Adeus, Amy

Haverá sempre, na imprensa especializada e seus fãs (entre os quais me incluo desde que ouvi Back to Black pela primeira vez, há cinco anos), quem associe o monumental talento de Amy Winehouse a sua vida amalucada e ao consumo constante e crescente de álcool e drogas. É uma bobagem descomunal. A grande ironia está no fato de que a genialidade artística resiste ao modo estúpido com que gente como Amy trata o próprio corpo e a mente. O talento ultrapassa os limites impostos pela existência comezinha, pelo dia-a-dia, é quase uma doença, uma necessidade que apenas os portadores dela sabem como funciona. Não; esta constatação óbvia não redime os gênios de suas opiniões absurdas, de suas ações detestáveis ou da tendência a autodestruição que contagia alguns deles. Apenas os tornam adorável e terrivelmente humanos.

Por isso mesmo a morte de Amy Winehouse é tão dolorosa. Não a perdemos para as drogas, como alguns gostam de dizer, de modo um tanto simplista; a perdemos para a estupidez mesmo. E a estupidez autodestrutiva é sempre, sempre, muito triste.

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