Archive for janeiro \26\UTC 2012

Só para contrariar

quinta-feira, 26 janeiro, 2012

Recentemente, reclamei da quase ausência de estantes a venda no Brasil, nas lojas virtuais ou não. Pois bem, acabo de receber um daqueles e-mails de ofertas (o pior é que eu autorizei a loja a enviá-los para mim…) e não é que está lá um “livreiro” à venda? Antes que algum troll engraçadinho venha me acusar de fazer propaganda disfarçada de post, é bom dizer que não recebo um centavo sequer por divulgar este link, faço isso pelo inusitado mesmo: aqui está.

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Coisas que eu gostaria de ter dito – 8

quarta-feira, 25 janeiro, 2012

Se você tem uma coisa a afirmar, você não tem que fazer literatura. Literatura é uma conversa sobre as dúvidas. É uma conversa sobre as delicadezas, sobre as faltas.

Bartolomeu Campos de Queirós, escritor.

 

Frankly, my dear, I don’t give a damn (*)

segunda-feira, 16 janeiro, 2012

Infelizmente, talvez eu seja um “elitista” cultural, o que é um palavrão equivalente, na escala de horrores modernos, a “reacionário” (algo que espero sinceramente não ser). Não pensei em ser assim, entenda; apenas aconteceu. Isso não me faz melhor nem mais interessante; mas definitivamente me transforma em um alienado cultural, especialmente em relação ao Brasil. O que acho disso? Leia o título de novo. Estou pouco me lixando, para usar uma gíria que já era velha quando a lia em quadrinhos.

Penso nisso enquanto leio as chamadas para notícias que falam de um possível abuso sexual naquele reality show – o mais famoso e de maior audiência do país. Se for verdade, é algo grave, gravíssimo. Eu não subestimo a seriedade da situação, e espero realmente que seja esclarecida e os envolvidos, punidos – claro, eu poderia desejar que o programa fosse obrigado a sair do ar por inviabilidade, mas eu estaria contradizendo as próximas afirmações, porque não quero e nem vou acompanhar o programa por causa disso. Aliás, nada me faria assisti-lo ou ler mais do que as chamadas nos portais de notícias. Por quê? Simplesmente porque eu escolhi.

Escolho constantemente ler, assistir e saber apenas o que acredito, com convicção, me dirá algo. Não, não interprete isso daquela forma óbvia: não estou a procura de obras com “mensagem” ou “valores positivos”; afinal, já sou adulto e sei (ou deveria saber) discernir as coisas. Procuro boas obras. Ou, melhor dizendo, obras que eu suspeito de que vou gostar. Desprezo sem cerimônia programas, livros, filmes, shows, séries que não me interessam. Coincidentemente, isso exclui a quase totalidade da programação da TV aberta brasileira. Elitismo? Ok, chame do que quiser. Eu chamo de poder de escolha: decidi não desperdiçar tempo (nosso tempo é ridiculamente curto neste mundo; ainda por cima, eu não acredito em reencarnação, logo…) com produtos culturais apenas porque todos os consomem e eu deveria estar a par deles. E quer saber? Sinto-me muito bem com esta decisão.

(*) A citação é do filme E O Vento Levou… e pode ser traduzida de forma educada como “Francamente, minha querida, eu não dou a mínima”.

Quer comprar uma estante para livros?

segunda-feira, 9 janeiro, 2012

Lendo o artigo de Claudio de Moura Castro na Veja, Onde comprar estantes de livros?, lembrei-me da minha própria peregrinação. Ao me mudar, trouxe um grande e sólido móvel que me serve de estante e escrivaninha, além de acomodar o computador, impressora, modem, DVDs e uma réplica do DeLorean de De Volta Para O Futuro que foi presente do meu irmão. Mas, quando a quantidade de livros acabou superando as dimensões deste móvel, saí a procura de uma estante para eles, acreditando piamente que seria algo trivial, fácil de se encontrar.

Após andar em todas as lojas e sites mais conhecidos e, claro, depois de descartar as opções muito feias e as ridiculamente caras, fui encontrar duas pequenas “bibliotecas” (assim eram descritas nas etiquetas) em uma loja perto de casa. O preço era justo e a qualidade, boa. Tenho as duas aqui ainda e já estão chegando aos seus limites. Logo terei de tomar a decisão que a maioria dos proprietários de livros acabam sendo obrigados a tomar: improvisar ou mandar fazer suas estantes sob medida. Mas o que Claudio de Moura Castro não deixou escapar em seu artigo é tão óbvio quanto aterrorizante: Não existe mercado para estantes de livros no Brasil porque quase ninguém lê.

Aliás, lembro-me bem de não encontrar, na maior parte das casas de amigos e conhecidos, livros. Não falo de uma estante ou uma biblioteca, mas apenas alguns livros, empilhados em algum canto, ou enfileirados ao lado da televisão. De preferência, livros nitidamente manuseados, as folhas marcadas, e não estas edições monstruosas de arte, compradas apenas para combinar com o quadro ou os jarros, e que foram vistas na capa de alguma revista de decoração.

No final do artigo, o autor sugere a criação de um índice semelhante ao Índice BigMac , para medir a educação e hábitos de leitura de um país a partir da quantidade de estantes para livros disponíveis em sites das lojas de móveis locais. Nem é preciso dizer onde estaríamos na lista resultante deste suposto índice.

Topifaive Filmes que poucos (ou ninguém) sabem que eu gosto

sexta-feira, 6 janeiro, 2012

1) Independence Day
Ao contrário de Spielberg, que acerta com muito mais frequência do que erra, Roland Emmerich, diretor e roteirista deste Id4, passou os últimos anos fazendo filmes esquecíveis e falsamente grandiosos. Talvez ele nunca mais acerte a fórmula que deu tão certo em Independence Day e que pode ser resumida em uma expressão: cara-de-pau. Poucas vezes na história do cinemão, um filme foi tão despudoradamente escapista e clicheteiro, mas realizado com uma energia adolescente tão genuína e contagiante. Um filme B de primeira.

2) O Pacto dos Lobos
Odiado por muita gente e, francamente, um tanto sem pé nem cabeça, o longa dirigido por Christopher Ganz mostra uma versão divertidíssima da bizarra história da Fera de Gévaudan, supostamente um lobo descomunal que teria matado dezenas de pessoas na França do século XVIII. Uma mistureba louca, que inclui a Revolução Francesa, um índio americano que luta kung-fu (Mark Dacascos, quem mais?) e uma agente do Vaticano disfarçada de dona de um bordel (Monica Belucci…), além de efeitos especiais pouco convincentes que não atrapalham a história.

3) Titanic
Sim, isso mesmo, eu admito. Muitos já não suportam mais ter de reassisti-lo, mas não dá para negar a força bruta do talento de James Cameron a serviço de uma combinação irresistível: uma história de amor para lá de óbvia e uma tragédia anunciada. Ainda que seja responsável por nos fazer ouvir a chatíssima Celine Dion por ano inteiro, Titanic foi o último grande épico romântico do cinema, um filme que sintetizou magistralmente décadas de produções anteriores e o poder da tecnologia digital, hoje onipresente, para contar uma história simples, batida e envolvente.

4) Luz Silenciosa
Deixando os guilty pleasures de lado, o estranhíssimo filme do mexicano Carlos Reygadas pode ser resumido, se me lembro bem, a algo como dez ou doze sequências, sendo que a primeira e a última nada mais são do uns cinco minutos de câmera estática testemunhando o nascer do dia e da noite. No entanto, este ritmo, tão próximo e palpável, acabou me pegando. A história não poderia ser mais icônica: um homem casado, que tem uma amante, e as consequências desta ação. Mas estamos numa comunidade menonita no México e o prosaico e o grandioso acabam se entrelaçando, culminando num desfecho sensacional que nada explica e parece ter sido pensado por Almodóvar.

5) Vem Dançar Comigo
O surtado diretor australiano Baz Luhrmann nos deu esta obra, surtada e delicada na mesma medida. Caricato, berrante, brega, mas também enérgico, apaixonado e simples, Strictly Ballroom é uma ode a dança em sua encarnação mais popular e, ao mesmo tempo, sofisticada. A história da irresistível ascensão e vitória redentora do excluído nunca parece empoeirada neste filme; pelo contrário, tem um frescor juvenil raro, uma entrega quase mística, uma crença absoluta do diretor pela sua criação. É quase impossível não assisti-lo e não ter vontade de aprender um ou dois passos de dança flamenca – aqui, representada como uma corte, um namoro sensual a que uma homem e uma mulher se dedicam em pé de igualdade. Camp, mas nunca vulgar, é um pequeno triunfo: Love is in the air.

A Conquista do Mundo Começou

terça-feira, 3 janeiro, 2012

Quando, em meados dos agora longíquos anos 80, as rádios tocavam, em sua maioria, sucessos vindos dos EUA e Inglaterra, havia quem se escandalizasse. Segundo estes críticos, ouvíamos apenas lixo importado, pop sem qualidade em uma língua que não entedíamos. Eu tinha vontade de dizer: “Tolos! Tenho certeza de que um dia a programação das rádios tupiniquins estará recheada de lixo nacional legítimo e puro. E digo mais: o Brasil exportará o que de pior produz para o resto do mundo”(seguido por uma risada malévola de vilão de séries antigas). Pois bem, conseguimos. Não vou entrar em detalhes para não atrair trolls e outras estranhas criaturas que habitam os becos escuros da internet. Mas temos de ter orgulho: Agora fornecemos ao mundo músicas tão horríveis quanto aquelas a que somos expostos.