Mas é bem provável que Mike Shatzin, entrevistado por Aguiar, esteja correto. Não é uma questão de arrogância, mas de mercado e de características próprias do e-book. Ao menos teoricamente, pela primeira vez, um público que pode ler em inglês e não tinha paciência para esperar a vinda de um livro do exterior, pode comprá-lo em um segundo e ter o título disponível em seu e-reader (ou tablet, PC, celular, etc…) no instante seguinte. Recentemente, eu quase comprei uma edição norte-americana de O Museu da Inocência, (já falei dele antes) de Orhan Pamuk, em paperback, além do Never Let Me Go/Não me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro, autor de Os Vestígios do Dia, e que já está meio difícil de encontrar em português. Alguns meses antes e na mesma livraria, adquiri American Gods/Deuses Americanos, de Neil Gaiman, por um preço ridículo – edição em inglês, paperback. O livro está esgotado há anos no Brasil (será relançado em breve) e não era raro encontrá-lo em sebos por mais de uma centena de reais.

Mesmo com meu inglês mórólez, consigo ler alguns títulos com pouca dificuldade. Se tivesse um e-reader, eu já os teria comprado – não, ainda não me habituei a ler na tela do PC. É gente como eu que provavelmente inchará um pouco os números de leitores estrangeiros que se aventuram a ler em inglês. Não é tanta gente assim, convenhamos – ao menos, aqui no Brasil. Estaremos apenas aproveitando a agilidade do mercado literário de língua inglesa, que abraça o e-book rapidamente e disponibiliza boa parte dos títulos para a compra por gente de outros países. Não é arrogância deles, é um simples fato do mercado. Também me parece óbvio que, a medida em que os títulos forem aparecendo traduzidos para várias línguas, a maioria dos leitores preferirá lê-los assim. Já quem tiver um bom domínio do inglês e alguma pressa em adquirir uma obra, simplesmente não vai aguardar.

Muita gente também fala da ascensão do idioma chinês, ou melhor, dos livros escritos nesta língua, mas não me parece uma perspectiva muito provável para as próximas décadas. A língua chinesa escrita (e qualquer idioma, digamos, ideogramático) oferece uma dificuldade extrema de aprendizado para nós, ocidentais. A menos que a China passe a exercer uma influência cultural tão forte quanto a norte-americana e inglesa, não vejo famílias matriculando seus filhos de cinco anos em um curso de mandarim tão cedo. Claro que é um cenário perfeitamente possível, mas acredito que, muito antes disso, o chinês se tornará a língua predominante graças a multidão de falantes nativos.

Uma resposta to “E-Books: O inglês dominará?”

  1. Taciana Says:

    Como leitora voraz e proprietária de um kindle, acredito realmente que o mais natural será ler livros em inglês: eles ficam disponíveis mais rapidamente, e são mais baratos. Além disso, é interessante ler na língua original, e mesmo assim, os livros estrangeiros são mais rapidamente traduzidos para o inglês do que para o português. Agora, o mais preocupante desse história: quais são os autores brasileiros recentes que ainda valem ser lidos na sua língua original? Onde eles estão? E quão acessíveis são os seus livros?

    Até mais,

    Taciana

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