Autoestima e orgulho nacional

Ao ler sobre a vitória da representante de Angola no Miss Universo, deparei-me com a declaração de que o país precisava de uma injeção de autoestima. É inegável que uma conquista internacional, seja lá qual for, pode reverter em benefícios para qualquer país, se bem explorada pelo estado e empresários. Turismo e a atração de investimentos estrangeiros são os primeiros itens em que consigo pensar. Não coloco em xeque estes potenciais ganhos. Mas a questão da autoestima me confunde.

Por alguma razão, a minha autoestima é desconectada de eventos ou do que chamamos de “orgulho nacional”. É claro que morar num país que nega consistentemente mínimas condições de bem-estar mina, às vezes de forma definitiva, a disposição de seus moradores. Não é o caso aqui, claro, mas considero a minha autoestima uma característica íntima, capaz de flutuar apenas ao sabor das dificuldades e conquistas pessoais. Copa do Mundo, Miss Universo, quantidade de artigos publicados na Nature, ok, podem até me alegrar temporariamente por me considerar parte da turma vencedora, mas não alteram em nada a percepção de mundo ou a imagem de faço de mim mesmo. Por isso mesmo, acho uma hipocrisia espetacular toda vez que um apresentador de TV diz algo como “este [evento, artista, conquista, coloque o que quiser aqui] dá alegria a este povo sofrido”. Combate a corrupção, melhoria da infra-estrutura e redução da carga tributária que é bom mesmo, nada.

Tenho o mesmo problema com as celebridades. Seu comportamento e seus valores não me dizem coisa alguma – são, no máximo, uma curiosidade. Sofro de uma monumental preguiça quando leio artigos falando da influência de, sei lá, Lady Gaga, nas jovens. A influência existe, não a nego, mas estou pouco me importando com ela. Eu jamais dispensaria tempo de minha vida estudando este tipo de coisa. Admiro quem o faça; aliás, admiro todo mundo que se dedica a atividades que me encheriam de tédio – são meus herois particulares. É claro que sou capaz de admirar alguém sinceramente graças a seus feitos ou mesmo suas declarações, mas sua vida pessoal ou o personagem que ele criou para exibir ao mundo pouco me diz. Assim como dá gosto ver brasileiros se destacando por conquistas que considero interessantes – o que não inclui o carnaval nem o funk. Mas isso sequer arranha a minha autoestima.

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